Spleen e charutos

novembro 24, 2010

Urublues, na balada de um trem

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 10:59 am

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Quando Mateus Santana – o magrelo cheio de força nos pulmões que gravou as gaitas nos primeiros EPs da Baggios – contou que estava tocando com os caras da Urublues, a negligência dispensada a um dos nomes mais importantes do cenário musical sergipano se materializou como uma irresponsabilidade imperdoável. A banda acumula quase vinte anos de calos nos dedos e dedicação ao bom e velho blues. Apesar disso (e aqui é preciso considerar a fragilidade de uma memória perturbada pela fumaça), nunca ganhou duas míseras linhas nos periódicos locais.

Oportunidade não faltou. As serras de Itabaiana, onde o núcleo da banda está sediado, nunca representaram obstáculo para os caras, que se apresentam em Aracaju com bastante regularidade e dialogam com seus pares de maneira muita tranqüila. A participação em eventos diversos, a exemplo das recentes Noites Fora do Eixo, é prova disso. As diversas formações da banda e os dois demos lançados também.

Na balada de um trem – O timbre seco da caixa atacada pelo baterista no início do disco Andarilho (lançado em fevereiro) alerta os incautos. Melhor sair da frente, que o trem já vem!

Aqui, todas as premissas do blues são respeitadas, com uma devoção quase religiosa. Da estrutura simples e encorpada, embalada por uma caralhada de riffs, às letras inteligentes, os caras da Urublues fazem justiça aos ambientes escuros, impregnados de cerveja e cigarro, que suas canções evocam. Sabe aquele quarto de hotel fodido, construído para abrigar os romances que acabam na ponta da faca? Aumente o volume e puxe uma cadeira. A Urublues já amolou a lâmina pra você.

Impossível não mencionar a importância do gaitista Igor Cortes no disco. Figurinha carimbada, solicitada por meio mundo de gente, o músico enche o disco com escalas rasgadas que, se não chegam a ameaçar as guitarras de Ferdinando, emprestam um colorido especial às harmonias construídas pelo baixo preciso de Fábio Santana. Blues no talo, com todos os venenos que derrubaram nossos heróis.

O melhor da história é que esta semana os caras voltam a se apresentar na Casa Cultiva, em noite que ainda conta com a pegada da banda The Baggios e a visita dos Reis da Cocada Preta (PB). Quem quiser provar um trago da beberagem, portanto, não pode reclamar ausência de oportunidade.

Vale lembrar ainda que as Noites Fora do Eixo são promovidas pelo Virote Coletivo, um grupo formado por músicos e produtores que se reuniram no intuito de promover a cena musical independente de Sergipe e integra o Circuito Fora do Eixo.

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