Spleen e charutos

julho 4, 2011

Os paulistas não perdem por esperar

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 7:37 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Se essa banda, se essa banda fosse minha...*

Noite de sábado, vocês sabem como é. Depois de uma semana inteira se coçando, os ponteiros do relógio pesando sobre as costas, o corpo pede arrego. Aos sábados, todos têm direito à loucura. Se a doideira for embalada por música boa, melhor ainda. Deus perdoa, os ouvidos agradecem e a ressaca domingueira, mais pontual do que a missa da vovozinha, fica justificada. Esse fim de semana, Patrícia Polayne se apresentou no Capitão Cook. Quando o show acabou, as primeiras horas do domingo e um perfume de Sagatiba impregnavam minha camisa.

A poesia da moça arrastou uma galera bonita pro último refúgio da musica autoral produzida na terrinha. Um público diverso, que ia de malucos de baixa estirpe, como esse que vos escreve, a um pessoal menos ansioso, maduro e educado como espero nunca chegar a ser. Tinha tanta gente diferente espremida entre aquelas quatro paredes que o aplauso se impunha como desafio. A dificuldade e algum desconforto não impediram, contudo, que a execução de cada uma das canções fosse pontuada pela explosão de uma satisfação espontânea, que ignora os preceitos das respostas adequadas para obedecer às contrações do coração.

E o meu coração batia mais alto do que o bumbo de Dudu Prudente. À banda que não cansa nunca de nos surpreender – Allen Alencar (guitarra), Pedro Yuri (violas), Fabio Snoozer (baixo) e o já citado Dudu Prudente (bateria) – foi acrescentada a sensibilidade percussiva de Pedrinho Mendonça. Que pandeiro é aquele! A formação já havia sido improvisada durante o Ten Samba, festival espanhol que tem o bom gosto de oferecer a nata da música brasileira à apreciação do velho mundo, e pega a estrada nos próximos dias para esquentar o frio paulista.

Segundo Polayne, existe a intenção de repetir a dose antes da viagem. “Esses shows funcionam como um termômetro pra gente sentir o que devemos tocar pra esquentar o frio de Sumpaulo”, lembra. A julgar pelo que ocorreu no Cook, o peso do mundo inteiro esmagando a minha consciência no outro dia, os paulistas não perdem por esperar. O rabo dos branquelos vai pegar fogo.

Foto: Priscilla Carvalho

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2 Comentários »

  1. Pois é, Rian, o show foi muito bom…interação total do público e Polayne numa noite cheia de “Graça”, muito bem acompanhada pelo quinteto.
    Não tenho dúvida de que o público que estiver no Itaú Cultural, no mês que vem, a fim de conferir a cantora, vai querer que ele faça uma temporada nas casas de show da Augusta.
    Abçs

    Suyene Correia

    Comentário por Suyene — julho 5, 2011 @ 12:57 am

  2. Ohhhh, Rian: mensageiro prodígio das mais inteligentes linhas da crítica musical da pequena e pacata city…que menino gostoso de ler!
    Então, Suyene, na verdade, vamos fazer sim, outro na AUgusta, templo da boa loucura paulistana.
    Será no Studio SP, Projeto Cedo & Sentado, dia 31 de agosto.
    O Rumos MUsicais, Itaú CUltural, dia 20 de agosto.
    Que bom seria levar a Caravana do Amor comigo!

    Comentário por patricia polayne — julho 5, 2011 @ 3:27 pm


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