Spleen e charutos

junho 10, 2010

Ludi inaugura Rua da Cultura In Door

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 6:09 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

É melação demais pra uma cueca!

A semana passada, a produção da Rua da Cultura divulgou a programação daquela que seria a última edição do projeto nesse primeiro semestre. Sete dias depois, no entanto, os caras me aparecem com a boa nova. Embora o circo comandado pelo diretor de teatro Lindemberg Monteiro realmente tenha cedido o espaço entre os mercados municipais para o arrasta pé, como foi anunciado, eles não pretendem interromper suas atividades. A partir da próxima segunda-feira, 14, as atrações convidadas pela Cia de Teatro Stultifera Navis permanecerão concentradas na Casa Rua da Cultura, que nessa primeira edição do projeto In Door abrigará a exibição do longa-metragem “Quase dois irmãos” (2004), de Lúcia Murat, e apresentação da banda Ludi.

Apesar de reproduzir alguns vícios do cinema brasileiro mais recente, escorado numa sociologia rasteira, o filme de Murat paga a pena da apreciação. A história de “Quase dois irmãos” inicia nos anos 70, quando o País vivia sob a ditadura militar e diversos presos políticos ocuparam as dependências da Penitenciária da Ilha Grande, na costa do Rio de Janeiro. Ocorre que, assim como eles, os assaltantes de bancos também estavam submetidos à Lei de Segurança Nacional e cumpriam pena na mesma galeria. “Quase dois irmãos” aborda o desenvolvimento dessa relação, além do conflito estabelecido por ela.

Já a banda Ludi – que na cabecinha cheia de fixador de seus componentes é uma abreviação do adjetivo lúdico – não passa de um pastiche do pop descartável no qual as multinacionais da indústria fonográfica apostam suas últimas fichas. Infelizmente, no entanto, os nossos conterrâneos resolveram correr tamanho risco por conta própria.

O release dos caras traz informações surreais. Eles reivindicam, por exemplo, uma posição “expressiva no cenário nacional”, e alegam que a banda vem “despontando como grande revelação”. Eu não sei se tais delírios de grandeza estão amparados por algum fato concreto, mas asseguro que eles não possuem conexão com a criatividade exigida pelo exercício artístico.

Interessante é que a banda deixa transparecer certa descrença em relação ao próprio trabalho, e vende seu peixe procurando apoio na frieza dos números, como faria um burocrata, abstendo-se de qualquer consideração de ordem estética. Isso nos poupa o trabalho de desmenti-los, mas nos obriga a algumas observações.

Os arranjos da Ludi são tediosos. Acordes maiores, numa sucessão modorrenta, de uma obviedade colegial, que nos fazem imaginar a coragem (ou cara de pau) necessária para que os músicos pretendessem confortar suas canções com o manto maldito do rock ou, ainda mais absurdo, com a vitalidade desprendida pelo rock alternativo.

As letras, por sua vez, são de uma doçura enjoativa. É preciso muita disposição pra aturar um barbado chorando daquele jeito. É melação demais pra uma cueca! E não me venham com apelações. No peito desse escriba também bate um coração, mas isso não é pretexto para o verdadeiro atentado contra a poesia praticado pela banda Ludi.

Resumindo tudo em poucas palavras, pra não acusarem minha má vontade, os músicos da banda Ludi são competentes, dão conta do feijão com arroz, mas estão longe, muito longe, de ocupar um lugar honroso no terreiro cada vez mais vasto e criativo da música pop brasileira. Infelizmente, eles parecem satisfeitos com o sovaco de uma indústria agonizante, que já não suporta a comparação imposta pelas vozes mais relevantes do cenário independente nacional, e permanecem à margem do admirável mundo novo que sucedeu o império das gravadoras.

Serviço:

Local: Casa Rua da Cultura (Praça Camerino)
Data: 14 de junho
Hora: A partir das 18 horas

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16 Comentários »

  1. Rian Santos, seu filho da pauta! Bem que eu queria isfergá na sua cara o numero de acessos do myspace dos caras, mas uma pena que tá omitido (???). Pra sua sorte! kkkkkkkkk

    Comentário por Deilson Pessoa — junho 11, 2010 @ 3:14 pm

  2. Pior que não! O número é impressionante, mesmo. Mas, se a questão for essa, vamos acabar entoando juntos o último hit da Calcinha Preta. Não sei quanto a você, mas eu me recuso!

    Comentário por spleencharutos — junho 11, 2010 @ 4:35 pm

  3. Fico feliz pela Ludi em receber este tipo de crítica. Muito positiva.
    Ainda bem que os caras estão longe. Se o caminho fosse curto não teria graça.
    Parabéns pelo texto.

    Comentário por liko — junho 17, 2010 @ 2:55 pm

  4. Foi-se o tempo em que bandas com boa sonoridade e que tinham algo para dizer, ou não, eram influências para uma série de outras tantas. Hoje, é audível que bandas do cenário brasileiro atual – não citarei as inúmeras discrepâncias nacionais e gringas existentes – consigam exercer essa função. É o caso do NXZero (credo!), que me parece uma forte influência para a Ludi (mesmo que os integrantes não curtam, seguem a mesma linha). Muito choro, guitarras babadas, baixo inexpressivo… me deu um forte mal-estar.

    Quanto a quantidade de acesso no Myspace, acho que isso não faz juízo de valor. Caso faça, é aquela velha estória: bom gosto é como braço. tem gente que tem, outros não. Rs!

    Comentário por Juliana Sobral — junho 19, 2010 @ 6:05 pm

  5. Acho que vc julgou a ludi sem se aprofundar nos fatos…

    Se tivesse ao menos escutado, veria que a ludi quase n tem guitarras…
    que as melodias são baseadas em melodias mt pouco previsíveis…

    Vc cometeu um terrível equívoco!!

    E ao que me consta hj, Pádua é o melhor vocalista de Sergipe em atividade.

    Pergunta ao Rafael da Deckdisc…

    kkkkkkk
    Bjos

    Comentário por Lau — junho 23, 2010 @ 5:29 pm

  6. Lau, se você passar por aqui novamente e puder me fazer um favor, tente explicar o que queria dizer quando afirmou que “as melodias são baseadas em melodias mt pouco previsíveis…”. Aguardo ansioso e agradecido.

    Outra coisa: A opinião do Sr rafael da Deckdisc é só a opinião do Sr Rafael da Deckdisc. Ele tem a dele e eu, que tenho a discografia de Bilie Holiday em meu HD, tenho a minha.

    Uma última observação. Se você puder me apontar a passagem do texto que menciona o exagero ou carência de guitarras, não apenas agradeço mais uma vez, como ainda lhe passo umas discas de discos.

    Abraço!

    Comentário por spleencharutos — junho 23, 2010 @ 10:44 pm

  7. Aviso aos navegantes. O escriba não é juiz de futebol. Discordem, mas o façam na boa, como nosso amigo Lau um pouco mais acima (aproveitem pra me contrariar e demonstrar um pouquinho de maturidade). Os comments do blog são moderados, e mamãe não tem nada com isso!

    Comentário por spleencharutos — junho 25, 2010 @ 11:49 am

  8. Então, grande Lau (curto vocativos motivacionais)!

    Antes de tudo, é preciso saber ouvir (ler) críticas. Cada um tem a sua opnião e a minha é de que a banda Ludi é muito ruim. Pode ‘Jesus’ descer na sua casa, entrar no Myspace da banda e pregar que a parada é boa onde ele quiser. Não importa! Para mim, a banda continuará a ser pobre, para não dizer risível. No máximo, ficaria entristecida em saber que até no ‘céu’ a praga das músicas ruins perdura.

    Em relação a escutar ou não a banda, ouvi o suficiente para o meu desagrado – só digo o que penso ser ruim ou não, com conhecimento de causa. Aliás, leia outra vez o que escrevi no comentário acima. Quero acreditar que você não tem dificuldades com interpretação de texto. E, francamente, como fazer tão mal uso da guitarra no pouco espaço que lhe foi ofertada?

    No mais, diz ao Rafael Ramos (Deckdisc) que não é porque ele se deparou com a interessante Mamonas Assassinas e teve o prazer de trabalhar com as cabeças inteligentes do Ultraje a Rigor, no cd 18 Anos Sem Tirar!, por exemplo, que ele será certeiro em tudo nesta vida, quem dirá no que diz respeito às produções sergipanas.

    Comentário por Juliana Sobral — junho 26, 2010 @ 2:58 am

  9. Eu não conheço Juliana, mas leitores como ela me enchem de orgulho! rsrs

    Comentário por spleencharutos — junho 26, 2010 @ 1:26 pm

  10. ‘Se bate de leve dói, bate de com força mata..’ (:

    Comentário por Juliana Sobral — junho 26, 2010 @ 11:53 pm

  11. Eu só acho que não tem motivo para um texto deste cheio que querer falar bonito e não dizer nada. sinceramente pessoal se vocês tem capacidade de fazer melhor, então que faça. que tal, Monte sua banda, ganhe seus concursos, vão embora em busca de um objetivo e pronto. Agora pelo amor de deus, criticar a vontade dos outros querer crescer é nojento e te garanto. que no futuro não vale ficar chorando em casa dizendo que deveria ter feito isso ou aquilo. Porque pelo menos eles tentaram e você? Há desculpa, vai ser escritor e não músico.

    Abraços.

    Comentário por Fabrinio Lemos — outubro 19, 2010 @ 3:59 pm

  12. Rapaz, vamos aprender a pontuar uma frase?

    Comentário por spleencharutos — outubro 19, 2010 @ 9:50 pm

  13. Cara, que gozado. Eu não havia lido isso antes, só ouvi falar.
    Conversando com os meninos quando fui a Sampa, perguntei o que eles achavam sobre isso, o Padua sorriu e me respondeu:

    “Eu achei fantástico, quando o disco novo estiver pronto, vou enviar pra que ele escreva a resenha.”

    Me desculpe a franqueza Rian, mas pouca coisa do que voce escreveu faz realmente sentido.
    O curta “Quase dois irmãos” por exemplo é muito interessante.
    A Rua da Cultura sempre abriu espaço para as manifestações artísticas mais espontaneas (O que é louvável!),
    e por isso, acho natural que em algum momento desagrade as pessoas mais radicais.
    Quanto a banda, tenho quase certeza que voce sequer escutou. Olhou o disco e o julgou pela capa.
    “É quase primavera” tem uma poesia linda, assim como “Café, sonhos e poesias” que já foi premiada várias vezes, inclusive pelo Sescanção (SE).

    Uma coisa é ter sua opnião, outra é julgar algo sem ter informações suficientes, isso se chama “Pré-conceito”, (Ao pé da letra!).

    Jonas Etinger

    Comentário por Jonas Etinger — maio 31, 2011 @ 7:34 pm

  14. Voce poderia escrever algo mais produtivo, buscar informações positivas, falar bem de algo.
    Mas faz exatamente o contrário: Escreve coisas ruins de pessoas que acreditam e lutam por seus sonhos.
    Vc deve ser um cara frustado por ser estranho e sem talento, deve sofrer por saber que nem gel fixador ajeita seu cabelo ruim,
    Por adorar música, mas ser afonico e incapaz de reproduzir qualquer som que faça sentido.
    Os caras são mt bons velho. O baterista é aleijado e ainda assim, toca pra caralho, o vocalista canta mt bem, o baixista é canhoto classico e toca de dedo!
    Não conheço os outros 2 integrantes, mas pelo cd, parecem tocar bem.

    As melodias em sua maioria tem acordes menores, e as sequencias quase nunca se repetem, vc entrou num campo que desconhece, pois qualquer iniciante saberia disso.
    As letras são mt bem elaboradas e maduras, além disso mt bem amarradas nos espaços. Hj em dia virou raridade bandas que tem essa preocupação com a poesias em si. Saem escrevendo qualquer coisa que nem sempre faz mt sentido.
    Achei absurdo vc afirmar que a banda comete “Um atentado a poesias”.
    Penso ainda, que cada um escolhe sobre o que quer escrever: A ludi escreve sobre suas histórias vida e sobre amor, enquanto vc fala mau dos outros.

    Comentário por Angelo — maio 31, 2011 @ 8:08 pm

  15. Cara, que gozado. Eu não havia lido isso antes, só ouvi falar.
    Conversando com os meninos quando fui a Sampa, perguntei o que eles achavam sobre isso, o Padua sorriu e me respondeu:

    “Eu achei fantástico, quando o disco novo estiver pronto, vou enviar pra que ele escreva a resenha.”

    Me desculpe a franqueza Rian, mas pouca coisa do que voce escreveu faz realmente sentido.
    O curta “Quase dois irmãos” por exemplo é muito interessante.
    A Rua da Cultura sempre abriu espaço para as manifestações artísticas mais espontaneas (O que é louvável!),
    e por isso, acho natural que em algum momento desagrade as pessoas mais radicais.
    Quanto a banda, tenho quase certeza que voce sequer escutou. Olhou o disco e o julgou pela capa.
    “É quase primavera” tem uma poesia linda, assim como “Café, sonhos e poesias” que já foi premiada várias vezes, inclusive pelo Sescanção (SE).

    Uma coisa é ter sua opnião, outra é julgar algo sem ter informações suficientes, isso se chama “Pré-conceito”, (Ao pé da letra!).

    P.s. Não apague os comentários, trapacear é feio.

    Jonas Etinger

    Comentário por Jonas Etinger — maio 31, 2011 @ 8:21 pm

  16. Pessoal, sinceramente vocês com comentários negativos são ridículos. Alguma vez conseguiram correr atrás dos seus sonhos? pois é acho que não. Então o que tenho a dizer é, vamos lá LUDI com guitarras, sem guitarras, com melodias para fuleiros, maconheiros, revoltados, amigos, mulheres entre outros. o que importa é vocês chegarem onde querem chegar e pronto. Daqui há alguns anos estas mesmas pessoas estarão dizendo: – olha essa banda é de Sergipe, tenho o maior orgulho dela. Para os negativos, quem sabe com algo positivo na vida de vocês não consigam admirar o sonho dos outros.

    Comentário por Fabrinio Lemos — julho 31, 2011 @ 9:42 pm


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