Spleen e charutos

agosto 27, 2010

‘Os mal humorados não sabem dançar’

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 9:29 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Eu não tenho dúvidas de que este é o acontecimento cultural e festivo da semana. A Caravana do projeto Eu Faço Cultura aportou na terrinha e, ao contrário das visitas inconvenientes, não chegou de mãos vazias. Aracaju recebe as atividades do EFC desde o último dia 25, quando as oficinas gratuitas de percussão e confecção de instrumentos com material reciclável começaram a ser ministradas. O melhor, contudo, ainda está por vir. Domingo, o Monobloco encerra a festa com um grande show no Espaço Emes.

Para comemorar uma década na estrada e mais de 400 shows realizados mundo afora, o Monobloco inicia a turnê do novo DVD e CD Monobloco 10 pelo Brasil. Este é o segundo trabalho do grupo, criado em 2000 por Pedro Luís, Mário Moura, C.A. Ferrari, Sidon Silva e Celso Alvim – integrantes da banda Pedro Luís e A Parede –, a partir de uma oficina de percussão. O DVD foi gravado ao vivo, em outubro de 2009, na Fundição Progresso (Rio de Janeiro), numa noite que reuniu mais de cinco mil pessoas.

Acompanhados de 17 instrumentistas, os cantores Fábio Allman, Pedro Quental, Renato Biguli e Alexandre Momo (infelizmente, Pedro Luís não se fará presente) prometem quebrar tudo pra gente. Foi o que me garantiu o maestro Celso Alvim, durante uma breve conversa entabulada via e-mail.

Jornal do Dia – A gente sabe que o Monobloco surgiu no meio do carnaval carioca, em um contexto muito particular, com uma intenção festiva mais do que evidente. O que motivou a procura pelas casas de espetáculos? É realmente possível transportar a energia do Monobloco para cima do palco?

Celso Alvim – Foi a demanda do público de curtir a festa do Monobloco durante o ano, fora do carnaval, que nos obrigou a isso. A formação é diferente, um pouco menor, mas a energia do som é a mesma.

JD – Aqui em Aracaju, temos a naurÊa, uma banda que comunga da simpatia de vocês pela batucada e a alegria. Apesar do público gigantesco que sempre ostentou, contudo, o trabalho da naurÊa já foi alvo de muitas críticas, como se fosse pecado aliar música e diversão. Vocês enfrentaram resistência parecida? Como explicar preconceito tão absurdo?

Alvim – Nós fomos bem recebidos, até agora. Acho que a cultura brasileira é cheia de exemplos que conjugam a música com a diversão, a dança e a brincadeira. Infelizmente, os mal humorados não sabem dançar.

JD – Como vocês selecionam o repertório do Monobloco? A julgar pelo DVD que vocês acabaram de colocar no mercado, basta que a canção esteja sedimentada na memória afetiva do público…

Alvim – Com certeza. A gente vai selecionando as sugestões entre os integrantes do grupo (gente muito variada, por sinal) e começa a testar nos shows. No final das contas, a reação da platéia às músicas é o que “bate o martelo”. Sem falar no conceito do Monobloco de fazer um grande passeio pela riqueza da música brasileira.

JD – De acordo com o release do projeto Eu Faço Cultura, o Monobloco é responsável pela impressionante média de dez apresentações por mês. Como sobra tempo para seus integrantes exercitarem a veia lírica do trabalho autoral, à frente do PLAP? Me parece que esta seria a diferença fundamental entre esses dois projetos musicais. Quando é que o PLAP vai nos alegrar com um disco novo?

Alvim – Sem dúvida, o Monobloco é o baile com as músicas conhecidas e a PLAP é o baile com as músicas autorais, do Pedro e seus parceiros. Nós temos um esquema flexível em que todos os integrantes do Monobloco (não só a PLAP) têm substitutos, para que todos possam fazer outros trabalhos musicais, algo que acaba enriquecendo muito a música do Monobloco.

Quanto à PLAP, no dia 2 de setembro gravaremos um DVD ao vivo, no Circo Voador, com as músicas que marcaram os 15 anos de trajetória da banda. Esperamos poder voltar à Aracaju em 2011 para mostrar esse trabalho.

JD – Pra terminar com um clichê, qual a sua expectativa em relação aos shows promovidos pelo projeto Eu Faço Cultura? O que você espera do público de Aracaju?

Alvim – Esse projeto tem possibilitado ao Monobloco chegar a algumas capitais que não havíamos chegado antes. É sempre muito bacana e renovador mostrar a nossa batucada para quem ainda não conhece. Quem for ao show, sem preconceitos, disposto a ouvir boa música e se divertir, não vai se arrepender.

Monobloco na Caravana Eu Faço Cultura

Local: Espaço Emes
Data: 29 de agosto
Hora: 21 horas

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