Spleen e charutos

abril 23, 2010

Quando Maria convida, a casa enche

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 7:18 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Em cima do palco, Henrique Telles e Alex Sant’anna jogaram um monte de tralha fora

Em uma de tantas sacadas, o jornalista Millôr Fernandes deduziu que o problema da vida reside em sua natureza diária. Atrevido, me concedo a ousadia de acrescentar que o problema do jornalismo mora aí também. Outro dia, o colega Edney Araújo, produtor do programa Rota 99, da Liberdade FM, cobrou uma cobertura maior do underground sergipano. Exigente, o rapaz não se conforma apenas com a divulgação dos eventos e, praticamente, condicionou a aquisição deste diário a uma leitura pessoal de nossos inferninhos. Radicalismos à parte, Edney estava coberto de razão. Nossa imprensa é muito noticiosa, pouco reflexiva, e se eu não fosse tão preguiçoso beberia menos para me dedicar com mais freqüência à crônica de nossos subterrâneos musicais.

Na última sexta-feira eu não bebi pouco. De qualquer modo, tive oportunidade de testemunhar uma das farras mais astrais já abrigadas pelo Capitão Cook. A princípio adiada por obra e graça de São Pedro, a segunda edição do projeto Maria Scombona Convida contou com a participação do músico estanciano Ivan Reis, que abriu os trabalhos e temperou o clima da festa com o domínio que sempre exibe ao executar a guitarra, e do cantor e compositor Alex Sant’anna.

Entre baladas de seu repertório autoral e clássicos do calibre de “While my guitar gently weeps”, Ivan Reis fez justiça à banda que o acompanhou – formada pelos Scombonas Robson Macaxeira (baixo) e Rafael Jr (bateria) – e ainda dividiu, lá pra fim da apresentação, a responsabilidade das seis cordas com o monstrinho Saulo Ferreira. Não é qualquer guitarrista que pode dialogar com esse preto em cima do palco, mas Ivan Reis segurou a onda e continuou mandando bem, como uma dose de conhaque que antecipasse a bebedeira.

Quando Henrique Telles e Alex Sant’anna deram as caras, a farra já varava a madrugada. Depois de um intervalo merecido e uma pausa de nada para acalmar os ânimos (um gole de água, pelamordedeus!), Telles assumiu o comando do microfone e o papel de anfitrião. Como diria um amigo, foi madeira! As canções mais conhecidas da Maria botaram o Capitão Cook pra sacolejar, mas não ofuscaram a razão de ser daquela noite.

Lá pras tantas, Alex foi convidado para o palco e, junto ao amigo de outros Cooks e carnavais, executou Tralha, uma parceria com Marco Vilane que se prestou perfeitamente à alternância dos vocais. Foi o ponto alto de uma noite repleta de acontecimentos – houve até Jackson do Pandeiro! –, não apenas pelo abraço fraterno dos maiores protagonistas da atual cena sergipana, mas sobretudo pela nudez da própria canção. Eu aposto que eles sabiam bem do que falavam quando berraram o refrão: “A gente guarda/ E já não há espaço pra tanta tralha”.

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