Spleen e charutos

março 24, 2011

Patrícia Polayne, muito além do circo

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 8:05 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Demorou uma eternidade. Desde que a cantora Patrícia Polayne lançou o primeiro disco, no entanto, seu repertório vem sendo renovado a cada aparição. Seja lançando mão de canções alheias, de inspiração tão estranha ao seu universo que chegam a causar surpresa (como ocorreu no encerramento da etapa local do Festival da Arpub, quando interpretou as babinhas de Fábio Jr no Teatro Lourival Baptista), seja experimentando canções novas, como deve ocorrer este fim de semana, no Capitão Cook, a cantora vem contrariando a expectativa tentadora de se acomodar sobre o conforto dos travesseiros para desfrutar os aplausos já recebidos.

Não está escrito em lugar nenhum, mas o principal atrativo do show “Circo e outros sons”, por exemplo, são as canções do curta-metragem Xandrilá, cuja trilha sonora leva a assinatura de Polayne e já começou a circular por baixo dos panos, se multiplicando feito um Gremlim nos descampados virtuais. São apenas três canções, mas vale a pena encarar o mau humor argentino do proprietário do Cook, a cerveja cara, improvisada no isopor, para conferir o que Polayne anda aprontando.

As canções de Xandrilá seguem a linha da safra mais recente da compositora consagrada com Camará, que precisou se livrar do peso de tantas conquistas para não sufocar a própria inspiração. Foi se livrando de tudo, absorvendo tendências, que Patrícia emprestou o frescor necessário a suas canções do exílio.

A banda de Polayne é digna da atenção de qualquer ouvido mais ou menos educado. Além do veterano Fabinho Oliveira, cria do underground local, os músicos Dudu Prudente (bateria e percussão), Allen Alencar (guitarra) e Pedro Yuri (violão, craviola e efeitos) encarnam a garantia de porções generosas e bem dosadas de energia e inteligência, elementos indispensáveis a qualquer apresentação.

Em poucas palavras, o show de Polayne é certeza de satisfação.

O circo – Lançado em 2009, o seu primeiro álbum “Circo Singular” foi produzido com recursos do Prêmio Produção Pixinguinha da Funarte, com produção de Junior Areia, baixista do Mundo Livre S/A, e participação especial de Roberto Menescal. Desde o seu lançamento, Patricia Polayne vem conquistando notoriedade nacional por este trabalho. Em dezembro de 2009, foi selecionada para realizar dois shows no Conexão Vivo Circuito Off da Feira Música Brasil, em Recife, Pernambuco.

Em 2010, se apresentou em Belo Horizonte também pelo projeto Conexão Vivo e realizou dois shows em Salvador: um dentro da programação do Pelourinho Cultural, e outro a convite da produtora Lícia Fábio. Neste mesmo ano, Polayne também aportou na capital paulistana para apresentações no Clube Berlim e, a convite do Itaú Cultural, realizou um show em homenagem a Dolores Duran, no espaço cultural do banco.

O movimento que Patrícia Polayne está produzindo representa muito bem sua geração e os novos rumos da música sergipana, com linguagem própria, maturidade e qualidade artística para ser bem recebida e redimensionada no mercado brasileiro.

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