Spleen e charutos

março 1, 2011

NaurÊa tarja preta no Rasgadinho

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 5:07 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Soltos na buraqueira*

A naurÊa é a banda mais fuleira de Aracaju. Quem improvisou uma fantasia para pular atrás do bloco “Antes cedo do que nunca”, na última segunda-feira, pode ter se decepcionado com a ausência do cortejo pelas ruas centrais da cidade. Do espírito carnavalesco dos músicos, entretanto, ninguém tem sequer uma vírgula pra falar.

Explica-se. Há exatos três anos, quando a natureza popular do carnaval obrigou o poder público a apoiar a bagunça promovida pelos blocos de rua de Aracaju, o pessoal da Rua da Cultura vislumbrou a oportunidade de apresentar a brincadeira solta na buraqueira, sem o apartheid das cordas que sectarizam a folia na prévia do empresário Fabiano Oliveira, à juventude que freqüenta as apresentações semanais do projeto. Como festa e naurÊa são verdadeiros sinônimos, a banda sempre assume a responsabilidade de improvisar versões tarja preta de marchinhas tradicionais, além de executar versões escrachadas do próprio repertório. Tudo sob as bênçãos de sua alteza, Momo, o Rei do Carnaval.

Há quem se assuste. Quem esteve na Rua da Cultura, no início da semana, pode ter percebido a repugnância de meia dúzia de feministas enrustidas. A maior parte da galera, no entanto, era um pouquinho mais inteligente e tratou de extravasar a felicidade de estar vivo, gozando as faculdades da carne (com trocadilho, sim senhor), dando risada, bebendo cerveja e abraçando os amigos como se deve fazer sempre que o calendário nos concede a alegria de um feriado.

No palco da Rua da Cultura, os barrigudos liderados por Alex Sant’anna e Márcio de Dona Litinha ganharam o auxílio de trompete e trombone, sem os quais nenhuma bandinha de frevo se sustenta. Entretanto, a grande atração da farra era mesmo o humor vulgar que assassinaria o duplo sentido pra felicidade geral da nação, como ocorre com as anedotas culpadas dos meninos.

O mundo encaretou, mas ainda bem que aqui em Aracaju ainda existe carnaval. Próximo domingo, a naurÊa volta a comandar a folia, dessa vez no Rasgadinho. Alex estava cheio de dedos, se fazendo de boneca pra ganhar retalho, mas tudo indica que a fuleiragem não vai ser censurada. No final da última apresentação, ele perguntou às centenas de pessoas que pulavam na Rua da Cultura se elas queriam um carnaval autêntico ou bem comportado. Como eu já disse, o expressivo público da banda não faz concessões à ditadura dos conceitos politicamente corretos quando se trata de se esbaldar na própria alegria.

Contra caretice e má digestão, tome carnaval que passa.

*Foto: Marcelo Hora e Snapic

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14 Comentários »

  1. E o Ministério da Saúde Adverte: deixa a água rolar!!

    Comentário por Juliana Sobral — março 1, 2011 @ 7:49 pm

  2. Rian, vc eh muito bom com a caneta em punho!

    Comentário por marreta — março 1, 2011 @ 8:29 pm

  3. Ainda sim acho as tradicionais marchinhas de carnaval muito melhores do que a linguagem chula e opressora da banda Naurêa durante sua apresentação na segunda =(

    Mas como dizem… é carnaval… vamos colocar vendas nos olhos e ouvidos… é carnaval! 😀

    Comentário por Camila Cunha — março 1, 2011 @ 10:02 pm

  4. Chula, tudo bem, mas opressora?! Sei não… Não sai de casa, quem tem medo de se molhar.

    Comentário por spleencharutos — março 1, 2011 @ 10:18 pm

  5. acho de mal gosto. O que a Naurêa quer afianal? O falta de personalidade desses rapazes…

    Comentário por julio santos — março 2, 2011 @ 1:09 am

  6. oxe … que porra estes caras querem mesmo>

    Comentário por julio santos — março 2, 2011 @ 1:11 am

  7. parabéns a Lindemberg que sempre manda o pessoal da Rua da Cultura apreciar esta banda. Muito boa só que se apresenta apenas nos eventos da prefeitura… o problema é que não tocam no interior por que a prefeitura não pode mandar os milhares de fãs deles. Não tocam forró, não tocam rock e agora não querem o carnaval. muito pobre esta mentalidade … são dignos de pena… enquanto mangam de todos, o prefeito cai e cai e cai…

    Comentário por sandra — março 2, 2011 @ 1:27 am

  8. rapaz se a gente olhar bem, as marchinhas tradicionais são muito mais opressoras do que as versões “apimentadas” da Naurea. “Olha a cabeleira do zezé, será que ele é? corta o cabelo dele,corta o cabelo dele.” “O teu cabelo não nega, mulata,Porque és mulata na cor,Mas como a COR NÃO PEGA , mulata,Mulata eu quero o teu amor.” Dois simples exemplos de homofobia e racismo nas nossas inocentes marchinhas de carnaval de antigamente. Se a gente procurar tem muito mais. Galera se a pega a essa ideia de tradicional e acha que tudo que é antigo era melhor ou mais inocente.

    Comentário por Rafa Aragao — março 2, 2011 @ 3:50 am

  9. Opressão é sinônimo de bitolação no dicionário carnavalesco.

    Comentário por Fábio Barros — março 2, 2011 @ 6:57 am

  10. O que me impressiona é ver uma galerinha (pelo menos não é uma galeeeera digna do substantivo) tão metida a inteligente cair numa conversa reacionária dessas. Como diz Juliana, no Facebook (vou contratar a guria como advogada), tem gente que não sabe carnavalizar.

    Rafa Aragão lembrou muito bem. A natureza das marchinhas é escrota mesmo! E aí, vamos impor um estatuto de bom comportamento para as bandinhas de frevo também? Tirem com o gancho!

    Outra coisa. Lindemberg não manda ninguém sair de casa pra passar raiva na Rua da Cultura. Vai quem quer, quem acha graça, quem acha bonito. Quem não gostar da programação, pode reunir meia dúzia de desmiolados pra queimar roupa íntima no quintal de casa e debater ao reajuste de leitinho com pêra…

    AINDA BEM que a naurÊa toca na maioria dos eventos públicos do estado. Todo ano, a multidão que fica pulando feito doida embaixo do palco explica porquê. Interessante é que Alceu Valença, que nunca mais lançou trabalho inédito, toca duas vezes por ano na cidade e ninguém questiona isso.

    Por fim, a pergunta que não quer calar. Alguém consegue explicar como as feministas gozam? Com o medo de PORRA que elas têm…

    Comentário por spleencharutos — março 2, 2011 @ 1:45 pm

  11. Eu não gostei da apresentação da Naurêa. Achei de mal gosto e com enfrentamento desnecessário aos nossos carnavalistas. Sempre fui ao show da banda por que acreditava no novo, agora acho que vcs exageram por que sabem, segundo alguns poucos, que estarão presentes nos eventos públicos. Acho que deveriam alçar voôs maiores e deixar esta mesmice de tocar para o governo… quem gosta aqui vai gostar em qualquer lugar do planeta. Também achei uma pena ter me decepcionado com vcs. Não sou feminista irrustida, sou apenas uma pessoa que gosta do que é bom, e por isso quero dar minha contribuição para que vcs melhores e possam fazer música de qualidade…

    Comentário por Márcia — março 2, 2011 @ 2:00 pm

  12. Estou em cólicas de tanta agonia; acabo de ler besteiras em série. Mas o assunto aqui era repertório carnavalesco ou contrato entre Prefeitura e banda? Whatever! Crítica e opinião babaca são coisas bem distintas, galera faceira! Vão carnavalizar em casa que é melhor! Já eu, passo a mão na saca saca saca rolha e bebo até me afogar. 😉

    Rian, pode me chamar que eu vou, eu vou! Mas antes, vamos cair na festa!

    Comentário por Juliana Sobral — março 2, 2011 @ 4:32 pm

  13. Muito legal seu texto. Pena que não pude ir na segunda, mas irei no domingo. Abs.

    Comentário por Kadydja Albuquerque — março 2, 2011 @ 8:05 pm

  14. Mal gosto é convidar pessoas reprimidas e com esse tipo de visão para a festa da NaurÊa.. Mas, como nunca se consegue evitar, domingo estarei lá, no Rasgadinho, rasgando mais que tudo! Ficam meus aplausos para a banda!

    Comentário por Jhon Eldon — março 2, 2011 @ 9:17 pm


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