Spleen e charutos

maio 6, 2010

Maria Scombona no olho do furacão

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 7:04 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Maria Scombona, música e alegria

A Maria Scombona podia se dar ao luxo do comodismo, ceder ao conforto preguiçoso de um latifúndio cercado há muito, e viver do enorme prestígio que carrega no fundo dos bolsos, fiada no carinho alimentado por suas canções. Merecedora dos aplausos que sempre acompanham o quarteto, a banda resolveu fazer ainda mais pela nossa cena, e bolou o Maria Convida, integrando os principais personagens desse universo sob os melhores pretextos do mundo, a música e a celebração.. Eu conversei com o batera Rafael Jr para conhecer as motivações do projeto. O caldo da conversa é servido logo abaixo.

Jornal do Dia – Como nasceu o Projeto Maria Scombona Convida? Quem tá de fora tem a impressão de que a Maria finalmente compreendeu a importância de seu papel e, ciente da responsabilidade, resolveu agitar a cena. É absurdo mencionar a existência de uma espécie de mainstream nesse mundinho?

Rafael Jr – A gente sempre se mobilizou e sempre teve consciência do papel do grupo, mas toda banda tem seus ciclos e nem sempre organizávamos shows menores, auto- produzidos. Dá trabalho! Mas fizemos workshops nas escolas e no interior, por exemplo. A gente caminha com as próprias pernas, sempre!
A idéia do Maria Convida é dar uma agitada mesmo. Temos um repertório novo, do terceiro CD, pra testar ao vivo. O disco tá ficando bem legal e sai no segundo semestre. Estamos preparando terreno, ajudando a cena com esse projeto, como você bem disse.
Sobre maistream dentro da cena independente, acho que não procede. Vejo todo mundo num mesmo barco. Alguns têm mais prestígio e popularidade, em função do tempo em que estão na estrada, mas acho que a qualidade da música produzida nos coloca todos em pé de igualdade.

JD – Eu sempre senti falta de um contato mais íntimo da Maria com o seu público. A banda sempre foi bastante ativa, é dona de uma produção bem razoável para os padrões sergipanos, mas parece que não via nas apresentações uma prioridade. Na qualidade de fã, posso dizer que entre uma apresentação ocasional, num Projeto Verão da vida, e a militância cotidiana no Capitão Cook de todo fim de semana, a segunda alternativa me parece mais interessante, pelo grau de envolvimento com o universo em que gravitam as bandas, tão carentes de atenção. A observação faz algum sentido? O projeto também responde a essa carência?

Rafael Jr
– O que você fala tem muito sentido! Não era falta de vontade. Henrique falava muito nisso, há um tempo, mas a gente não botava a idéia em prática por uma série de motivos. Depois passamos um tempo sem produtor – agora, temos o Márcio Eugênio dando uma força nessa parte, essencial pára viabilizar um evento decente. Mas você está mencionando tempos mais recentes, da era Capitão Cook. Antigamente, a gente fazia muita coisa, e nos workshops pelo interior (2007) e nas escolas (2006 e 2008) tivemos muito dessa proximidade com o público, muitas vezes privilegiando uma molecada que nem freqüenta show pela idade ou por falta de recursos.

De qualquer modo, estava mesmo na hora de voltar ao centro da cena, ao olho do furacão, e o projeto também supre essa necessidade da banda de se comunicar com seu público, sim!

JD – Como vocês chegaram aos nomes convidados para se apresentar no Cook? Existe alguma intenção de reunir gerações? Na apresentação desta semana, a gente observa que a Maria convidou Joésia, um dos nomes mais importantes da Geração de 80, e a Elvis Boamorte, da safra mais recente da música sergipana…

Rafael Jr – Fizemos uma lista inicial de artistas/bandas que representam a cena, que possuem um trabalho autoral consistente, que curtimos e respeitamos, e que também têm afinidade sonora com a Maria Scombona. Depois de um contato inicial, sentimos o feedback empolgadíssimo da maioria, e está dando super certo. Temos diversidade e gerações diferentes, como você mesmo observou. Pra gente, é tão importante reverenciar Nino Karvan e Joésia Ramos quanto incentivar Elvis Boamorte e Cabedal, bandas excelentes, que certamente vão conquistar espaços.

JD
– Quando é que a gente vai poder apalpar o disco novo da Maria? Ele vai mesmo se chamar Cru?

Rafael Jr – Sai no segundo semestre, como eu já falei, e é bem cru, mas deverá se chamar “Unnu”, que pode ser lido como “Uno” ou “Um nu”, justamente pela crueza, por estar despido de artifícios tecnológicos, por mostrar a essência da banda, a partir das composições de Henrique Teles.

JD – A energia da última edição do Projeto, quando Alex Sant’anna fez uma gracinha no palco do Cook, me surpreendeu. A gente pode esperar a mesma energia na terceira etapa do projeto?

Rafael Jr – Tem sido assim desde a primeira etapa. O clima de Jam Session no fim é muito bom. Tocamos Secos & Molhados e Hendrix com a The Baggios, que tocou música da Maria, que cantou composições de Ivan Reis e Alex Sant’anna, que também cantaram Maria Scombona… E teve Jackson do Pandeiro, Jorge Ben, Ray Charles e Wilson Simonal! Tudo junto e misturado, uma beleza! Nessa sexta tem xote de Joésia, tem Manu Chão e tem Tim Maia!

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