Spleen e charutos

janeiro 30, 2012

Desculpe o auê

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 8:49 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Pra roqueiro que se preze, algemas não fazem falta nem causam medo

O governador Marcelo Déda que me perdoe. Cabe sim ao artista, mirante do porvir, esticar os olhos por cima de nossas cabeças, desafiar hábito e lei, para açoitar o rabo preso do progresso. Com violência, ternura, raiva ou afeto.

Embora a caricatura do desajustado tenha perdido muito de seu apelo romântico – um belo dia o mundo levantou da cama com um hálito amargo –, pequenos espasmos de rebeldia continuam provocando alguma reverberação. Rita Lee subiu no palco do Verão Sergipe merecendo uma boa vaia, mas desceu como as meninas que fogem de casa, a mala pesada de ilusões. Do alto de seus quase setenta anos, a velhinha carcomida que esnobou o nosso aplauso chutou a bunda do status quo e se redimiu diante de vinte mil pessoas. Pra roqueiro que se preze, algemas não fazem falta nem causam medo.

Eu não queria magoar você – Ao contrário do que insinua a nota divulgada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o protesto de Rita Lee não pode ser atribuído a um surto psicótico. Se a altura dos camarotes impediu que as autoridades se dessem conta do que ocorria bem embaixo do nariz delas, aí já são outros quinhentos.

Diferente de Fernando Pessoa, conheço uns três ou quatro que já levaram porrada. Relatos a respeito da valorosa Polícia Militar de Sergipe podem ser colhidos no lombo da arraia miúda, em nome de quem a cantora se manifestou. É bem verdade que, ânimos exaltados, a celeuma se aproximou temerariamente do caos. A responsabilidade pela balbúrdia, no entanto, não deve ser lançada sobre os ombros de quem se rebelou contra os abusos cometidos, mas ao despreparo do braço armado do Estado.

Foi uma cantora em fim de carreira. Poderia ter sido um bancário, um jornalista ou um pedreiro. Embora a civilidade ensine que a imposição da força é sempre o último recurso, o incidente no Verão Sergipe prova que ninguém está a salvo de um baculejo.

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22 Comentários »

  1. O ilustríssimo governador Marcelo Déda está nu!!!!

    Comentário por Beatriz Cerveira Lueska — janeiro 30, 2012 @ 9:12 pm

  2. Ninguém eestá a salvo de um baculejo.

    Comentário por Ana Assunção — janeiro 30, 2012 @ 9:28 pm

  3. De fato, o que está errado deve ser dito e o artista tem a voz e o respeito do povo (tanto que todos – ou grande parte – aplaudiram a cantora pelo feito). O que faltou de fato foi um pouco de respeito na veia “rock’n’roll” de Rita; porque reivindicar é uma coisa, mas xingar palavrões, pedir um baseado e mandar prendê-la pra poder chamar a atenção no meio do show, em cima do palco, na minha humilde opinião deixou de ser um protesto para ser um exagero.

    Comentário por Mariana — janeiro 30, 2012 @ 10:24 pm

  4. Exagero foi a policia ter BATIDO, EMPURRADO e DESRESPEITADO o povo , o qual Rita Lee defendeu com bravura e fervorosamente e se colocou na linha de frente contra o governo, o estado o braço armado do estado, a polícia . E o povo?? será que entendeu o recado dado por Rita?

    Comentário por Bruno — janeiro 31, 2012 @ 12:32 am

  5. Parece que não, parece que muita gente não entendeu. Eu vi a polícia bater lá no show da Atalaia Nova , sem motivo, sem razão alguma; me senti ameaçada por quem deveria me defender, me proteger estava cometendo aquela barbaridade.
    Já vi uma intervenção da polícia ( o famoso baculejo – olha que nome) em um filho meu, com revolver apontado para a cabeça, de uma criança de 15 anos , na porta de casa, e eu dizendo que era meu filho e nós morávamos ali. Desacatei a autoridade sim e tirei o revolver da cabeça de meu filho, levei um empurrão, me equilibrei e voltei ao ataque. devo merecer ser detida também? Cada ação gera uma reação e só quem passa sabe. Na hora do calor não se tem tempo para medir palavras e sei que se responde por isso ,mas acho que tudo deve ser medido e pesado. Algumas vezes um palavrão significa menos falta de respeito que um sorriso cínico ou uma ação truculenta e de graça. Tenho mais medo de quem sorri pra mim e me ferra do que de quem me enfrenta e vai para o embate.
    E cito Voltaire- “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.

    Comentário por Mônica — janeiro 31, 2012 @ 1:42 am

  6. Déda tem a memória fraca hoje ele está defendendo a policia, mas vamos lembrar de um episódio em que ele apanhou da PM sergipana na frente de autoridades políticas quando o atual aliado dele era governador, mas isso são águas passadas e o nosso governador não precisa mais fazer oposição a nada apenas aproveitar as benesses que uma autoridade possui em camarotes e protegido por seguranças. Mas nós, o povão, não apenas no governo dele mas de todos os outros anteriores, temos que conviver em eventos públicos com a delicadeza de alguns PM’s que pedem licença com a ponta de uma “fanta” e a delicadeza de um trator de esteira seja com mulher, homem ou criança e a coisa ainda piora qndo é com o pessoal de baixa renda. Rita Lee fez o q um pobre gostaria de fazer qndo é agredido e humilhado por um PM mal preparado mas a diferença é que ela continua com todos os dentes na boca.

    Comentário por Alberto — janeiro 31, 2012 @ 2:10 am

  7. Bruno, pelos comentários e o tipo de repercussão que tem dado: NÃO.

    Mas não sei se concordo com esse papinho de bravura e de veia revolucionária que estão sendo defendidas pela maioria das boas reflexões (como a do Rian) que li sobre o assunto. Pra mim, a Rita decadente, muito diferente da Rita mutante de outrora, se aproxima mais da rebeldia gratuita – não a toa, como nos lembra o texto “a celeuma se aproximou temerariamente do caos”. E, convenhamos, só não acabou no caos generalizado porque a polícia agiu mega corretamente e esperou o fim do show para a intimação e todo o resto dos desdobramentos.

    Comentário por Ana Carolina Lima Santos [Outra Carol] — janeiro 31, 2012 @ 7:30 am

  8. Falou bonito, mas não disse NADA. Só concordo com uma coisa, a de que essa postura “sou rock n’ roll e posso tudo” está mais do que enfadonha. Hoje em dia quem é digno de alcunha de “lenda do rock” mantém o respeito pelo público e por todos que organizam o evento do qual eles participam. Admiro Rita Lee, estava lá com minha filha, que apesar de pré-adolescente tbm é fã, e o que eu vi foi uma total falta de bom senso por parte de uma cantora que deveria acordar do seu complexo de ditadura. Como assim tratar o uso de drogas como um assunto associado à alegria? Quem quiser que seja usuário e eu não tenho nada a ver com isso (ainda que tenha porque o consumo das drogas influencia o tráfico e isso acaba causando problemas para mim como cidadã e mãe). Agora pegar o microfone e desfazer do trabalho de policiais, pedir um baseadinho para fumar, usar palavras de baixo calão e coordenar uma salva de vaias para homens que nem com seus cacetetes conseguiriam conter uma multidão de 20 mil pessoas enfurecidas, me poupe. Temi por minha segurança e pela da minha família neste momento. Rapazes começaram a ficar exaltados e a xingar os policiais (eu estava perto do palco!! ninguém me contou!). Revestiam-se de um poder que estava sendo dado por uma inconsequente. Não fui para um comício. Não levei minha filha para defender a causa da droga. Saí da minha casa para curtir um show de música (e não só o dela, apesar de ela dizer “esse show é meu”, ali tinham pessoas que foram ver e ouvir outras atrações) e a brisa gostosa da Atalaia Nova. Fui ouvir a bela voz de Rita Lee embalando sucessos que tanto já me emocionaram. E o que eu vi foi uma artista paranoica desrespeitar não só os policiais, mas quem não DEFENDE DE MANEIRA ALGUMA que droga é normal.
    É muita hipocrisia o discurso de que os jovens que estavam sendo revistados pela polícia não estavam fazendo nada. Sim, estavam fumando maconha. E nesse país a droga ainda é proibida. Crime, portanto. A legalização é outra discussão. E droga financia o tráfico. O tráfico gera violência. E essa, mais do que o baculejo, chega pra qualquer um: aquele que tem ou não a culpa escondida no bolso.
    Nao sou funcionária pública. Sou micro empresária, não tenho prestigio de ir a camarotes, mas aplaudo quem nesse caso agiu com bom senso. O problema de vocês, rebeldes por uma causa que mata, é que a culpa está sempre do outro lado, e para isso citam Fernando Pessoa ou qualquer outro que façam vocês se sentirem 1mm perto de um Hemingway. Não vão. Os tempos são outros. O que antes era sinal de rebeldia, hoje é esquizofrenia, velha roupa colorida desbotada de quem não viveu a repressão de fato e vem com discursinho revolucionário. Discurso de quem é valente atrás de uma tela de computador, mas não sai de casa pra defender suas causas, a não ser que seja bem sentado em uma mesa de bar, com a pseudo sensação de que faz e acontece. Precisamos de ordem, sim, porque o progresso não se faz promovendo o caos despolitizado. Quero um mundo melhor para os meus filhos. Nesse mundo, claro, a polícia não deve ser truculenta, mas os artistas também não estão acima das leis. A quem vai servir a carapuça?

    You tell me it’s the institution
    Well, you know
    You’d better free your mind instead. (The Beatles)

    Comentário por Bia Peixoto — janeiro 31, 2012 @ 1:58 pm

  9. Concordo com a Bia, belo texto. Eu estava lá com os pés na areia e lamento o q vi. como a rita lee, vivi revolução dos anos 70, e o que era defendido era a PAZ e o AMOR, principios q ela não demonstrou em momento algum no seu discurso. triste fim de uma cantora que ensina aos seus fãs mais jovens a intolerância. Vocês são novos e vão aprender com o tempo a defender o bom senso e ponderar as paixões. Vânia

    Comentário por Vânia Silva — janeiro 31, 2012 @ 2:30 pm

  10. POR QUE O MEU COMENTÁRIO FOI APAGADO? ESTE É UM BLOG QUE REPRIME A LIBERDADE DE EXPRESSÃO? É APENAS UM ESPAÇO PARA UMA ÚNICA VISÃO? AINDA BEM QUE SALVEI O QUE ESCREVI. IREI DIVULGAR PARA OS MEUS AMIGOS.

    Cheguei a esse texto através de um amigo, mas deixo de acessar esse blog “como as meninas que fogem de casa, (com) a mala pesada de ilusões”.

    Comentário por Bia Peixoto — janeiro 31, 2012 @ 2:35 pm

  11. Parece que tá tudo errado. O nosso governador quer processa Rita, mas quem vai processar a policia? E quanto ao Pré-caju e sua relação com o dinheiro público, como fica? Nosso governador esqueceu a origem de esquerda que tando nos orgulhou um dia? Eu as vezes me perco perdido, iludido e desamparado mas ai me lembro dos Rians Santos e tantos outros companheiros e isso me dá um alívio muito grande. Sei que a cada dia que passa estamos nos tornando maioria. Viva a era da tecnologia da informação, viva a internet, viva a liberdade de expressão, viva a liberdade de escolha.

    Comentário por Rick Maia — janeiro 31, 2012 @ 3:34 pm

  12. Caro Rian, não vim aqui discordar de você, a quem muito admiro, mas:

    1) Se você está mesmo preocupado que a platéia tá levando porrada (como disse ela noTwitter e o marido no Facebook), existem várias formas de protestar. Em um show que estão presentes uma senadora “darling”, o governador, o prefeito e mais uma porrada de otoridade, não tinha uma forma melhor do que chamar PM de cavalo, cachorro e ainda mandar fumar um baseado? Tá errado ser levada à delegacia? Porque, se é crime?

    2) Artista tem mania de parar show para dar xilique por N razões (Quase nunca sérias). Não era mais simples falar “Olha governador, se sua polícia não parar de dar porrada no povo eu vou embora”? Deixava todos políticos com cara de bundão, sem direito à resposta.

    Comentário por Marcelo Larrosa — janeiro 31, 2012 @ 3:35 pm

  13. DETESTO A POLÍCIA DE ARACAJÚ

    Comentário por Marcio — janeiro 31, 2012 @ 3:45 pm

  14. EM SERGIPE REINA A MORAL DO TABARÉU, TIPO ASSIM ELES ASSISTEM TELEVISÃO E QUEREM PAGAR PAU PARA TUDO O QUE VEM DO SUL, NESTE CASO COMO “SUL” SE INCLUI A BAHIA, SÓ QUE ELES FORAM CRIADOS SOBRE OUTRA MORAL QUE É A MORAL TABARÉU, OU SEJA, ANTES DE EXISTIR INTERNET E PASSAGENS AÉREAS ELES VIVIAM COMPLETAMENTE ISOLADOS DO RESTO DO MUNDO SIMPLESMENTE PORQUE, POR PURO RACISMO CULTURAL, NÃO QUERIAM SE MISTURAR COM BAHIA E NEM COM PERNAMBUCO E ENTÃO DESENVOLVERAM UMA MORAL PRÓPRIA BASEADA NA CULTURA BRANCA RACISTA IMIGRANTE (JUDEUS E IBÉRICOS EM SUA MAIORIA, MAS TAMBÉM TEM ITALIANOS E ALGUM RESCALDO DE HOLANDESES DESERTORES DO SISTEMA COLONIAL DE PERNAMBUCO EM VÁRIOS MOMENTOS) E OBVIAMENTE HERDARAM TAMBÉM O QUE HAVIA DE PÉSSIMO NO SISTEMA PRODUTIVO BRASILEIRO, OU SEJA, ESCRAVIDÃO, MONOCULTURA, LATIFÚNDIO (SE BEM QUE QUALQUER PROPRIEDADE É LATIFÚNDIO NUM ESTADO QUE É MENOR DO QUE O MARACANÃ). ISSO EM MOMENTOS COMO ESSE, QUE DEVERIA SER UM MARCO NA HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA COMO UM TODO CAUSA ESSA CONFUSÃO MENTAL NELES POIS NO ENTANTO SE ESFORCEM PARA ATINGIR UM NÍVEL QUE POSSA COMPREENDER A CULTURA BRASILEIRA, NÃO CONSEGUEM PORQUE SEU ATRASO É ESTRIDENTE. UM OUTRO BOM EXEMPLO DISSO É COMO SERGIPE SE APROVEITA DA INDÚSTRIA BAIANA DO AXÉ E DO CARNAVAL, OU SEJA, ALGO LHES IMPEDE DE TER UMA CULTURA PRÓPRIA DE CARNAVAL E ELES PRECISAM PAGAR PAU PARA O AXÉ BAIANO. EU CONHEÇO ARTISTAS SERGIPANOS E SEI QUE ELES MELHORARAM MUITO PRINCIPALMENTE DEPOIS DA INTERNET, MAS SE EU PERGUNTAR AQUI NINGUÉM SABE RESPONDER UM SEQUER…

    Comentário por Marcio — janeiro 31, 2012 @ 4:02 pm

  15. Antes que me chamem de demasiado destro, atenção: meu voto é pela civilidade, utópica cordialidade policial e, numa cena com tal arquitetura, vista grossa em relação ao fumo. Penso que numa festa como essa, com tal público, a polícia deveria se incomodar com o que realmente incomoda: brigas, roubos e furtos. No mais, se já ta comprado, deixa queimar. Contudo…
    Não aprovo, em absoluto, ofender a instituição Polícia Militar indiscriminadamente. Ela, RL, deveria, se estivesse de plenos poderes sobre seu juízo, especificar que “cavalos filhos da puta” eram aqueles soldados – e somente aqueles – que se valiam do abuso de autoridade na ocasião, não “a polícia militar”.
    Se rebelar contra a Polícia entoando titãs e vestindo Che so demonstra carência de leitura e, sobretudo, vivência zero. Ali, debaixo daquela farda, tem muito batalhador que entrou na PM pra sobreviver, arriscando o próprio couro e ainda seguindo suas atribuições à risca (nem menos, nem mais) pra garantir a tranquilidade de todos, inclusive da Rita. Cada um que se julga uma pessoa integra deveria se manter integro no exercício de se imaginar fardado a serviço, trabalhando fazendo TÃO SOMENTE o que a lei manda, e de repente ser chamado, na frente de milhares de pessoas, de cavalo e filha da puta por uma artista de microfone em punho que não só o faz como também comove toda a platéia em seu desfavor. Conseguem perceber?
    A Lee, vestida da mais nobre intenção, escorregou e caiu numa bacia vermelha repleta de clichês.
    Lamentável.

    Comentário por Genes — janeiro 31, 2012 @ 4:11 pm

  16. O MEU SANGUE É SERGIPANO CARA E CULTURALMENTE EU VEJO QUE ESTAMOS TODOS NO BRASIL NA MESMA BARCA FURADA E É POR ISSO QUE ESTAMOS SENDO MASSACRADOS ÉTICA, MORAL E FISICAMENTE TODOS OS DIAS… É POR ISSO QUE ESTAMOS CHEGANDO AOS NÍVEIS MAIS ABSURDOS DE CORRUPÇÃO DA CONDUTA E DE VIOLÊNCIA ENTRE OS IGUAIS, INTOLERÂNCIA, TOTAL DESUNIÃO ENTRE OS QUE POSSUEM INTERESSE COMUM

    Comentário por Marcio — janeiro 31, 2012 @ 4:18 pm

  17. Alguém avise a Bia Peixoto que o wordpress tem lá as suas veleidades… Aqui, só não vale xingar mamãe (que nem queria um filho jornalista, coitada). De resto, fiquem à vontade! 😉

    Comentário por spleencharutos — janeiro 31, 2012 @ 4:51 pm

  18. Salve Rita Lee,Salve! Ambos erraram! Mas ela pediu com educação da primeira vez,na paz,na boa…eu estava do lado direito do palco,lá na frente, e vi como a policia chegou nas pessoas com aquele jeitinho meigo de ser…sem necessidade!Daí descambou tudo..lamentavél! Chega de hipocrisia em Aracaju!Nêgo tá aí enchendo a cara de cachaça,matando gente adoidado com seus carros velozes e furiosos e ninguém faz esse estardalhaço todo.Ah! E de certo esses policiais foram os 400 que não foram trabalhar no pré-caju e tiveram que mostrar serviço ao estado, porque o que apareceu de policial lá depois do show…meu deus! Pareciam urubú na carniça..

    Comentário por Isa — janeiro 31, 2012 @ 5:39 pm

  19. Não estava na frente do palco, mas foi no mínimo estanho haver tanto policial lá perto. Isso nunca ocorreu em qualquer outro show em todos os anos. Aparentemente, queriam aparecer e afrontar a cantora, deixando o resto da festa sem segurança, o que, de fato, não parecia que era a prioridade naquele momento.

    SE a polícia de fato agiu com truculência, Rita agiu muito bem. Não sou artista, mas não imagino em um palco à vontade enquanto meu público apanha. Se o banana do Chiclete não faz isso, isso é problema da consciência dele.

    Quanto ao comentário de BIA, apenas lembre que o que financia o tráfico não é a droga, mas a proibição da droga. Quando você é contra a legalização, você está assegurando o emprego de fernandinho beira-mar e aumentando em muito as chances de levar uma bala perdida na testa, comprada com o dinheiro do tráfico. Não adianta dizer que não tem nada contra maconha, mas que é crime. Se você não considera uma atitude lesiva, não há razão para defender a intervenção policial sobre ela. Esse discurso só faz multiplicar a quantidade de casos como os que aconteceram no sábado, criando um desgaste desnecessário entre o poder público e a sociedade, além de legitimar corriqueiras agressões injustas cometidas pela polícia.

    E só pra lembrar, não custa nada lembrar da ditadura, não. Nenhum país esquece e, inclusive, só aqui no Brasil, os bandidos ficaram impunes. Talvez mesmo por isso continuem repetindo os métodos violentos tão à vontade.

    Comentário por vitor — janeiro 31, 2012 @ 7:24 pm

  20. Marcelo Larrosa disse o que queria e não consegui elaborar no post anterior. Existem várias formas de protestar, sim; e a maioria das formas de protestos à moda antiga (como xingar todo mundo e todo mundo achar bonito) já estão caducos. Saindo do âmbito do artistico para um que conheço melhor – o sistema público de ensino superior – queria pedir licença pra relatar alguns causos.

    Em minha experiência em universidade pública, já dei aula de teoria da imagem (em que não ter um computador e um projetor é algo inadmissível) usando só saliva, porque sequer giz para escrever no quadro negro tinha. Já improvisei, em outro caso, de levar livros com as imagens ou fotos recortadas de jornais que os alunos precisavam circular entre eles olhando só rapidinho para poder ceder para o colega a tempo de todo mundo conseguir vè-las (quando o certo seria dispor de todo o meu tempo de fala para a visualização dos detalhes de tudo que eu estava expondo, daí a necessidade da projeção). Foi uma aula capenga, mas pelo menos fiz o melhor que estava ao meu alcance naquele instante. Afinal, ao entrar numa instituição pública, consciente das limitações dela, eu não abri e nem podia abrir mão da minha missão de educadora. Do contrário, preferia desistir do emprego.

    Aí alguém responde: por que não faz greve, ué? A greve nos moldes que já era realizada em 1900 e bolinha (cruza os braços e pronto), como mecanismo de protesto, na minha opinião, cai no mesmo problema de dizer palavras afrontosas tendo a visibilidade que a Rita Lee tem: não adianta pra (quase) nada. Outro dia estava lendo sobre uma greve (não me recordo onde) em que os professores quase todos não pararam de ir diariamente à universidade, mas não para dar as aulas do currículo padrão e, sim, para dar palestras sobre a situação do ensino público, além de temas como democracia, direitos políticos, cidadania, educação moral e cívica etc etc etc – e os alunos iam junto, compraram mesmo a idéia. Aí, sim, me parece uma iniciativa interessante: ao mesmo tempo em que pressiona as autoridades a tomarem alguma providência (já que as aulas propriamente ditas estavam paradas, acarretando todos aqueles prejuízos que sabemos bem), mas não se deixa de fazer o trabalho de formiguinha de EDUCAR e, a longo prazo, fazer sair dali saiam cidadãos que vão ser consciente em seja lá que profissão exercerem. São esses tipos de manifestação – criativas!!! – que, ao meu ver, fazem muito mais efeito.

    [Ok, sai um pouco do assunto, mas continuo na esfera do: “esticar os olhos por cima de nossas cabeças, desafiar hábito e lei, para açoitar o rabo preso do progresso. Com violência, ternura, raiva ou afeto”].

    Comentário por Ana Carolina Lima Santos [Outra Carol] — janeiro 31, 2012 @ 7:24 pm

  21. Esse menino, esse Rian, está se tornando um especialista em me emocionar…

    Comentário por polayne — janeiro 31, 2012 @ 9:35 pm

  22. adorei a discussão, li a maioria dos comentarios e acho que voces dariam bons blogueiros , haha

    acho que ja disseram tudo, a rita estava certa, mas escorregou na casca de banana, se precipitou
    mas mesmo assim, acho que nao dava o direito de prenderem ela né
    enfim, sou team rita lee, shaushasa

    Comentário por Felipe Melo — fevereiro 2, 2012 @ 6:39 am


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