Spleen e charutos

março 11, 2010

The Baggios nos trilhos de São Paulo

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 3:14 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Alguém arrisca onde esses meninos vão parar?

Na próxima terça-feira, os meninos da banda The Baggios chegam à terra da garoa para realizar uma série de shows e gravar o primeiro disco oficial. Na passagem por São Paulo, o duo formado por Julio Andrade (guitarra e vocal) e Gabriel Carvalho (o batera Perninha) ainda aproveitará a oportunidade para gravar o videoclipe da música “Em outras”, com a participação de Rafael Costello, ex-Plástico Lunar e Rockassetes. Era o pretexto que a gente precisava para reconstruir a trajetória que inicia em um violão detonado, no sonho improvável de Pegar um Punga e cair fora da pacata São Cristóvão, sem estação prevista para encontrar.

Jornal do Dia – É difícil imaginar um moleque que aprendeu a tocar paletando um Kashima de cordas enferrujadas numa cidade pacata como São Cristóvão conquistando o respeito da cena independente nacional. Como você encara essa transformação? O guri interiorano possui alguma semelhança com o Rei do Blues?

Julico – Acho que carrego algumas coisas dessa época, inclusive esse kashima de cordas enferrujadas, mas nós seres humanos vivemos em constante transição. Acho que estou um pouco mais maduro. Afinal, estou nesse lance de tocar Rock há 8 anos, seis deles dedicado a The baggios, e nunca curti ver as coisas se repetirem. Desde que comprei minha primeira guitarra procuro coisa nova pra ouvir, conseqüentemente me desenvolvo, amadureço, me torno exigente e tento fazer algo que pelo menos soe diferente.

JD – De que maneira a gravação dos primeiros EPs deverá influenciar na confecção desse primeiro disco oficial? Ele já tem nome? A gente pode esperar a energia densa e suja que impregnou suas primeiras composições, fazendo justiça aos aos acordes envenenados do blues, ou os tapinhas nas costas e o sorriso solícito das menininhas ajudaram a acalmar os demônios escondidos em seu coração?

Julico – Por onde a gente tem passado, sempre tem alguém comparando nossas apresentações com as gravações, e o comentário é sempre o mesmo: “Nem se compara o show com os EPs”. Depois de ter ouvido isso de várias pessoas, concordei e coloquei na cabeça que devemos capturar nosso som de uma forma mais crua e pesada, como nos shows. Acredito que o disco vai soar mais pesado e mais rock, não deixando de lado a essência Blues. Tem um nome pro disco que guardo na cabeça faz anos: “O azar me consome”, nome de uma das músicas do disco, que espera pra ser gravada há quatro anos.

JD – Qual a participação de Perninha (batera) no disco? Ele é só um instrumentista ou interfere de alguma maneira na concepção das canções e nos arranjos? Quando ele entrou na banda, muita gente ficou impressionada com o vigor que as canções da Baggios ganharam.

Julico – Ele, sem dúvidas, era a peça que faltava na Baggios. Um figura dedicada ao instrumento e cheio de boas influências para oferecer. Ele é um dos culpados do amadurecimento da banda.

JD – Como a turnê paulista foi viabilizada? Parece que tem algo a ver com o Circuito Fora do Eixo, não é mesmo? É uma pena que ele não tenha dado as caras por aqui…

Julico – Venho visando uma viagem pra São Paulo desde 2008, e vi que não é tão difícil marcar um show por lá, contanto que seja com muita antecedência e que você tenha como chegar lá. Eu e Gabriel estávamos discutindo como gravar o disco, onde gravar, daí resolvemos unir a necessidade de gravar e a vontade de tocar em Sampa. Comecei a mandar emails pra casas noturnas, amigos, conhecidos de conhecidos e assim foram aparecendo uma data aqui, outra ali.
Uma das figuras importantes nessa tour foi Quique Brown, membro da banda Leptospirose, de Bragança Paulista. Ele conseguiu 80% das datas, algumas delas, graças à integração dele ao Fora do Eixo, que conseguiu encaixar a gente na etapa final da Tour do Porcas Borboletas, de Uberlândia (MG). Nós vamos pegar um Punga, literalmente, nessa van com os caras.
O Fora do Eixo tem crescido m. Em novembro de 2009, o Pablo Capilé (O cabeça) passou por Aracaju e integrou a Rede Musica Sergipe (rede que conta com os coletivos Ouça, Beco dos cocos e o Pela Cena) ao Fora do Eixo. A rede está se desenvolvendo aos poucos, e pretende movimentar mais a onda independente por aqui.

JD – Pra terminar com um clichê, você podia relatar os planos da Baggios em 2010.

Julico – Esse ano quero muito que a gente consiga circular mais que o ano passado, tocar nos Festivais Independetes por aí, fazer outras Turnês, lançar o disco no final do primeiro semestre, manter esse ritmo de banda, cheio de gás, e torcer pra que o disco venha do jeito que esperamos e que a gente consiga agradar a esses roqueiros exigentes!

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