Spleen e charutos

janeiro 12, 2010

Sergipe é mesmo o país do forró?

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 5:27 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Rogério se pergunta, atônito, onde andará o forró

Há exatos dois meses, um grupo de artistas ligados ao mais genuíno dos gêneros musicais sergipanos encontrou o governador em exercício Belivaldo Chagas para lhe entregar uma pauta de reivindicações bastante extensa, na esperança de acabar com o que classificam como uma “verdadeira perseguição”. Resumidos em apenas uma sentença, os 47 pontos da pauta pretendem a valorização do forrozeiro e o resgate de nossas raízes. Apesar da justiça da causa, no entanto, eles se dizem decepcionados com o tratamento que lhes foi dispensado pelos gestores de nossa cultura desde a fundação do Movimento Salve, e avisam que não irão se acomodar.

De acordo com o forrozeiro Rogério, os artistas populares identificam um ranço pré-conceituoso na condução da política cultural do estado. Ele lembra que a sua geração, a mesma que hoje estaria marginalizada, foi responsável pela criação do conceito de artista local, e cobra o devido reconhecimento.

“Em nossa época, a maioria dos cantores da noite sergipana tinha um repertório baseado em Nelson Gonçalves e coisas do gênero. Fomos nós, com nossa coragem e criatividade, que criamos os traços que hoje identificam a música sergipana”.

Alguns dos pontos presentes na pauta apresentada pelo Movimento Salve, a exemplo da recuperação das festas que tomavam conta da Rua São João e do Gonzagão, seriam ponto pacífico, e já estariam aos cuidados da Secretaria de Estado da Cultura. Um projeto criado por Rogério, batizado como “Atelier do Gonzagão”, pretende realizar um trabalho de inclusão social através de workshops ministrados por músicos voltados para os alunos da rede estadual de ensino.

Para Tonico, um dos líderes do movimento, essa não é uma demanda apenas dos artistas, mas da própria comunidade, verdadeira protagonista dos eventos que ocorriam nesses espaços. “Acabar com eles foi um verdadeiro absurdo. Eles pertenciam à população”.

Apesar disso, Tonico insiste que o Movimento Salve foi uma reação dos artistas ao desprezo, e questiona as motivações que lhes obrigaria a essa situação. Segundo ele, ao privilegiar uma parcela dos artistas em atividade no estado, a Secult seria responsável pelo sectarismo que hoje pode ser observado entre os músicos.

“A gente percebe que existe um componente ideológico na distribuição das oportunidades. Como o forró é um gênero que sempre foi bem recebido em nosso Estado, a Secult nos identifica com governos passados. Para deixar sua marca, a secretaria nos penaliza”.

O músico Mingo Santana, que se identifica como um “sergipanista” e já manifestou seu apoio ao movimento, reitera o seu ponto de vista, afirmando que a briga do Movimento Salve diz respeito ao conjunto da sociedade. “Devemos todos apoiar todo e qualquer movimento de libertação”.

O resumo da ópera, a briga pela implantação de uma política cultural independente de gestores e governos, no entanto, foi escrito pelo cantor Rogério. “Quando eu cantei que Sergipe era o país do forró, isso se devia a uma razão muito evidente. O forró estava espalhado pelos quatro cantos do estado. Onde está ele agora?”.

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7 Comentários »

  1. Rian,
    Fantástica a matéria SERGIPE É MESMO O PÁIS DO FORRÓ?
    parabéns!!!

    Comentário por Isabel Souza — janeiro 12, 2010 @ 6:32 pm

  2. Caro jornalista Rian
    Queremos agradecer o apoio que o Jornal do Dia tem dado ao artista sergipano, é uma demonstração de compromisso com a nossa cultura.
    Nosso muito obrigado!

    Comentário por Movimento Salve — janeiro 12, 2010 @ 6:42 pm

  3. o mvimento salve atingiu vitorias dentro das reinvidicaçoes abordadas durante suas interferencias uma delas é ter feito o governador em exercicio te-los recebidos no palacio para ouvir o clamor da classe e naquele encontro entre varias solicitaçoes tratava o projeto verao o pequeno numero de artistas locais e da coincidencia dos menmos nomes formarem a programaçao , de pronto o governador Belivaldo ordenou a secretaria de cultura um acrescimo na programaçao e ai surgiu o edital para acrscentar mais 10 nomes na programaçao o mais interessante é que foi feito um edital onde os escolhidos caracterizam pela distancia da identidade local e os 22 que nao entraram na programçao nao foram divulgados porque este misterio com os deletados qual o mal em expor estes nomes a sociedade ??/?//?/??/?/?/////

    Comentário por Tonico Saraiva-Presidente do Movimento Salve — janeiro 12, 2010 @ 11:27 pm

  4. Ideais semelhantes ao regionalismo de Gilberto Freyre, Jose Lins do Rego e entre outros? É talvez a nostalgia e o receio de perder espaço e dessa forma evocar o passado para fins conservadores.Manter a tradição, a velha ordem estabelecida.

    Comentário por Allen — janeiro 13, 2010 @ 2:48 pm

  5. Allen é um menino bom, não desperdiça nenhuma palavra! Cá pra nós, no entanto, não se trata de manter um estado de coisas, mas de preservar a diversidade. Estou (re) lendo agora o “Verdade Tropical” de Caetano Veloso. Interessante como o cara que queria quebrar tudo se voltava para o passado com o maior respeito do mundo, ainda que aquele modelo não lhe coubesse… Extemporânea, parece que a leitura do livro por essas bandas está mais em pauta do que nunca!

    Comentário por spleencharutos — janeiro 13, 2010 @ 6:24 pm

  6. É basicamente um jogo político, Rian. Quando digo político, digo não no sentido partidáro, mas entendendo política como jogo de poder e que esquadrinha a sociedade. É preservar a diversidade realmente o que está em jogo, creio eu, mas não sei se o pessoal do movimento entende desta forma.
    Ainda acho que “Sergipe é o país do forró”, talvez um pouco menos!
    abraço!

    Comentário por Allen — janeiro 13, 2010 @ 9:37 pm

  7. Eu concordo com você, e também percebo, aqui e ali, que a diversidade não é a maior preocupação do Salve – nem da nova geração. Para além do que eles entendem como viável, no entanto, existe o que importa pra gente. O fato é que o sectarismo atuaçmente observado, inevitável quando somente uma parcela dos interessados é atendida em seus pleitos, não é bom pra ninguém!

    Comentário por spleencharutos — janeiro 14, 2010 @ 12:20 pm


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