Spleen e charutos

janeiro 19, 2011

Audiovisual encaminha propostas para Funcaju

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 12:57 am

Rian Santos
riansantos@ornaldodiase.com.br

O Núcleo de Produção Digital é a menina dos olhos do prefeito Edvaldo Nogueira. Proferido no último dia 11, durante uma reunião com a Associação Brasileira de Documentaristas (ABD-SE), o testemunho de Waldoílson Leite foi divulgado num momento muito oportuno, quando os realizadores sergipanos, reunidos em diversas entidades representativas, resolveram se organizar para colocar as suas demandas na ordem do dia.

Era o que faltava para o Jornal do Dia procurar Anderson Bruno, presidente da ABD-SE, e conhecer as expectativas do segmento. Apesar do otimismo demonstrado, ainda existe muito a ser feito. A abundância das propostas voltadas para o audiovisual sergipano contrasta com a relutância dos entes públicos, que de vez em quando até acenam com algum investimento, mas ainda protelam a construção de uma política pública à altura dos anseios de tanta gente.

Jornal do Dia – Antes de mais nada, explique pra gente como nasceu a ABD, com qual pretensão, e de que maneira a entidade pode contribuir com o amadurecimento da produção audiovisual sergipana.

Anderson Bruno – A ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas) nasceu há 37 anos, durante a Jornada Nordestina de Curta-Metragem, na cidade de Salvador. Era setembro1973 e o Brasil estava sob o Regime Militar. No mesmo dia ou um dia depois da queda de Allende pelas tropas do General Augusto Pinochet, no Chile (de acordo com o multicinematográfico Jean-Claude Bernardet) um grupo de artistas, cineastas e cineclubistas decidiram pôr em prática uma discussão há muito conversada: a construção de uma entidade representante da classe do curta- metragem e do documentário. Todos eram muito politizados e passavam na prática pela censura artística repressora da época. Não contentes com os cortes e “dicas” de como eles deveriam fazer suas próprias produções, decidiram criar a ABD.

Aqui em Sergipe, ela foi fundada no ano de 2001e teve como primeira presidente Rosângela Rocha. O único festival local de curtas-metragens (CURTA-SE) tinha um ano de nascida quando do surgimento da ABD-SE.

A ABD representa a classe dos realizadores de curta-metragem e documentário (de longa ou curta duração). Ela pode contribuir se aproximando dos realizadores e dos diversos profissionais da área para resolução de problemas fílmicos, discussões no âmbito do audiovisual, parcerias, etc… Estamos, neste momento, trabalhando junto aos alunos do curso de audiovisual da UFS e o Audiovisual Kipá, na construção de um modelo de programação para o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira. A pretensão é estabelecer uma linha contínua de movimentação de cursos e palestras no NPD. A pretensão é movimentar o núcleo durante o ano inteiro.

JD – Você tem toda a liberdade do mundo para discordar, mas quando eu observo o trabalho de nossos realizadores, percebo um descompasso muito acentuado entre o investimento realizado pela administração pública, em diversas esferas, e o resultado alcançado. O que explicaria esse desequilíbrio? O investimento é realmente tão expressivo quanto a gente imagina, ou o alardeado compromisso do governo sergipano com o audiovisual foi firmado somente da boca pra fora?

Anderson – O Secretário Adjunto da Cultura do Estado, Marcelo Rangel, durante a abertura do I Fórum do Audiovisual Sergipano, dezembro passado, projetou em Power-point algumas propostas para a gestão do novo governo (projeção para quatro anos). Algumas delas eram em relação ao audiovisual. Dentre elas, estava o lançamento de editais. Mas, por enquanto, são apenas proposições ainda a serem amadurecidas no decorrer do tempo. Estamos vislumbrando, a partir desse fato, uma ponte para atingirmos uma constância anual de editais, pelo menos como primeiro passo para um fortalecimento da cena audiovisual do Estado. Acredito que este trabalho será entre médio-longo prazo para as engrenagens começarem a se movimentar por si só.

Uma outra pauta de reivindicação é o Edita Aracaju Mais Cultura, da Prefeitura Municipal. No ano de 2008, ‘O Arquivo de Ivan’ – de Fábio Rogério, ‘Areia Branca’ – de Júlia Marques, ‘Você Conhece La Conga?’ – de Sérgio Borges, ‘Sensacional ‘– de Déborah Fernandes e ‘U-507’- de Rubens Carvalho, foram os cinco curtas metragens contemplados com uma verba de R$ 15 mil cada um, para ser aplicada como orçamento dentro da produção. Curtas estes, no mínimo, interessantes. Pra não dizer, de alguns, muito bons. ‘O Arquivo de Ivan, por exemplo, Está no Porta Curtas Petrobrás – espaço virtual destinado a veicular curtas do Brasil inteiro. Quem banca a iniciativa é a Petrobrás. Além disso, o documentário já foi exibido em vários festivais de cinema do País. Então, porque parou? É isso que também queremos saber e dar encaminhamento ao relançamento do Edital.

JD – A recente organização dos diversos segmentos que lidam com a cultura sergipana em Fóruns de discussões tem se firmado como uma instância muito interessante de deliberação. A ABD faz parte do Fórum Audiovisual de Sergipe? O Fórum já conseguiu interferir, de alguma maneira, na construção de uma política para o setor, ou a construção dessa política ainda se encontra no plano das idéias?

Anderson – A ABD-SE faz parte do Fórum do Audiovisual sergipano. Inclusive, puxou junto ao Cine Circuito Livre e Audiovisual Kipá a formulação e concretização do mesmo. A questão do NPD Orlando Vieira, já citada acima, vai ser analisada via Fórum também. Ao mesmo tempo, estamos na fase de estudos para ajustar as idéias. Estamos encaminhando a construção do Fórum com muita tranqüilidade, passo a passo. A próxima reunião (dia 19/01, às 19 horas, na Sociedade Semear) vai servir para discutir a elaboração do regimento interno e políticas viáveis para 2011. Vamos abrir uma exceção e dar uma acelerada para cuidar desse assunto relacionado ao NPD.

JD – Eu percebo uma integração muito forte entre a ABD e o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira. Em sua opinião, o que pode ser feito para o NPD se aproximar de maneira mais efetiva da sociedade e do realizador sergipano? De acordo com algumas informações, a continuidade das ações promovidas pelo Núcleo tem sido comprometida pelo longo intervalo que se interpõe entre seus cursos…

Anderson – O NPD está aí para servir ao Estado e não apenas ao município. Para atingir essa plenitude territorial é preciso pensar na logística necessária para facilitar o deslocamento de alguém vindo do interior. Aqui em Aracaju até que os bairros estão pulverizadas dentro do Núcleo. Você vê alunos dos mais diversos lugares da cidade. Poderia ser feita visitação periódica de educandos do ensino fundamental e médio às instalações do NPD. Visto um aumento da penetração do Audiovisual nas escolas, ONGs comunitárias e ações de outras instituições.

O Senador Cristóvam Buaque elaborou um projeto de lei para, no mínimo, haver duas horas de exibição audiovisual (curta, média ou longa-metragem) nas escolas previstas na grade curricular. O Instituto Recriando trabalha oficinas de vídeo com estudantes de escolas de Aracaju e do interior. Soma-se a isso a democratização das ferramentas de vídeo (celulares, máquinas fotográficas, filmadoras) por parte da população em geral. Isso redunda num aumento de produções audiovisuais. E quem está fazendo isso, numa grande parte, é a molecada em idade escolar. Penso que seria interessante, de início, prestar atenção nos meninos dessa faixa etária.

Outro ponto interessante, que já está acontecendo, é a realização de cursos técnicos que não possuem, necessariamente, um foco cinematográfico. Por exemplo: um curso de figurinista para cinema. Tanto a costureira quanto o estilista mais refinado teria interesse na realização do curso, mesmo não tendo contato com o mundo cinematográfico. Acho que é um leque que se abre para contemplar uma pluralidade maior de interessados.

A ABD-SE, o Curso de Audiovisual da UFS e o Audiovisual Kipá fizeram uma reunião junto ao presidente da FUNCAJU, Sr. Waldoílson Leite, há algumas semanas, justamente para estudar a continuidade dos cursos do NPD, sem intervalos. Foi uma conversa franca, tranqüila e muito objetiva. Waldoílson se mostrou solícito e estamos encaminhando as negociações. Até o momento, estamos otimistas em relação às reuniões.

JD – Falando em “realizador sergipano”, que entidade misteriosa é essa? Quem são eles, o que fazem da vida? É possível desenhar um perfil da categoria?

Anderson – O único perfil em comum da categoria ‘Realizador Sergipano’ é a simples vontade de fazer filmes! São médicos, publicitários, desempregados, radialistas, professores que gostam de filmes e pretendem realizá-los. São estudantes de graduação de audiovisual, moradores de periferia com sede de registrar seu cotidiano – mesmo que a úncia ferramenta disponível seja com uma câmera arranjada com um colega. Daí eles gastam um dinheirão, lutam para angariar verba para a conclusão da sua obra, buscam a profissionalização através de cursos, mostras de cinema e discussões com os amigos. Somos uma criança ensaiando seus primeiros passos.

JD – Quais os principais desafios do audiovisual sergipano em 2011?

Anderson – Manter as várias instâncias do audiovisual sergipano integradas. O Fórum do Audiovisual Sergipano será o responsável por esse encaminhamento. A partir de então, pretendemos traçar e pôr em prática ações para que o audiovisual se desenvolva a contento aqui em Sergipe.

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