Spleen e charutos

março 2, 2010

NPD abriga debate com Hermano Penna

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 7:56 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Édipo Rei no sertão profundo de Guimarães Rosa

Dona de uma produção audiovisual que beira a completa insignificância, Aracaju talvez seja uma das capitais nordestinas melhor aparelhadas para a discussão do segmento. Anualmente – desde que a Petrobras abençoe a iniciativa – o Curta-SE traz sangue novo para a conversa, auxiliando o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira na ingrata tarefa de fomentar a nossa produção independente. Por alguma razão misteriosa, no entanto, parece que um festival anual e um espaço dedicado exclusivamente a esse universo não tem sido suficiente para agregar personagens comprometidos com a causa. A ausência escandalosa de nossos principais realizadores (como os diretores contemporâneos gostam de ser chamados) nos eventos promovidos pelo NPD mostra em que pé a coisa anda. Apesar disso, Graziele Ferreira, à frente do espaço, continua trabalhando, e esta semana traz o premiado Hermano Penna para discutir seu filme mais recente.

O filme – “Olho de Boi” é uma livre recriação da tragédia de Édipo Rei transposta para o sertão profundo de Guimarães Rosa. Nos diálogos e sombras inquietantes, seus personagens questionam a legitimidade da verdade e discorrem sobre valores e sentimentos universais.

Modesto (Genézio de Barros) e seu protegido Cirineu (Gustavo Machado), dois peões de fazenda, se embrenham no sertão em busca de vingança. Modesto sofre: existe a denúncia de que sua mulher Evangelina (Angelina Muniz) o está traindo.

Realidade ou não, o ódio, a mágoa, o ciúme e o amor são um amálgama de sentimentos que confundem a razão e cegam a verdade. Tudo está no olho escuro de um boi e no olhar cego de um Deus mudo.

O diretor – Com “Sargento Getúlio” (1983), seu primeiro longa-metragem, Hermano Penna foi premiado como melhor diretor no Festival de Locarno, Suiça, e ainda conquistou o prêmio de melhor filme em Gramado.

Cearense, nascido em 1945, passou a juventude na Bahia. Em meados dos anos 60 mudou-se para Brasília e, em seguida, para São Paulo, onde começou a trabalhar como assistente de direção em “O profeta da fome” (1969), de Maurice Capovilla, e como assistente de câmera em “Gamal, o delírio do sexo” (1970), de João Batista de Andrade.

Entre a metade dos anos 70 e o início dos 80, dirigiu documentários para o programa de televisão Globo Repórter, como “A mulher no cangaço” (1976) e “África, mundo novo” (1977).

Seu segundo longa, “Fronteira das almas” (1987), inspirado em romance de João Ubaldo Ribeiro, foi premiado como melhor filme e direção pelo júri oficial no III Rio Cine Festival. Três nãos depois dirigiu seu terceiro longa-metragem, “Mário”. Em 2007 finalizou “Olho de boi”, prêmio de melhor ator, para Gustavo Machado, e melhor roteiro, para Marcos Cesana, no Festival de Gramado. Em janeiro de 2008, “Olho de boi” foi exibido na mostra Cine Latino do festival de Palm Springs, nos EUA.

Serviço:

Local: NPD (Rua Lagarto, 2161)
Data: 04 de março
Hora: 17h30

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