Spleen e charutos

maio 27, 2010

Com o diabo na munheca

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 6:59 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Urgência de vida em cada uma das canções

Acorde a alegria, vista logo a fantasia. A Cabedal vai lançar “O novo pastiche”, seu primeiro disco, e convida a molecada boa da cuca para se juntar à festa, uma verdadeira ode à satisfação, no show que realiza no início da próxima semana entre as quatro paredes sem teto do Espaço Cultiva.

O primeiro trabalho da Cabedal deve provocar uma reação parecida com o bulício suscitado por suas últimas aparições, invariavelmente festejadas com uma exultação sintomática, que revela a disposição com que a cena local vem acolhendo novos personagens, ao mesmo tempo em que atesta a importância do momento singular vivido por nossa música.

“O novo pastiche” guarda nuances preciosas, que passam despercebidas no meio da farra, quando os acordes carregados de suingue colocam a galera pra balançar embalada pela urgência de vida impregnada nas canções de Saulo Sandes. A primeira coisa que chama a atenção no disco, contudo, é a diversidade de gêneros distribuídos entre as 10 faixas que o compõe. Samba, frevo, rock, pagode, e o que mais der na telha dos caras, sempre guarnecidos por uma divisão rítmica característica – que algumas vezes remete sem querer, com muito recato, ao fraseado particular de Jackson do Pandeiro –, e por um timbre vigoroso, que transpira das guitarras sem ofuscar o volume do baixo bem marcado, a precisão da bateria e o colorido emprestado por uma percussão sempre oportuna, embora discreta.

A segurança esbanjada pelo sexteto formado por Saulo Sandes (vocal e guitarras), Alexandre Marreta (guitarras), Manuel Carvalho (Baixo), Ravy Bezerra (Bateria), Adriano Cavalcanti (Percussão) e Diego Menezes (Percussão) impressiona. Músicos jovens, os meninos demonstram uma intimidade com seus instrumentos capaz de dar inveja em qualquer casal idoso, farto dos esforços exigidos pelos exercícios do amor.

Parece que os caras amarraram o diabo na munheca. Além das letras inspiradas, canções como “Emplastro brasileiro”, “Menina”, “O girassol do teu vestido” e “Batucada” possuem uma pegada irresistível, cujo ápice alcança nossos nervos com a explosão do Wah-Wah de “A consolação”.

“O novo pastiche” prova, sem dar chance de contestação, que é possível enterrar os pés na aldeia sem ignorar a circunferência do mundo. Ao seguir na direção apontada pelas cenas mais fecundas do cenário independente brasileiro, se apropriando dos elementos presentes na tradição musical brasileira para reescrever a história a seu modo, a Cabedal não apenas dialoga com seus pares, mas encarna uma nuance do fazer musical que está se tornando, felizmente, cada vez mais nossa.

Serviço:

Local: Espaço Cultiva (em frente ao Oca Bar)
Data: 02 de junho (quarta-feira)
Hora: 22 horas

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: