Spleen e charutos

abril 27, 2011

Aeromoças e Tenistas Russas deixa saudades

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 3:35 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

ATR – pop rock progressivo, pra ninguém botar defeito

Dois shows foram suficientes para despertar a curiosidade da galera. Os paulistas da banda Aeromoças e Tenistas Russas chegaram sem muito alarde e, sem mais nem menos, ancorados no apelo pop de um trabalho repleto de referências, plantaram a semente da saudade que somente um repertório tão inspirado é capaz de fazer vingar.

Jornal do Dia – Eu não conheço São Carlos, mas imagino uma cidade de porte mediano, como Aracaju. Apesar de nossa experiência desaconselhar o envolvimento profissional com música, tem muita gente boa ignorando os perrengues inerentes a uma cidade distante dos principais eixos culturais do país para tocar projetos interessantes aqui na terrinha. O mesmo pode ser dito do interior paulista?

Gustavo Palma – São Carlos é, na verdade, uma cidade pequena, com 200 mil habitantes. Porém, existe um catalizador importantíssimo da cena musical na cidade que é o público universitário (a cidade é sede de duas grandes universidades que trazem uma população estudantil considerável). Começaram a surgir de dentro da universidade muitos movimentos que incitam a produção extensa e pluralizada da cena musical independente, procurando diversificar as atrações que passam pela cidade, com bandas de fora do estado e até mesmo do país.

Outro elemento importante é o apoio da Prefeitura de São Carlos em eventos culturais, ajudando a consolidar uma cena que produz desde simples noites com bandas autorais a festivais multimidiáticos com duração de vários dias.

Em São Carlos, como em qualquer outra cidade, o trabalho tem que ser completo, passando pelos níveis de produção, formação e fruição dessa música independente.
Num âmbito maior, é importante frisar que a cena cultural da cidade vem sendo pautada e trabalhada ferozmente já há algum tempo, com destaque para frentes de atuação como o Cinema, a Rádio, a TV e o Teatro.

JD – Em diversos posts publicados no blog da banda, a ATR ressalta a importância do Circuito Fora do Eixo no apoio à música independente brasileira. No caso específico de vocês, o que a organização coletiva propiciou, em termos práticos?

Palma – Deixando um pouco de lado o quesito produtivo, a própria maneira como nossas músicas são compostas refletem demais essa organização coletiva, no sentido de prezarmos muito pelo equilíbrio entre o que as 5 pessoas produzem musicalmente em cada faixa.

Mais que isso, esse tipo de organização estimula que todos os integrantes se entreguem de maneira igual ao projeto, e da melhor maneira possível, pois sentimos que o projeto é realmente de todos e de cada um.

Falando de produção, a maneira como a gente divide as demandas (como por exemplo o planejamento, a comunicação, a distribuição, a produção de conteúdo), apesar de culminar em certa setorização, nos permite pensar em conjunto, através do intenso contato cotidiano que viver em um coletivo nos proporciona.

JD – Eu costumo torcer o nariz para as bandas que se limitam aos covers. A banda de vocês começou executando músicas alheias para depois investir em um trabalho autoral. Isso significa que vocês comungam de minha antipatia, ou o amadurecimento da banda ocorreu de maneira natural?

Palma – Nossa idéia desde o começo foi a de trabalhar com músicas autorais. Num primeiro momento, o que aconteceu foi a oportunidade de fazermos uma apresentação antes de termos um repertório autoral fechado e responsável.

Mais que isso, o convívio intenso propiciado pela faculdade, sendo 4 integrantes alunos da mesma sala, possibilitou uma extrema troca de referências musicais entre nós. A partir disso começamos a selecionar algumas dessas músicas e tocá-las nos ensaios, tanto para preencher repertório (que já contava com algumas faixas autorais) como para desenvolver um estilo para a banda.

Como a vontade de tocar era muito grande, começamos a fazer as apresentações e, na medida em que compúnhamos novas músicas, as colocávamos no lugar dos covers.

JD – Trabalhar com música instrumental dificultou a vida da banda, em algum momento? O apelo pop das composições foi pensado para diminuir a distância com o público ou floresceu de maneira espontânea?

Palma – Na verdade o fato de ser instrumental mais ajudou do que dificultou. No começo a banda tinha vocal: Thiago Hard, guitarrista e saxofonista, também cantava. Porém, fomos percebendo ao longo do tempo que não tínhamos com as palavras o mesmo dinamismo de produção que com a base instrumental. Mais do que isso, as composições começaram a tomar formas instrumentais, preenchendo a voz com outros elementos e fazendo-a ficar descartável. Paralelamente, o destaque que a música instrumental vinha alcançando, refletido inclusive em referências importantíssimas para nós como Macaco Bong e Pata de Elefante, e o surgimento de relevantes festivais instrumentais como o PIB – Produto Instrumental Bruto, contribuiram para que decidíssemos fechar um repertório 100% instrumental.

Em relação ao apelo pop, todos nós gostamos e ouvimos muita musica pop durante toda a vida. É algo que está presente desde as primeiras composições da banda. Costumamos brincar afirmando que nosso som é um pop rock progressivo.

JD – Como a galera que curtiu os shows realizados aqui na cidade pode continuar mantendo o contato com a banda? Já existe algum registro do trabalho de vocês, ou pelo menos algum plano sentido?

Palma – Nós temos uma Demo que é uma compilação de tudo o que gravamos em diversos estúdios desde o surgimento da banda. Por causa das demandas de circulação, resolvemos investir numa embalagem e colocar alguns desses CDs pra circular.
Agora estamos em processo de finalização do nosso primeiro CD, que está previsto para julho deste ano.

Essas músicas podem ser conferidas também no nosso myspace: http://www.myspace.com/aeromocasetenistasrussas, ou baixadas em http://mostre.me/demoatr

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