Spleen e charutos

agosto 4, 2010

João Bosco se apresenta no Tobias Barreto

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 4:14 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

De Minas e da casca do violão

Quando penso em João Bosco, minha memória afetiva é tangida por um baixo insistente, a corda mais grave do violão correndo ligeira como um fugitivo, obrigando a melodia aos malabarismos vocais eternizados pela voz de Elis Regina. Tomara que o leitor esteja sentado, mas a verdade é que esse João Bosco não está mais entre a gente. O artista que nos visita no início da próxima semana é outro, mais circunspecto e mineiro do que nunca.

“Não vou pro céu, mas já não vivo no chão”, o trabalho mais recente de João Bosco, é um disco exigente, voltado pra dentro, daqueles que a gente tem que ouvir vezes seguidas antes de intuir as intenções. João Bosco sempre foi um compositor acústico, de madeira, mas se antes a essência do violão explodia numa alegria quase percussiva, agora o dedilhado do instrumentista parece impregnado por paisagens bucólicas – as montanhas de Minas e a emoção do cantor num acordo tácito de arranjos minimalistas.

Não por acaso, as 13 faixas que compõem o disco quase não possuem outro acompanhamento além das seis cordas. Aqui e ali, uma guitarra discreta sublinha passagens espaçadas com fraseados Jazzy. Uma vez na vida, outra na morte, a bateria dá as caras, marcando o andamento da canção.

Com “Não vou pro céu, mas já não vivo no chão”, João Bosco se mostra um músico de sua geração, sua gente e seu lugar – a casca do violão.

Parcerias – Ao lado do filho Francisco Bosco, que assina a produção do disco, João compôs cinco faixas. Além disso, o compositor retomou a parceria sempre bem sucedida com Aldir Blanc, e dividiu canções com Carlos Rennó e Nei Lopes. Com o primeiro, foram duas canções: “Pronto Pra Próxima” e “Pintura”. Já a parceria com Neil Lopes é estreada “Jimbo No Jazz”, que ajuda a equilibrar o disco, ao retomar a linha afro-índia que marca a discografia de Bosco.

A única canção que não foi composta por João Bosco é “Ingenuidade”, canção de Serafim Adriano imortalizada por Clementina de Jesus que, curiosamente, também está presente no trabalho mais recente de Caetano Veloso.

Como sugere o release assinado por Eucanaã Ferraz, o novo disco de João Bosco não apenas presta um belo testemunho da trajetória de um dos maiores músicos brasileiros, como também indica os rumos que deverão ser seguidos no futuro.

“Assim, na concha do violão de João Bosco parece ecoar a história do samba, da música brasileira, da música negra norte-americana, caribenha, as músicas anônimas das velhas Gerais e da Cidade do Salvador, mas também os Beatles e, por fim, toda a obra musical do próprio Bosco com seus parceiros, cabendo destacar, sem dúvida, este magnífico Aldir Blanc, e a certeza de um novo grande letrista: Francisco Bosco. Tudo se dobra e se confunde numa espiral – outra vez, o barroco – com voltas e giros onde sombra e luz dão corpo e alma a canções que reafirmam a vida e expulsam a morte para muito longe”.

Projeto MPB Petrobras – João Bosco

Local: Teatro Tobias Barreto
Data: 09 e 10 de agosto
Hora: 21 horas

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