Spleen e charutos

setembro 2, 2010

O rock bipolar da Cabeza de Panda

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 10:12 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Eles não descobriram a pólvora, não inventaram a roda, mas foram espertos o suficiente para extrair a combinação das fórmulas que resultaria na Cabeza de Panda da infinidade de experiências que permeiam a evolução do Rock’n Roll. O primeiro disco da banda (homônimo e independente) começa a ser comentado na blogosfera, e já recebeu a chancela de muita gente boa, que se dedica de maneira mais séria do que este escriba a destacar o que realmente interessa no terreiro cada vez mais vasto e povoado da zuada brazuca. Depois de ouvi-lo com atenção, no entanto, eu precisava meter o bedelho onde não fui chamado.

Formada por Lourenço Monteiro (voz, bateria, MPC), Alexandre Vaz (voz, guitarra, violão) e Mauro Berman (baixo e teclado), que compõem a banda de apoio do rapper Marcelo D2, a Cabeza de Panda não se dedica a nenhuma corrente, em especial. Eles fazem Rock. Isso basta.

A primeira coisa que chama atenção na banda é a extrema competência de seus integrantes, que executam as canções de maneira impecável e realizam um verdadeiro passeio pelas diferentes vertentes dessa música barulhenta, pela qual muita gente ainda mata e morre, com uma naturalidade de dar inveja a qualquer músico frustrado. O grande diferencial desse primeiro trabalho – que conta com a faixa instrumental “Verme (Tudo vai acabar bem)” –, no entanto, são as letras, que na descrição do Mypace dos caras “vão do completo cinismo à mais pura sinceridade”.

A sentença pode ser verdadeira, mas está longe de dizer tudo. A pegada irresistível de “Café e pasta de dente”, que abre o disco e acaba balizando nossa avaliação, por exemplo, perderia muito de seu apelo sem a inteligência dos versos. Quem nunca acordou numa segunda-feira, maltratado pela ressaca, obrigado ao trabalho, pensando numa semana interminável para estragar? Impossível negar identificação tão evidente.

Riffs, distorção e melodia pegajosa pelo bem da música. Se é verdade que a Cabeza de Panda é uma banda nervosa (os caras até podiam carregar mais um pouquinho na patada), é preciso observar que ela recusa as limitações da subserviência dogmática. Raparem na batidinha Bossa Nova, depois da explosão de energia na faixa “Sem ar”, e digam se estou mentido.

Como eles próprios fazem questão de deixar claro, a banda atira pra tudo quanto é lado, com tanto apreço pelo gatilho, que nos dá vontade de disparar também. “Uma banda de rock com múltiplas personalidades e temperamento bipolar. Sombria e psicodélica, regressiva e progressiva, revisionista e visionária (…). A intensidade do rock filtrada por diversas lentes”.

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1 Comentário »

  1. a melhor banda do cenário atual, pena que o gosto musical da população está mais pra “vou não, quero não, minha mulher não deixa não…”

    Comentário por Maria — fevereiro 24, 2011 @ 9:20 pm


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