Spleen e charutos

agosto 16, 2011

Uma bandeira fincada no calendário sergipano

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 10:49 am

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O que você é capaz de realizar em apenas três minutos? Nesse meio tempo, há quem consiga contar uma história inteira. Começo, meio e fim organizados em planos e sequências para animar o visor do seu celular. Como os próprios organizadores do Festival Sergipano de Micrometragens fazem questão de ressaltar, a proposta do Tr3s Minutos é incentivar a utilização de novas tecnologias de informação, tendo em vista o fomento e a democratização da produção cultural sergipana. Segundo Marcus Mota, idealizador do festival, a realização do Tr3s Minutos é apenas a ponta do iceberg, uma bandeira fincada no descampado da reflexão. “Queremos inserir o audiovisual no calendário do estado de forma perene, com mostras, cineclubes e produção – que é o mais importante”.

A abertura oficial do festival ocorre esta quarta-feira, e a programação completa pode ser conferida na página http://tresminutos.org/

Jornal do Dia – Você acredita que é possível realizar um diagnóstico a respeito do cenário audiovisual a partir dos trabalhos inscritos no Festival? E as oficinas, revelaram boas surpresas?

Marcus Mota – A principal lição do 1° Festival Sergipano de Micrometragens é que existe demanda, ou seja, com poucos recursos e algumas noções de cinema é possível criar uma atmosfera interessante para o audiovisual desse estado. Dos 97 vídeos inscritos, 55 foram daqui. Dos 10 finalistas, 5 são sergipanos. São números consideráveis. Posso dizer ainda que a etapa mais importante do Festival são as oficinas. Digo isso porque o fomento à produção é um dos pilares para a construção de um pólo cinematográfico em Sergipe. Os estudantes do IFS no interior apreenderam nossas dicas muito bem e produziram vídeos muito interessantes. É possível perceber o que povoa o imaginário da juventude do campo através desses vídeos.

JD – Me parece que o principal desafio do festival esteja relacionada à própria continuidade. Como vocês esperam se firmar no calendário cultural da cidade?

Mota – Pretendemos nos firmar no calendário estadual. A ideia é visitar cada vez mais cidades e de fato se tornar um Festival Sergipano, ou seja, construído com os diversos olhares desse povo. Importante frisar o fato de que queimamos pestanas pensando no que deixar nas cidades que visitamos, que tipo de fagulha poderia incendiar as mentes para continuarem produzindo e exibindo suas estórias/histórias. É isso o que nos motiva.

JD – Na maioria das vezes, apostas na cultura se revelam temerárias. Como vocês conseguiram viabilizar a realização do festival? Os gestores públicos chegaram juntos?

Mota – Com uma ideia na cabeça e um projeto embaixo dos braços visitamos gestores públicos e empresários. Os grandes parceiros de primeira hora foram o Instituto Federal de Sergipe e o SESC. O festival é uma iniciativa independente, guardada na minha cabeça há dois anos, mas que hoje conta com a força criativa de 10 estudantes universitários. São eles os responsáveis pelos mais de 15 mil acessos no nosso site, por exemplo. A secretaria de cultura do estado se colocou à disposição nos limites de seu orçamento, entretanto, esse festival caminha na direção de tentar descobrir maneiras alternativas de se financiar. Um trabalho pesado na internet, principalmente nas redes sociais é o grande atrativo para quem quer apostar no tr3s.minutos.

JD – Imagino que o número de inscritos no festival tenha lhe surpreendido. Isso revelaria uma demanda reprimida?

Mota – Justamente. Em Sergipe quem se dedica à arte cinematográfica é um guerreiro. Tem muita gente que engavetou projetos porque esbarrou na falta de grana pra levar adiante. Outros não têm acesso sequer a uma câmera legal pra sair filmando e o Estado tem sua parcela de culpa nesse fato. Os editais estão chegando, mas sem previsão de se tornaram perenes. Boa parte do orçamento vai para festas, na maioria das vezes com pagamento de ingressos. Nesse momento o tr3s.minutos cumpre um papel fundamental de tentar dar visibilidade para quem quer produzir. Afinal, é pra isso que festivais existem.

JD – O que o público pode esperar do Tr3s Minutos? E a expectativa dos organizadores?

Mota – Esperamos sinceramente que o público entenda que o festival é apenas a ponta do iceberg. Que estamos querendo discutir e criar. Nossa expectativa é que as atividades aconteçam no horário e que o público apareça. Só isso. Para mim, enquanto idealizador, eu quero mesmo é ver pessoas dispostas a pensar alternativas, a querer sempre mais.

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