Spleen e charutos

maio 13, 2010

O circo de Polayne no Capitão Cook

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 6:55 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Mas dá licença, eu vou passar com meu trovão...

O lançamento do Circo Singular de Patrícia Polayne foi o acontecimento cultural do ano passado. Aguardado com muita ansiedade, depois de uma espera interminável, o registro foi saudado com entusiasmo inédito, amparado exclusivamente na trajetória vitoriosa da cantora, que já havia se consagrado como compositora das mais talentosas nos diversos festivais que pontuam a sua carreira. Agora, passada a euforia, o trabalho de Polayne volta à tona com o show Circo Íntimo, que o Capitão Cook abriga esta semana junto com o lançamento do clipe Arrastada.

A maturidade deixou Polayne mais menina. Em suas aparições, nas composições mais recentes, nas entrevistas que concedia, ela nos dizia o tempo todo, insistente, que não era mais a artista que conquistou o Canta Nordeste em 95 com “Camará”. Como um Bob Dylan que adotasse a guitarra elétrica, no entanto, apesar de tantos avisos, Patrícia ainda surpreendeu muita gente.

Reside nas razões do espanto provocado a maior qualidade de seu Circo Singular. Quando ela decidiu conhecer a vida mambembe, a música sergipana correu o risco de nunca mais sorrir com a mesma alegria. As canções que trouxe do exílio, contudo, exalam uma vivacidade muito particular, que pintam um retrato de nossa cultura sem ceder ao bairrismo ou à nostalgia, e se apropriam de seus elementos para, de maneira espontânea, inseri-los num universo pop muito apropriado para que o pandeiro de Pedrinho Mendonça dialogasse de maneira adequada com as guitarras de Júlio Holanda.

O Circo Singular é um disco cheio de estações, repleto de terminais, chegadas e partidas. Se em “Arrastada” a compositora quase chega a ponto de se desculpar pelo abandono e pede licença para voltar ao nosso convívio, em “Quintal Moderno” ela passeia pela Rua da Frente num dia de chuva e nos acena como quem diz adeus. Há, ainda, entre as faixas mais interessantes, a belíssima “Lentes de Contato”, composta por Marcos Vilane, numa interpretação pessoalíssima de Patrícia, e “Sapato Novo”, que nas apresentações ganha uma energia impressionante, e demonstra que o palco é a verdadeira casa de qualquer artista que se preze. Entre as ressalvas, se é preciso alguma, a dispensável “Rio Sim”, talvez justificada pela participação especial de Roberto Menescal.

O Circo Íntimo, show que Patrícia Polayne apresenta esta semana, com os músicos Dudu Prudente (bateria epercurssão) e Fabinho (baixo), é muito oportuno, como é oportuna a aparição de qualquer artista com um pingo de talento que se dispõe a celebrar a felicidade da criação dialogando com os seus, à procura de sua gente.

Serviço:

Local: Capitão Cook (Próximo ao farol da Coroa do Meio)
Data: 15 de maio
Hora: 23 horas

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2 Comentários »

  1. Só uma pequena observação, Rian. “Lentes de Contato”, salvo engano, é uma composição de autoria de Kleber Melo e Bruno Montalvão.

    Comentário por Wedmo Mangueira — maio 13, 2010 @ 10:33 pm

  2. Opa! Bola fora! Wedmo tem razão!

    Comentário por spleencharutos — maio 14, 2010 @ 6:52 pm


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