Spleen e charutos

fevereiro 7, 2011

Uma vaia no Verão Sergipe 2011

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 9:47 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Louvando o que bem merece

Quando uma apresentação musical adquire contornos de manifestação política, alguma coisa está fora da ordem. No último sábado, Patrícia Polayne subiu no palco principal do Verão Sergipe determinada a recompensar o esforço de seu público cativo, que colocou o pé na estrada e gastou a sola dos sapatos, ansioso por algumas horas de diversão. Estranhamente, no entanto, tanta determinação contrariou a organização do Festival que, num gesto de indelicadeza sem precedentes, interrompeu a apresentação da artista e recebeu uma vaia caudalosa – única resposta plausível diante de tamanha grosseria.

Não fosse a presepada, a performance de Polayne e da banda que a acompanhava orientariam a redação dessas linhas. Louvando o que bem merece, é preciso lembrar que, embora não faça parte da velha guarda da música sergipana, a cantora está longe de ser uma menina. Apesar disso, ela não se furtou à vitalidade da novíssima cena musical de nossa terra e convidou Allen Alencar (guitarra), Fabinho Snoozer (baixo), Dudu Prudente (bateria) e Pedro Yuri (violas) para executar as canções do exílio registradas em seu primeiro disco. Os meninos, por sua vez, não se fizeram de rogados e atearam fogo no circo sem nenhuma cerimônia. Quem estava lá viu como foi bonito…

Pelo menos, até o momento em que o show foi interrompido, numa atitude que não desrespeitou apenas uma de nossas maiores cantoras, mas também o público que enfrentou pelo menos uma hora de viagem para garantir um lugar minimamente confortável naquele fim de mundo. Embora o comportamento ainda não tenha sido assimilado pelos gestores de nossa cultura, muita gente atravessou a ponte exclusivamente para ver o show de Patrícia Polayne, como ela mesmo fez questão de lembrar entre uma canção e outra, pouco antes do incidente. Esse escriba, por exemplo, entre milhares de outros.

O buraco é mais embaixo – Independente das explicações fornecidas pela Secult , é importante aproveitar a oportunidade para refletir se o tratamento dispensado aos nossos artistas está à altura do trabalho que eles apresentam. Na opinião de muita gente boa, a resposta é negativa.

Há quem acredite que a Arena Multicultural erguida pela Secult para reverenciar os tambores da aldeia não é mais suficiente para dar conta da exuberância de nossa música. Na opinião de boa parte dos músicos que ali se apresentaram, o espaço é necessário, mas deveria privilegiar experiências novas, que ainda não foram submetidas ao julgamento de um público mais expressivo. O trabalho de bandas como The Baggios e Ferraro Trio, por exemplo, nomes muito conhecidos dentro e fora de nossas fronteiras, as credenciaria para alturas maiores.

Ontem pela manhã, no Twitter da secretária Heloísa Galdino, uma mensagem postada pela jornalista Marivone Vieira causou surpresa entre os mais atentos. Segundo ela, os artistas sergipanos deveriam se conformar com o pouco espaço que lhes é cedido. Numa transcrição literal, suprimidos os erros de ortografia, “Quem faz show de abertura tem que entender que está abrindo para alguém e deve respeitar o tempo estabelecido”.

Causa estranheza que uma jornalista não se atenha ao verdadeiro embate cristalizado pela revolta de Polayne. Mais estranho ainda, contudo, é que uma secretária de cultura ignore o que está em jogo num momento tão delicado e reproduza a afirmação.

A questão que realmente precisa ser discutida diz respeito ao espaço ocupado pelos artistas sergipanos, sem nenhum favor, nos eventos públicos do Estado. O lado bom dessa peleja é que, enquanto alguns acreditam que nossos músicos deveriam ficar satisfeitos em abrir o show de estrelas cansadas, contratadas a peso de ouro, como Lulu Santos, os artistas locais seguem contrariando a maldição do cacique e conquistam um público inteligente e dedicado, cada vez mais abrangente.

*Crédito da foto: Fabiana Costa/Secult

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25 Comentários »

  1. Sou de Maceió-AL, professor de Teatro da Universidade Federal de Alagoas, estava no Sergipe Verão 2011 com uma turma de 30 alagoanos. Fomos a Aracaju a turismo, antes da viagem lemos sobre o Sergipe Verão e na curiosidade de saber mais sobre Patricia Polayne – nome desconhecido pra gente, mas que cantaria no palco principal. Entre mayspace da artista e videos no youtube, nos apaixonamos pela estrela sergipana – DECEPÇÃO, VERGONHOSO O QUE FIZERAM COM ELA, dizem pejorativamente que Alagoas é terra de pistoleiro, ao menos segundo consta o crime de psitolagem é bandido contra bandido, mas o crime contra a ARTE, a uma ESTRELA DA TERRA a uma MULHER, este eu vi estrear e ser praticado pelos organizadores do Sergipe Verão 2011, REPÚDIO!

    Comentário por David Farias — fevereiro 7, 2011 @ 10:32 pm

  2. Pois é, David. Infelizmente as pessoas que fazem eventos públicos aqui acreditam que artista local só serve pra encher as horas de quem espera pelo grande nome da festa.

    Comentário por Deilson Pessoa — fevereiro 7, 2011 @ 10:59 pm

  3. Notem que a Nota do site oficial da Secretaria de Cultura (estranhamente denominado “Divirta-se”) joga a culpa no técnico de palco, Blau, um cara super respeitado pelos músicos locais. Seria de bom tom alguém dar espaço para que ele se defenda, caso ache necessário. Pelo menos até o momento, não vi nenhuma manifestação da parte do mesmo.

    Comentário por Adelvan — fevereiro 8, 2011 @ 1:33 pm

  4. Teu texto me lembrou algo pertinente que Rafael jr. falouu no Facebook: Já tá mais do que na hora de acabar com esta distinção imbecil entre “Atrações nacionais” e “artistas da terr”. É todo mundo artista, são todos atrações do evento, e ponto final. Os palcos alternativos, inclusive, não deveriam ser um espaço para confinamento da trupe local que não teve espaço no palco oficial, e sim para bandas mais novas, não necessariamente daqui, poderiam ser de fora também. As bandas daqui com mais anos de estrada e carreira pra lá de consagrada, como a Plastico Lunar, só pra citar UM exemplo, deveriam tocar no palco principal. Outra coisa: Alguém deveria chamar a atenção dos locutores “oficiais” desses eventos para que eles parassem de babar tanto o ovo das “autoridades”. Não vejo a menor necessidade de se ficar mencionando a todo minuto o nome do governador e da… Secretária de Cultura, a não ser para promoção pessoal, claro. Basta falar que o evento é promovido pelo Governo do Estado via Secretaria da Cultura e um abraço, ponto final. Não sei se a ordem vem de cima, espero que não, mas, a meu ver, pega muito mal e beira o ridículo. Também não sei se isso está acontecendo neste ano no Verão Sergipe, mas nas edições que fui cheguei a ter vergonha alheia pelo rapaz.

    Comentário por Adelvan — fevereiro 8, 2011 @ 2:53 pm

  5. POIS É GENTE, SOU SERGIPANO E GERALMENTE TENHO MUITO ORGULHO DA MINHA TERRA, A POLÍTICA DO NOSSO ESTADO NÃO É MOTIVO PARA NENHUM SERGIPANO QUE TENHA NOÇÕES DE CIDADANIA SE SENTIR ORGULHOSO, O OCORRIDO NO SHOW DA GRANDE ARTISTA PATRÍCIA POLAYNE QUE TEM UMA POSTURA HONRROSA NO QUE SE DIZ RESPEITO À POLÍTICA, NÃO USANDO DE SUA INFLUÊNCIA PERANTE A POPULAÇÃO SERGIPANA PARA FINGIR QUE ESTÁ TUDO BEM COM A CULTURA DO ESTADO, EM TROCA DE FAVORES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS QUE TÊM A OBRIGAÇÃO DE APOIAR O CRESCIMENTO DE ARTISTAS DA TERRA INDEPENDENTE DE APOIOS POLÍTICOS, ESSE FATO MOSTRA COMO AS PESSOAS QUE ESTÃO À FRENTE DO NOSSO ESTADO AGEM NA POLÍTICA, SÃO VINGATIVOS, FALSOS, DESONRROSOS E COVARDES, DEPOIS DA ATITUDE VERGONHOSA QUE TIVERAM COM A NOSSA ADORADA PATRÍCIA AINDA TIVERA A CARA DE PAU DE COLOCAR A CULPA NO ASSISTENTE DE PALCO QUE ESTAVA ALI SOBRE CONTRATO E CUMPRINDO ORDENS, O ASSISTENTE É MAIS CONHECIDO EM ARACAJU COMO “BLABLAU”, SERGIPANO QUE MORA EM SÃO PAULO A MUITO TEMPO E TEM CARREIRA CONSOLIDADA COMO ASSISTENTE DE PALCO E ESTÁ ACOSTUMADO A TRABALHAR COM ARTISTAS CONHECIDOS NACINALMENTE E MUNDIALMENTE COMO O RAPPA, EDI MOTA, ENTRE OUTROS, É MUITO FÁCIL COLOCAR A CULPA NUMA PESSOA QUE APARENTEMENTE É MAIS FRACO, SÓ QUE NOSSO AMIGO BLABLAU É MAIS UM MOTIVO DE ORGULHO DE NOSSA TERRA QUE INFELIZMENTE NÃO TEVE O RECONHECIMENTO PROFISSIONAL QUE MERECE EM SUA TERRA E TEVE QUE BUSCAR PRESTÍGIO EM OUTROS ESTADOS, SERÁ QUE TODA A CULTURA SERGIPANA TERÁ QUE IR PELO MESMO CAMINHO PARA TEREM O PRESTÍGIO QUE MERECEM?

    Comentário por EDUARDO — fevereiro 8, 2011 @ 2:57 pm

  6. Adelvan, eu soube do comentário de Rafael (já passou da hora de eu abrir uma conta no Facebook), e concordo com ele, pelo menos em parte.

    Eu mesmo costumo usar nominar a “música sergipana” o tempo inteiro. Não vejo maiores problemas na definição. O nó da questão é quando o rótulo é utilizado para hierarquizar determinado produto cultural, levando em conta a naturalidade do artista. Assim, artista de verdade seriam as estrelas cansadas, que menciono na matéria acima, enquanto caberia aos locais distrair o público enquanto a verdadeira atração descansa no camarim. Isso, sim, é ridículo, concordamos todos.

    O bom da nota divulgada pela Secult é que ela firmou uma posição. Agora, é impossível a Secretaria jogar a culpa no “temperamento artístico” de Patrícia. Infelizmente, no entanto, alguns colegas da moça estão se encarregando de fazer o trabalho sujo, na lista do Fórum Música Sergipe.

    Abraço, meu querido!

    Comentário por spleencharutos — fevereiro 8, 2011 @ 3:18 pm

  7. Post Scriptum: Achei uma covardia a Secretaria tirar um coordenador de palco, a serviço do Festival, pra cristo. Não é assim que se assume a devida responsabilidade.

    Comentário por spleencharutos — fevereiro 8, 2011 @ 4:06 pm

  8. Tudo isso me leva a vários questionamentos…
    E eu me pergunto, quem efetivamente defende a cultura sergipana, de forma imparcial, de forma legal, de forma que tome para si, a defesa perante o público em geral de qualquer arbritariedade cometida com um de nós.

    Comentário por Thati Lima — fevereiro 8, 2011 @ 5:33 pm

  9. Todos nós defendemos – ou deveríamos defender.

    Comentário por Adelvan — fevereiro 8, 2011 @ 7:02 pm

  10. Segue o link do video de Patricia Polayne sendo “arrastada” do palco.

    Ta toalmnte tremido, pois ñ sou frio ao ponto de ter filamdo e ficar calado, eu tbm engrossei as vaias e os gritos de repudio:

    Comentário por David Farias — fevereiro 8, 2011 @ 10:53 pm

  11. Nada de novo. É comum aqui e principalmente entre os gestores públicos o hábito de dividir artistas em duas categorias: os nacionais e os da terra. Não espero e nem acho que deva ser o caminho que os ditos ‘da terra’ tenham de receber benefícios maiores, mas qual seria mesmo a lógica dessa distinção? ‘Os privilegiados’ pelo bairrismo, na verdade, são alvo faz muito tempo de grosserias que apenas variam de dimensão. Recebem baixos cachês, não tem espaço igualitário nas peças publicitárias que divulgam os eventos e por aí vai.

    Não estive na Caueira, não pude me deliciar com o show da Patrícia (que, aliás, estava muito bem acompanhada), então, os aplausos aqui ficam pros que fazem ou apóiam as críticas. Quero deixar claro que gosto bastante da cena cultural local, mas peço que paremos com essa coisa de artista da terra, isso e outro bocado de coisas serve mais de pretexto pra essas bizarrices do que pra prestigiar ou reconhecer o suor que vem da arte, seja lá de onde for.

    Comentário por Babi — fevereiro 9, 2011 @ 12:29 am

  12. Pois é galera, no facebook a discussão bombou, em vários perfis que comentaram o ocorrido (Gabriela Caldas, Nino Karva, a própria Patrícia, entre outros…). É coisa de quase 100 comentários em cada um… Imagino que no Twitter e na lista do Forum Música Sergipe tb esteja pegando fogo (não participo), o fato é que Patrícia teve a moral de peitar essa política cultural que tá aí, e virou uma voz de todos os artistas sergipanos, que estão com essas coisas entaladas na garganta há tempos!
    Eu já passei cada uma que nêgo não acredita, e dividi isso tb no Facebook: já toquei sem passar som várias vezes, sem praticável (normal), já vi produtor de fora mandar prefeito tomar no cú e ainda voltar no ano seguinte, já vi banda “mandar” no equipamento de palco locado pro evento, onde ninguém toca nos amplis nem na luz, entre outros absurdos.
    Um dos “auges” foi numa das edições do Projeto Verão, quando a Maria Scombona tocaria depois de Jorge Ben Jor, e ele fez 3 horas e meia de show, dando um “bis” de uma hora e meia depois de encerrar o show (previsto para 2 horas). Prefeito, Governador, Secretários e puxa-sacos em cima do palco achando lindo e “muito preocupados” com o “artista da terra” (como eles gostam de chamar) que tocaria depois. Resultado: fomos subir no palco quase 5h da manhã, tocando pra alguns poucos bêbados, amigos e fãs da banda que ainda ficaram na chuva… Todo ano a história se repete, e das vezes que fomos reclamar ouvimos coisas como “me ajude, nêgo véio”… Ou seja: “não faça confusão não, deixe pra lá”!!!
    Patrícia faz confusão e eu aplaudo de pé.
    Abraços,
    Rafael jr.

    Comentário por Rafael Jr. — fevereiro 9, 2011 @ 3:49 am

  13. Como jornalista cultural há nove anos,já ouvi muita reclamação da classe artística em vários aspectos. A maioria descamba para a problemática do descaso para com eles, beneficiando sempre os ditos “artistas nacionais”.

    O problema é que também muitos reclamam, botam a boca no trombone, mas quando escalados para um novo projeto, aceitam prontamente e ficam sujeitos a todos as intercorrências ou acidentes de percurso.

    Tem-se que encontrar uma solução para o problema ou minimizá-lo, pelo menos. Já me manifestei com relação ao palco Gerson Filho, no Forrócaju, que ao meu ver, não ajuda muito à divulgação do que se tem de bom por aqui.

    Porque não colocar todo mundo tocando nos palcos contíguos como acontece no Réveillon?

    Comentário por Suyene — fevereiro 9, 2011 @ 11:46 am

  14. QUANDO O CIRCO PARA.

    (do “Panem et circenses” e não do “Circo Singular”)

    Sobre a interrupção do show da artista Patrícia Polayne, na praia da Caueira no último sábado, dia 05/02. Minha opinião.

    A atitude do profissional que o fez, está sendo de público contestada, quando deveria ser entendida e acatada. E nem vou dizer elogiada, pois sei que nenhum dos técnicos que conheço se sentiriam bem a fazer o que foi feito.

    O fato é que o técnico foi contratado para fazer a organização e o gerenciamento do palco. E o fez.

    Ele não merece uma medalha por isso, mas merece respeito.

    E agora, após uma vaia, a organização do evento e a cobrança de culpados, o técnico virou bode expiatório. E até onde eu sei, a artista não aceitou as desculpas.

    O referido técnico, agora acusado simplesmente por fazer o seu trabalho, é um profissional competente, e hoje bem situado na música popular brasileira. Tendo saído de Sergipe para trabalhar Brasil afora com grandes artistas nacionais. É um profissional gabaritado em diversos trabalhos aqui no Estado, a exemplo dos nossos festivais. Todas essas credenciais, com certeza, pesaram na hora de sua contratação.

    Uma das suas incumbências no palco do festival era justamente a de manter os horários: o das passagens de som e também do início e término dos shows. E mesmo com atraso na passagem de som, se houve, não justifica esticar o show.

    A atitude de parar o show não foi solista. Se previamente foi dada a ele essa incumbência, foi acertada. Pode e deve ter sido uma atitude solitária e dolorosa, mas de muita personalidade.

    E não adianta alguém levantar a bandeira de que foi com um “artista da terra” (confesso que esse termo me da náusea), pois o artista seguinte era daqui também, só que num palco menor, na arena multicultural. Para só então, depois de volta ao palco grande, a atração pop.

    Poderia acontecer a qualquer um que extrapolasse o horário e estivesse sujeito às regras do festival. Desde que tivesse alguém com ponderação e carta branca, para resolver e assumir os pepinos. Tudo isso previsto em contrato. Aliás, ótima oportunidade para rever as cláusulas contratuais. O acertado não sai caro nem barato.

    Confesso que é engraçado ver gente twitando sobre o que não sabe, achando falta de educação e de respeito. Mas são essas, as mesmas pessoas que cobram que os shows funcionem bem, que comecem e terminem nos horários. Pessoas que como público, cobram em um show a beira mar, em um festival com varias atrações, a mesma pontualidade e qualidade de um show em um teatro.

    Sempre questiono esses mecanismos que movem o que acontece nos bastidores. E sempre achei que faltava aqui a figura de um gerente de palco e quando possível, coloco isso de forma clara aos agentes públicos que estão nos eventos e que trabalham para sua realização. E eles sabem.

    Se eu fosse listar o que já aconteceu comigo em eventos públicos ou privados, começaria falando de passagens de som que não acontecem, ou de como tocar sem palco para bateria, ou tocar com teclados no palco sem ter tecladista e com percussão sem ter percussionista, e ainda ouvir que isso é bobagem e estrelismo e que deveríamos agradecer. Melhor não, a lista seria quilométrica. Quem é do meio sabe muito bem do que estou falando. Prefiro poupá-los. Mas só para completar, já toquei sem iluminação de efeitos por que a atração nacional disse que ninguém usava, só eles. Tendo a luz sido contratada e paga pelo contratante não pela banda.

    Tenho um exemplo a nível nacional do que aconteceu aqui sábado.

    Na ultima edição da Feira Brasil de Música, ocorrida em Minas Gerais, entre os dias 8 e 12 de dezembro de 2010, o show de um grande artista do Pará foi interrompido por ter excedido o tempo.

    Houve vaias e protestos, mas de imediato o mestre de cerimônia entrou no palco e não deixou a bola cair. Explicou o que estava acontecendo e pronto. Cada artista tinha direito a 35 minutos de show e eles já estavam em mais de 40 minutos e anunciando a próxima música.

    Na noite anterior no mesmo palco um artista de Pernambuco teve o show interrompido pelo mesmo motivo.

    Depois do atraso de 10 minutos, o suficiente para três músicas, quem acredita que a próxima será a última?

    Melhoramos muito nos últimos anos, hoje os artistas tocam e são razoavelmente remunerados.

    O que faz as outras engrenagens funcionarem muito bem. A cadeia produtiva está a pleno vapor, mas…

    Precisamos ser cada vez mais profissionais e menos fãs. Vejo nos bastidores um brilho nos olhos de muitos que trabalham com os artistas e acho que às vezes essas pessoas esquecem que tem um show para acontecer e que alguém tem que estar pronto e consciente para agir. Show e diversão para quem assiste, não para quem trabalha.

    O artista independente de ser local ou não, tem que ser tratado com respeito e atenção. Mas ele deve, sobretudo, cumprir bem o seu papel durante o entretenimento e respeitar tudo que está a sua volta, não só o publico, mas também seus companheiros de trabalho como músicos, técnicos, produtores e também outros artistas.

    Estamos falando aqui não da diferença de um artista nacionalmente reconhecido e de um artista local. Mas sim de uma grande artista local, em ascensão, que prolongou seu show cobrindo o horário de outro artista local, que se apresentaria em um palco menor. E de quebra, expôs um profissional dos bastidores ao julgamento e a ira popular. Isso antes de causar qualquer problema com o artista de fora. Estamos falando de nós.

    Gostaria de ver outro pedido de desculpas, o único que deveria ter sido feito e faria algum sentido, de quem hoje, alguns dias depois, tenha consciência do que fez. E que não deixe dúvida quando a culpa cair sobre alguém que não tem o microfone na mão e um público encantado com seu talento para seguir, mas apenas os horários e os egos para administrar.

    Eduardo Menezes
    Técnico operador de áudio.

    Comentário por Lu ( Muito Consciente a Declaração de Eduardo Menezes, todos merecem respeito. — fevereiro 10, 2011 @ 1:50 am

  15. A opinião de Eduardo Menezes é não só consciente, mas justa, objetiva, clara, e sem tomar partidos pessoais. Pra todos nós refletirmos.

    Comentário por Rafael Jr. — fevereiro 10, 2011 @ 3:39 pm

  16. Será que o som de Lulu Santos ou do Monobloco seriam cortados??

    Enfim, não é nesse mérito que eu quero entrar, o mérito em questão que eu quero entrar é se realmente faltam com o respeito com o artista sergipano ou se este próprio não se da o respeito.

    O que vemos há varios anos de verões sergipe, projetos verões e forró caju da é uma falta de projeto atenção do governo com a cena local, resultando em um pessimo tratamento se comparado com os “artistas nacionais”.

    Acontece que os mesmos artistas, que já participaram várias vezes, e ainda, continuam participando,que hoje estão levantando o coro contra o descaso na cultura sergipana, são os mesmo que todos os anos abanam o rabinho quando recebem um convite pra tocar em um evento do governo.

    É bom tocar em um evento desse?? é; É bom ganhar uma graninha massa?? é, mas tambpem é bom se valorizar.

    A falta de espaço, de renovação e o engessamento da cultura sergipana nas figuras dos mesmos artistas acabam nessa realidade que vemos hoje, no conformismo e na acomodação.

    Se a classe artistica da cidade não procurar se unir, se organizar e fazer valer os seus direitos, pode esperar, proximo ano vão ser as mesmas bandas, o mesmo tratamento, a mesma posição.

    Comentário por Roque — fevereiro 10, 2011 @ 5:02 pm

  17. Indignação – Indigna de um Sergipano…

    Prezados colegas,

    Estou bem triste com a situação. Trabalho prestando este serviço de produção de palco em diversos lugares do país. Há cinco anos realizo esta mesma atividade para a FUNDAP em Pernambuco no palco principal no Marco Zero, onde se apresentam os mais diversos artistas. Sou profissional e também já participei de grandes eventos (Tim Festival e Virada Cultural – SP, Conexão Vivo – BH e Vivo Rio – RJ), nos quais o artista tem que respeitar a programação para não prejudicar o todo quando se trata de um Festival.

    Há anos tento prestar o serviço de produção de palco em Sergipe, porque conheço meu estado. Já “senti na pele” as dificuldades quando trabalhei de roadie para vários artistas Sergipanos quando residia em Aracaju. Sou solidário a eles. Chegávamos a fazer o show na frente dos instrumentos e cenários de artistas nacionais, onde tínhamos que nos adaptar ao show dos mesmos sem direito algum.

    Quando fui convidado para fazer este trabalho, de antemão disseram-me que os artistas locais iriam se apresentar na frente de todos os equipamentos e cenários dos artistas nacionais. A produção da Maria Gadú e Lulu Santos já havia entrado em contato com os artistas locais pedindo para ser dessa forma e os artistas locais aceitaram.

    Pela minha experiência e por eu ser Sergipano solicitei total liberdade para a produção do evento, para fazer o serviço que estou acostumado. Entrei em contato com a produção dos artistas nacionais e comecei a fazer o que julgo mais correto e ético. Comuniquei-os de que tínhamos 40 minutos para fazer a virada de palco de cada artista e teriam que tirar todos os equipamentos na hora do show dos artistas locais. A produção dos artistas nacionais aceitaram. Prezei pelos artistas locais que além de tudo são amigos e fazem parte da minha cultura, da minha formação profissional. Todos me conhecem.

    No dia 04/02/2011, ocorreu tudo como programado. Na grade da passagem de som, estava tudo ok com os horários. No show de cada artista não houve nenhum atraso, tanto no palco principal quanto no palco da Arena Multicultural.

    No dia 05/02/2011, começamos o dia bem, montagem dos equipamentos de som e luz do cantor Lulu Santos. No horário da montagem e passagem de som do grupo Monobloco, marcado das 10h00 as 13h00, houve um atraso. Eles chegaram as 12h30, ou seja, já estava no final do horário. No ato, falei que não dava mais para eles passarem o som, porque atrasaria todo o cronograma, solicitei para chegarem durante o show do Lulu Santos para montagem e posteriormente ao show, seria feito o checkline (checagem de linha) para o início do show do grupo carioca. Sensatos e acostumados com este sistema, foram muito cordiais, pediram desculpas pelo atraso e não criaram nenhum problema.

    Na hora da montagem da artista local, Patricia Polayne, às 16h00, todo o backline (equipamentos) já estava montado nos praticáveis e microfonado, tudo conforme solicitado. A artista e banda estavam no backstage (fundo do palco) quando solicitei para eles esperarem no camarim e assim que a produção dos artistas nacionais entregassem o palco, voltaria à chamá-los para que não houvesse desgaste da artista e dos músicos . Assim que soube do atraso no voo dos músicos do artista nacional resolvi negociar o horário com a artista local. Solicitei para ela e toda banda a compreensão em ceder meia hora do seu horário. A artista me sinalizou positivamente com o compromisso de reposição da sua meia hora.

    Ás 17h40, foi feita a virada de palco e entregamos o palco à artista local onde ela e sua banda passaram o som e tocaram cinco músicas. O final da passagem de som foi as 19h00 em ponto, perguntei à cantora e sua banda se estava tudo ao gosto deles ou se estava faltando algo, eles sinalizaram que estava tudo certo. A artista me agradeceu e foi com sua banda para o camarim.

    O evento teve um atraso de meia hora. Deveria ter iniciado às 19h00, mas com o atraso começou às 19h30, na Arena Multicultural.

    Ás 21h00, no camarim da artista local, falei que o show começaria às 21h30 e pedi para ela e seus músicos estarem no palco às 21h15. Ao término do show na Arena Multicultural começaria o show da artista.
    Quando entraram no palco vi o set list (roteiro do show) com 17 músicas. Com a minha experiência pensei que um roteiro com 17 músicas poderia ocasionar numa apresentação com uma hora e meia de show. Previsto em contrato, todos sabiam os shows deveriam ter uma hora de duração, mas não quis ser inconveniente.

    O show da arena terminou às 21h20 e o locutor anunciou o show da artista local. O início se deu às 21h25, sendo que o show foi contratado por uma hora de apresentação. Faltando 10 minutos para acabar o show da artista entrei no palco e fiquei ao lado esperando-a me olhar para avisá-la de que horário do show estava acabando. Consegui sinalizar aos músicos: guitarrista e baterista, pois estavam mais próximos. Já esgotado o horário do show da artista, às 22h25, e eu ainda tentando falar com a mesma, ela ignorou, fazendo de conta que não estava me vendo.

    No palco da Arena Multicultural a banda Mamutes já estava posicionada para começar o show, sendo assim, às 22h45, entrei no palco falei no ouvido da artista que o horário já tinha extrapolado e solicitei educadamente para ela tocar mais uma música apresentar a banda e finalizar o show. Ela virou para o público e falou que teve um pessoa da produção que pediu para ela acabar o show e mencionou que tocaria mais três musicas para fechar o set list (roteiro ). Neste momento esperamos a artista finalizar a música e na sequência foi desligado o P.A. e monitor em respeito a outra banda que estava já posicionada na Arena Multicultural para início do seu show.

    Foi quando a artista resistente ficou no palco fazendo gestos para o público incentivando-os a falar coisas do governo, prejudicando a eficácia do cronograma de horário dos shows, sendo que os maiores prejudicados foram os colegas músicos sergipanos. O DJ Léo Levi foi contratado para fazer seu show às 3h00. Devido esta intransigência da artista só iniciou o seu trabalho às 4h30, sendo que o Festival estava previsto para terminar às 4h00 horas.

    Venho através desta agradecer a SECULT (Secretaria de Cultura do Estado de Sergipe) pela maravilhosa oportunidade de participar desse grandioso evento no qual trabalhei na produção Técnica com muito profissionalismo e dedicação. Aproveito para dizer o quanto sempre admirei o trabalho artístico da cantora Patricia Polayne e o quanto admiro o trabalho de vários profissionais da cadeia musical sergipana.

    Não quero parecer soberbo ao citar minhas experiências profissionais, mas precisava deixar claro que conheço os trâmites de minha profissão iniciada em Sergipe e ampliada noutras cidades. Quero sempre dar o meu melhor em qualquer evento que participe, principalmente, claro, em minha cidade natal.

    Meu objetivo aqui foi apresentar a outra versão dos fatos, visto que os textos circulantes já me crucificam, e a todos que trabalham no backstage, sem ao menos saber o que de fato ocorreu. Uma opinião é formada a partir das duas versões do mesmo fato e não somente de uma.

    Agradeço a todos os meus amigos que conhecem o meu caráter, profissionalismo e minha história e prezo pelos músicos locais.

    Afinal de contas eu sou SERGIPANO.

    VIVA A MÚSICA, VIVA O PROFISSIONALISMO MUSICAL.

    Marcio Mesk (BLAU)
    Direção de Palco

    Comentário por Márcio Mésk (Blau) (Sobre o caso Patricia Polayne no Projeto Verão) — fevereiro 11, 2011 @ 2:24 pm

  18. Carta aberta de resposta a Márcio Mésk, técnico responsável pelo ocorrido no Verão Sergipe

    Prezado Márcio Mésk (Blau)…

    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que achei digno de sua parte uma manifestação diante do ocorrido.
    É assim que homens honrados se comportam.
    Mas infelizmente algumas informações estão incorretas e outras, foram omitidas. Por isso, me senti no direito a uma resposta:

    1- Você comete um equívoco ao dizer que meu roteiro tinha 17 (!) músicas; tinha 14 temas, entre os quais, se incluem pequenos poemas/vinhetas, de segundos de duração e foi cronometrado, como sempre fazemos nos ensaios, ficando com uma hora e quatro minutos de duração. Honestamente, não vi mesmo como um absurdo passar 15 minutos que fosse de um contrato, já que eu fui tão paciente com atrasos superiores a horas, no que diz respeito ao meu cronograma de montagem, passagem e início do show, que, “por contrato” deveria começar às nove horas em ponto. Ou seja, se não houvesse atraso, teria feito meu show inteiro e sem problemas, pois sua preocupação era justamente que esse atraso não atropelasse não só o início da Arena, como também o “contrato rigoroso de horário” que a produção de Lulu Santos exigia aos berros.
    Ou seja: tivemos que esperar uma hora e quarenta minutos pra passar o som, e mais meia hora pra começar o show, e, no entanto, tudo isso foi causado por causa de cinco ou dez minutos a mais do show. Não entendo como você pôde ter sido tão eficaz em me pressionar, enquanto o Dj Léo Levi (artista local), dormindo sentado (dessa cena, eu fui testemunha ocular), aguardava para tocar seu set, enquanto o Monobloco varava quase duas horas de show. Desculpe, mas dizer que esse desrespeito foi gerado por mim é um ato de cinismo de sua parte.

    2- Em e-mail enviado a mim e meu baterista, Dudu Prudente, por você, ficou acertado que o horário de nossa montagem seria das 16 às 17 horas, mais passagem das 17 às 18 horas, ou seja, eu teria duas horas pra montar e passar o som.

    3- Chegamos na Caueira pontualmente às 16 horas. Enquanto aguardávamos no camarim, você veio, “humildemente” pedir minha compreensão pelo atraso e que eu cedesse meu tempo de passagem para a equipe de lulu santos, pois alguns músicos haviam atrasado seus vôos, mas que você me recompensaria, pois eu não tinha responsabilidade em assumir isso, acrescentando vinte minutos ao tempo em que eu já tinha direito. Essa é a parte mais chocante da história, pois, castigados que somos, há tempos, com essas questões todas, lembro de ter pedido um documento assinado por você, como garantia. Você sorriu e disse que sua palavra bastava. Essa cena aconteceu diante de toda a minha equipe, no camarim, e, como bem sabemos o desfecho, você não cumpriu com sua palavra, pois não foram acrescentados os vinte minutos acordados, pelo contrário, fomos pressionados a deixar o palco às 19 horas, para não atrasar o show na Arena. Ou seja, é mentira que saímos “satisfeitos” com a passagem e o tratamento dispensado por você a nós durante esse trabalho. Saímos sim, satisfeitos com o som que produzimos em tão pouco tempo cedido e, ainda assim, sentimos que rolaria um show mágico ali naquela noite. Gostaria de lembrar que também tenho feito shows em diversos eventos importantes pelo Brasil e mesmo com todo o rigor empregado por essas produções, sempre fui extremamente profissional e apta para ocupar esses espaços.
    Pois o mesmo rigor que exigimos deve ser também concedido e em nenhum momento houve esse rigor em cumprir comigo os horários previstos. E eu, se agisse como a produção de Lulu Santos agiu, devreia me impor e não ceder em nenhum momento, o que farei a partir de agora, em todos os eventos em que me apresentar, como forma de aprendizado.

    4- O palco foi entregue às 17 horas e 40 minutos (uma hora e 40 minutos de atraso) e a passagem começou exatamente às 18 e 40 (na hora em que começamos a passar a primeira música, perguntei a hora pro meu violonista, Pedro Yuri), ou seja, se eu tinha o meu direito de uma hora de passagem, deveria entregar o palco às 19 e 40 minutos, mas tivemos, por pressão, que encerrar a passagem, às 19 horas, ou seja, passamos o som em vinte minutos, o que não foi satisfatório, você mente mais uma vez em afirmar isso, pois lembro bem que você já entrou fazendo pressão e gestos pra encerrar a música na metade. Inclusive, o técnico de som que operava o palco, Raimundo, da equipe de Ricardo Sá, teve um acesso de raiva por causa disso, e, aos berros, direcionados à você, no microfone, pediu menos pressão de tempo e mais respeito ao “artista da terra”, pois o atraso em questão não era meu e eu não deveria ter que pagar por isso.

    5- Tenho testemunhas de que todo o tempo fui diplomática e tranqüila em me adaptar aos problemas de produção: recebi um e-mail diretamente da produção de Lulu Santos “pedindo” que eu tocasse com seu cenário, para não atrasar a montagem. Aceitei, para não causar nenhum problema de logística para sua equipe.

    6- Em nenhum momento me indispus pelo atraso para a montagem e passagem. Estava tranquila e concentrada em fazer um bom trabalho e ciente de que quando o atraso acontece ( e sempre acontece), nada podemos fazer, a não ser, sermos compreensivos e nos adaptarmos. A atmosfera que você tenta passar em seus argumentos é que fui “intransigente” e desrespeitosa com meus amigos de profissão, justamente para me colocar numa situação desfavorável (mais uma vez), enfraquecer minha relação e consequentemente o apoio que esses poderiam me dar sobre a minha postura diante do ocorrido.

    6- Vi sim seus sinais, inclusive, cheguei a manifestar o fato ao público, pedindo apoio para terminar meu show, criticando esse tratamento dispensado ao artista local.
    Faltavam duas músicas. Executei apenas uma, ou seja, a tolerância seria apenas de cinco minutos a mais, tempo que duraria a última canção.
    E, diante de tudo isso exposto aqui, me coloquei em cena e me posicionei naquele momento não só como uma cantora mas também como individuo ciente de seus direitos e com pleno senso de justiça de que a intransigência, na verdade, foi inteiramente sua, pois ninguém ali presente (a não ser os seus pupilos) concordou em me tirar do palco, ou cortar meu microfone.

    7- Muito emocionada e fortalecida pela reação de um público inegavelmente amoroso e solidário, meu pensamento naquele momento foi que, já que me arrancaram daquela maneira tão truculenta meus cinco minutos finais, em protesto, permaneceria esse tempo no palco. Não para prejudicar nenhuma banda seguinte (naquele momento não raciocinava mais), muito menos incitar o povo a xingar o governador (outra citação cínica e tendenciosa, pois sempre mantive uma relação de respeito e cordialidade com o governador). Toda manifestação do público foi espontânea. Naquele momento somente o estarrecimento e humilhação tomavam conta de mim e minha atitude foi de defesa, protesto e desmascaramento desse esquema que vem se repetindo, seja através de atitudes como a sua e de tantos outros Blaus que passaram por esses eventos, que, sentindo-se donos do palco e dos equipamentos, se sentem no direito de meter a mão nos amplificadores dos músicos, desligar microfones e fechar as cortinas na frente do artista.

    8- Seus argumentos me remetem à metáfora do estuprador que justifica ao delegado que estuprou sim, mas porque a mulher o provocou.

    9- É bom lembrar que, sua tamanha frieza, não permitiu, até agora, um simples pedido de desculpas de sua parte.

    10- O fato é que só entre nós é que sabemos, Márcio Mésk, que o que o inflou a ter aquela atitude egóica e inconsequente nada mais foi que uma crise de deslumbramento e pretensão típicas de quem, perdeu certas referências locais por ter alcançado algum status fora de Sergipe (você até força um certo sotaque paulista), acha que pode voltar aqui e se portar exatamente como aquele Lulu Santos do backstage, que chocou a todos ali presentes com sua atitude desrespeitosa e arrogante para com os anfitriões da festa. A verdade é que você viu seu brio ferido quando eu decidi desafiar mais uma imposição e dar um basta à tantas concessões. Nesse triste episódio, só consegui enxergar em você uma imensa necessidade de “mostrar quem mandava naquele palco”, sem levar em consideração o percurso que me levou até ali e o respeito que sempre tivemos um pelo outro. Você cresceu sim, Blau. Cresceu, se profissionalizou e ganhou seu espaço no mercado da música nacional. Mas infelizmente está contaminado por uma estranha atmosfera, que insiste em pairar sobre aqueles que, no afã de “fazer o seu serviço”, como você bem me respondeu no backstage, perdem o contato real com o propósito ali estabelecido: a música e a sensibilidade.

    10- Para finalizar, gostaria de deixar claro que meu ato, em nenhum momento foi intencionado, mas absolutamente intuitivo.
    Sinceramente, gostaria mesmo era que os músicos e técnicos que se sentiram “prejudicados” por mim reflitam mais profundamente sobre a repercussão gerada pelo meu gesto ao invés de se prenderem a discussões rasas sobre juízo de valores, de quem estava certo ou errado. Nada justifica a violência. Que aprofundem a discussão. Ao menos, acionamos o termômetro ao saber que o povo, esse sim, a razão e o foco de todo o espetáculo estará sempre do lado do artista.
    Ninguém mais segura nem cala nossa pequena revolução.

    Cordialmente,
    Patricia Polayne

    Comentário por spleencharutos — fevereiro 11, 2011 @ 3:14 pm

  19. Prezados,

    esou fechando o boteco. A menos que algum ponto de vista muito original lhes assalte, não adianta vir aqui jogar pedra em ninguém.

    Pra mim, esse episódio todo rendeu apenas VERGONHA. Da Secretaria, que emitiu uma NOTA ESCROTA, se eximindo de qualquer responsabilidade, e de alguns amigos artistas, que optaram por atuar como inquisidores, na ânsia de apontar culpados.

    No frigir dos ovos, restou uma cruz, cujo peso vai ser dividido por Patrícia (acusada de estrelismo) e Blau (que teve sua experiência profissional maculada).

    Já pasou da hora de neguinho acordar…

    Comentário por spleencharutos — fevereiro 11, 2011 @ 3:37 pm

  20. Podem me chamar do que quiser de provinciano do que for. Na minha opnião para festas patrocinadas pelo estado (dinheiro público dos Sergipanos) a organização do evento se for pra ser tendenciosa para algum lado que seja do artista Sergipano. É artista da terra! Eu gosto dessa expressão! Me deixem valorizar meu estado!
    É uma vergonha a forma como todos os governos de Sergipe de todas as cores e tempos desrespeitam e sufocam a nossa cultura. E pior subsidiam a imposição de cultura alheia. Ora, não tenho nada contra o que vem de outros cantos, pelo contrário, mas ver o governo do estado subsidiando e patrocinando importação cultural e desrespeitando a culura local me deixa indignado.
    Se o camarada não gosta da cultura sergipana e quer só usufruir da cultura de outros lugares em sua vida privada tudo bem. Mas dinheiro do estado de Sergipe tem que fomentar a cultura e criatividade dos artitas locais. Em todo lugar é assim. Que se dê tratamento igual pelo menos.
    Sempre é mesma desculpa de que somos nós que não valorizamos nossa cultura e nossos artistas. Mentira deslavada! As manifestações no dia da festa e as manifestações na internet sobre esse caso mostra que não é assim. O que acontece é que é muito difícil a autodeterminação da cultura Sergipana com a falta de apoio, tratamento desigual e subsídios a imposição cultural realizada pelos poderes públicos e pela nossa mídia.
    Mas a internet está aí viu. É um caminho para resistir contra tamanha imparcialidade.

    Comentário por Sergipano — fevereiro 13, 2011 @ 6:47 pm

  21. Nos próximos anos, gostaria de ver a fila de carros da ponte do Mosqueiro até a Caueira, como vi este ano, para assistir aos shows dos “Artistas da Terra”.

    ha ha ha, seria lindo! Porém, a realidade é outra. E seria hipocrisia dizer que não.

    Acompanho e admiro muito o trabalho de muitas bandas daqui, mas não dá para dizer que não sinto o prazer de ver cantar em meu Estado, sem ter que pagar nada por isso, um artista que faz sucesso nacionalmente e que sou fã desde que usava fraldas. E não me sinto culpada e nem envergonhada por assumir isso.

    Lanço a proposta ao Governo do Estado e Prefeitura de Aracaju: No próximo ano vamos fazer um “Verão” diferente, vamos dar mais “oportunidade” aos nossos artistas. O evento será deles, nada de artista de outro Estado.

    Quero ver se funciona. Se teremos o mesmo público, se os vendedores ambulantes, os catadores de lata e todos que lucram em um evento como esse, terão um faturamento pelo menos parecido.

    Repito, admiro o trabalho dos nossos artistas e concordo que eles precisam de espaço, mas vamos começar pelas nossas rádios, por exemplo. Ao invés de “mulher maravilha e Cia” vamos ligar e pedir “Bagio Sedado”, “Cara de Coco” etc. Por que será que não ouvimos músicas como essas em nossas FMs?

    Eu só queria ver essa fila de carros…

    Comentário por Aline Aragão — fevereiro 15, 2011 @ 12:19 pm

  22. E você gosta de fila, menina? Outra coisa: Jogar lata pros outros catarem é muito diferente de gerar renda. Também é hipocrisia dizer que não…

    Comentário por spleencharutos — fevereiro 15, 2011 @ 12:50 pm

  23. Por que será que não ouvimos músicas como essas em nossas FMs?

    na Aperipê toca.

    Comentário por Adelvan — fevereiro 15, 2011 @ 8:09 pm

  24. Resposta a spleencharutos.

    Não. Não gosto de filas. Apenas quis dizer que não teremos um grande público em uma festa onde só tenha artistas locais. Infelizmente, essa é a nossa realidade. Mas acredito que você tenha entendo isso. Quanto à geração de renda, não me referi apenas aos catadores de lata. Todos sabem o quanto uma festa como essa faz girar a economia. Gerando sim, renda, principalmente para a comunidade local. Seja com o turismo, ou com a venda de bebidas e comidas etc.

    Comentário por Aline Aragão — fevereiro 16, 2011 @ 2:44 pm

  25. Resposta a Adelvan.

    Não disse que não. Mas não acha pouco?
    Temos dezenas de rádios FMs e AMs no Estado e de todas, acredito que Aperipê é a que mais toca, mesmo assim é pouco. Na grande maioria, você ouve uma vez ou outra. Como o grande público, que só ouve a FM – A ou FM – B, irá conhecer nossos “artistas da terra”.
    Mas acredito que isso seja difícil de mudar. É uma questão cultural, envolve muita coisa.
    E vamos para por aqui, já estamos fugindo do principal tema em debate.

    Comentário por Aline Aragão — fevereiro 16, 2011 @ 2:53 pm


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