Spleen e charutos

julho 27, 2010

Diane Velôso, a rainha do drama

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 3:33 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Neste lugar cavado em mim é onde eu tento me encontrar*

Útero, estômago, feeling… Você pode dar o nome que julgar mais adequado a esse componente intangível, sem o qual qualquer Billie Holiday estaria reduzida a uma negra maltratada, daquelas que suportam a velhice se embebedando num cabaré fedorento, divorciada da verdade das canções. A música, meus amigos, não suporta encenação.

Muitos já se aproveitaram do fato de que Diane Velôso não é propriamente uma cantora, mas uma atriz que empresta seu talento dramático às composições da Banda dos Corações Partidos, para desdenhar o projeto. Pra mim, Diane dá conta do recado. E ponto final.

Eu ainda não havia me detido seriamente sobre a questão. A cada nova apresentação do conjunto, me hipnotizava a elegância dos elementos cênicos distribuídos pelo palco – normalmente, existe pelo menos uma garrafa de vinho e uma taça generosa aos pés de uma Diane completamente tomada pela música, transformada – e pela poesia peculiar de Alex Sant’anna, que constrói narrativas inteiras a partir de um vocabulário mínimo, muito apropriado às miudezas cotidianas sobre as quais o compositor se detém. Isso, até o dia em que li uma consideração deslocada, a respeito da extensão vocal de Diane.

Então a realização artística não passa de pretexto, exibição gratuita da técnica absorvida nos livros ou no banquinho da escola? Aqui em casa isso tem outro nome. Aqui em casa chamamos a ostentação estéril de punheta! Simples assim!

Não existe fingimento na interpretação de Diane à frente da Banda dos Corações Partidos. Sua voz encarna os desencontros que pontuam o repertório do conjunto com a propriedade de quem já provou o amargo de um pileque solitário no balcão de um bar. Pouco importa, aqui, se a experiência foi vivenciada. A moça tira o sentimento de algum lugar.

A condenar, somente, a demora para registrar o trabalho da Banda dos Corações Partidos num disco. Com quatro anos de estrada, público formado e reconhecimento atestado pelos diversos editais nos quais o conjunto foi contemplado, não existe desculpa para protelar o lançamento.

Até lá, contudo, seremos obrigados a nos contentar com as espaçadas aparições públicas da banda, como a que ocorre esta semana, quando a trupe divide o palco do Capitão Cook com o trabalho de Alex Sant’anna e a juventude da Cabedal. De acordo com Alex, a apresentação faz parte de um projeto maior, que deverá ser responsável por pelo menos uma apresentação mensal, reunindo as bandas chegadas. É só a galera pagar pra ver.

Serviço:

Local: Capitão Cook (próximo ao farol da Coroa do Meio)
Data: 31 de julho (sábado)
Hora: 23 horas

*Foto: Snapic

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1 Comentário »

  1. ode é demaaais e o tim cover tb!!!!!!! já o resto deixa dúvidas.

    Comentário por rafa — agosto 3, 2010 @ 2:59 pm


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