Spleen e charutos

março 17, 2012

Chegou a hora de apagar a velinha

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 12:59 pm

Rian Santos
riansantos@jrnaldodiase.com.br

Sem as palmas de nossas mãos, não tem parabéns coisa nenhuma

O couro de nosso tambor não carece de sopapo. Se o cacique da tribo desconhece o tum tum insistente que a constelação dos Serigys faz ecoar por obra e graça dos próprios calos, pior pra ele. Sem as palmas de nossas mãos, não tem parabéns certo.

A inteligência aboletada na Funcaju que me perdoe, mas convidar os filhos de Francisco para soprar as 157 velinhas de nosso bolo foi a gota d’água. Como Henrique Teles (leia-se Maria Scombona) faz questão de declarar sempre que a oportunidade se apresenta, “não foi com essa revolução que nós sonhamos”.

Bate, coração – A propaganda encomendada a peso de ouro pela Secretaria de Comunicação do Governo de Sergipe, parabenizando a capital do Estado pelo seu aniversário, poderia sugerir uma mudança de mentalidade no âmbito da administração pública. Na peça divulgada por meio das redes sociais, alguns dos principais nomes de nossa música declaram seu amor pela cidade. Já no palco montado para presentear a população, como afirma o hot site do evento, Aline Barros e Capital Inicial, além das lamúrias de Zezé de Camargo e Luciano. Artista local que é bom, nada!

“Fiz parte de um vídeo lindo em homenagem aos 157 anos de Aracaju. Fiz porque achei a ideia ótima e os músicos que participariam tinham (e tem) meu respeito. Mas saber que no show em que será comemorado o aniversário da cidade não tem sequer um artista local é um fato duro de aceitar”, lamenta Julio Andrade, frontman da banda The Baggios, citada em todas as listas de melhores discos lançados em 2011.

Para o baixista Fábio Oliveira, o descaso demonstrado com a produção cultural sergipana não é nenhuma novidade. Segundo ele, os artistas engolem esse sapo há muito tempo.

“Toquei no Projeto Freguesia, recentemente. Fiquei impressionado com o descaso da Funcaju, que mandou a sonorização para “voz e violão”, quando desde sempre havia se passado o formato banda, na contratação. Não há sequer um praticável, quiçá um palco, e isso não é porque eles não têm, eu imagino. Sem contar a falta de divulgação, ou seja, independente de quem toque o público é o espontâneo. Não se agrega valor ao projeto porque o artista para esse órgão não tem valor algum, ele é “só” um prestador de serviço. Se o artista quiser divulgar sua apresentação porconta própria – um evento do calendário oficial da prefeitura – o problema é dele. Junte-se essa constatação com o que tem se dito sobre o desaniversário da capital, adicione o atraso dos cachês da Arena Multicultural do governo e uma pitadinha do atraso dos cachês do Festival de Laranjeiras e a receita está pronta. Serve-se morto”.

A cantora Patrícia Polayne vai ainda mais longe, e acusa a desnaturação da Funcaju. “Vamos cobrar transparência nos gastos, apurar fatos. Uma fundação de cultura recebe fundos de apoio e incentivo para iniciativas como as nossas: a de produzir, divulgar, formar platéia e pensamento. Nós já funcionamos como agenciadores de nós mesmos há algum tempo. Agora, só precisamos ter acesso ao investimento, o que na Fundação não só é negado, como, na maioria das vezes, é arrancado de nós para outros fins”.

Eu, que adoro meter o bedelho onde não sou chamado, gostaria de perguntar ao prefeito de Aracaju quanto foi retirado dos cofres do município pra bancar essa gracinha. Afinal de contas, a transparência é um dos pilares fundamentais da administração pública. Ou não?

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