Spleen e charutos

abril 29, 2011

Uma banda necessária para a cena local

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 8:29 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Indies até o último fio de cabeloNão me peçam pra justificar o intervalo. Lançado o ano passado, o single Retour dava mole na rede há uma cara. No entanto, foi somente conversando com o vocalista e violeiro Pedro Yuri, outro dia, que descolei o link pra baixar o trabalho da Elisa. O pedido constrangido foi atendido de imediato. Os caras querem mais é fazer a música circular e saúdam os dispostos a acolher o punhado de canções registradas no EP Quarto dos Fantasmas com toda a atenção do mundo. Para tanto, além de agendar uma série de apresentações nos próximos meses, fazem questão de facilitar a disseminação dos discos. Os meninos são espertos, está pensando o quê?

Explica-se. Depois de tanto tempo, as premissas que orientam a atividade de qualquer jornalista deveriam ser ignoradas de todo por esse escriba. Mas é preciso explicar que o lançamento mais recente da Elisa, embora sirva de gancho e pretexto para essas mal traçadas, não acrescenta muito ao repertório dos caras. Além de jogar um verniz sobre a composição que batiza o single, o disquinho traz a faixa “Dia Chuvoso”, e as novidades param por aí.

O EP lançado antes é digno de mais interesse. Os caras são indies até o último fio de cabelo. Ao contrário do que o rótulo poderia nos induzir a supor, entretanto, também são muito competentes. Melodias e texturas empolgantes, da primeira à última faixa; refrões matadores e uma dose generosa de uma poesia melancólica fazem da Elisa uma banda necessária, embora aparentemente descartável, dentro da cena local.

Além da certeira “Retour”, canção mais conhecida da banda, que ganhou clipe produzido pela Aperipê e o escambau, merecem menção “Os sete pilares” e a singela “Meus amigos”.

O final do EP reserva ainda uma surpresa de rasgar o coração. Paixão alimentada por dez entre dez moderninhos, o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças dá o ar da graça num diálogo sentido e emblemático, que sublinha as intenções das composições e empresta certa sofisticação ao conjunto de 08 faixas que compõem O Quarto dos Fantasmas.

Sem guitarras para abrir sucos e cavidades nas paredes de nossa memória afetiva, a Elisa dá conta do recado lançando mão de muita sensibilidade e inspiração.

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