Spleen e charutos

janeiro 5, 2010

Secult divulga resultado de edital e desagrada artistas

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 9:00 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

The Baggios, uma das poucas surpresas boas selecionadas pelo edital

Quando a Secretaria de Cultura lançou um Edital para selecionar os artistas que se apresentariam na Arena Multicultural do verão Sergipe, gerou uma grande expectativa entre os músicos que enxergam no trabalho a ferramenta mais apropriada para a reverberação de seus projetos. Divulgada no início da noite da última segunda-feira, contudo, a lista com o nome dos doze eleitos pela curadoria da Secult acabou responsável por uma grande decepção. Eu fui provocado por alguns dos descontentes e, como não costumo fugir da raia, saí a campo para conhecer os argumentos da galera.

A princípio, a maior parte de minhas fontes ficou reticente, com receio de fazer o papel ingrato do ressentido. No entanto, uma rápida conversa foi suficiente para convencê-los da importância de discutirmos o assunto pelas vias apropriadas, levando a público os sussurros que povoam os subterrâneos da música sergipana.

O cantor e compositor Deilson Pessoa atacou a questão de frente, como costuma fazer sempre que o procuro. “Não acato o resultado do edital Arena Multicultural. E é com coragem e desconforto que assumo isso. Coragem e desconforto por ter sido, eu mesmo, um dos inscritos não contemplados, o que pode levar alguém a questionar as minhas motivações. Sou defensor então de que, ao invés de choramingar sempre que não pudermos ser a carta da vez, devemos sim desenvolver o cenário local com iniciativas independentes, além de nos lançarmos pra lá das fronteiras do estado”.

Pessoa continua. “Se por um lado considero a ação independente como saída para o pouco número de eventos do estado – e não reconheço entre as atribuições do Governo a responsabilidade de fazer show pra sustentar artista –, por outro lado as participações nos eventos devem se dar da maneira mais democrática possível. Os espaços culturais estão sendo utilizados como propriedade de uma nova panelinha, que mais uma vez ameaça fazer cumprir a terrível maldição, aquela do tal cacique praguejador”.

Para Rick Maia, guitarrista da banda Mamutes, a secretaria deveria se concentrar em nomes que possuem projetos consistentes, e já formatados, para selecionar os músicos que se apresentarão na Arena.

“Estou muito triste pelo fato do meu “filhote” não ter sido contemplado. Estávamos contando com esse dinheiro para terminar o nosso CD. Tivemos um ano de muita luta pra consolidação no mercado local e esperávamos por essa oportunidade para alavancar os planos desse ano que são, além de lançar o CD, sair em turnê pelo país levando o nosso rock e o nome de Sergipe para todo o território nacional. Infelizmente, tem muita gente contemplada pelo edital que vai tocar uma noite, colocar o dinheiro no bolso, e esperar pelo próximo presente do Estado”.

O guitarrista Allen Alencar (Elvis Boa Morte e os Boas Vidas) e o vocalista Rafael Oliva (Ode ao Canalha) lamentam a ausência de algumas bandas bastante ativas no cenário local, bandas que na avaliação dos músicos (e deste escriba) podem oferecer muito à nossa cultura. “Eu estranho muito que uma banda como a Cabedal, que possui público, um trabalho consistente, envolvimento com a cena e o escambau tenha sido preterida em favor de alguns dos nomes que estão na lista. Tem gente ali que não mora em Aracaju há muito tempo e não realizou mais do que seis shows a vida inteira”, defendem.

Critérios questionados – A maior parte dos insatisfeitos aponta na ausência de critérios claros para a seleção o maior problema do edital. Em uma lista criada pelos participantes do Fórum de Música da Secult, os produtores culturais Elma Santos e Jota Pê questionaram a transparência da seleção.

De acordo com a diretora de projetos da secretaria, Kadydja Albuquerque, contudo, a avaliação dos jurados está disponível na Secult. Segundo ela, foram analisados itens como Potencialidade; Profissionalismo; Obra em análise; Alinhamento do artista ou grupo com a proposta estética da Arena Multicultural.

A curadoria realizou a seleção em duas etapas diferentes. A análise documental foi realizada pela própria Kadydja Albuquerque e pelo coordenador de Música da Secult, Eduardo Prudente; A análise qualitativa, foi realizada pelo professor do Conservatório de Música de Sergipe, Emanuel Vasconcellos, pelo Coordenador do Curso de Música da Universidade Federal de Sergipe Hugo Leonardo Ribeiro, e pelo diretor da Aperipê FM, Léo Levy.

A secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, afirma que a Arena Multicultural é um espaço que foi pensado exclusivamente para a apresentação de artistas sergipanos.
“Esta é uma maneira de ampliar a participação dos nossos músicos no Verão Sergipe, uma vez que já teremos alguns nomes se apresentando no palco principal. Esse esforço da Secult reflete o nosso compromisso com a cena musical sergipana, mas revela também a preocupação em adotar critérios democráticos e transparentes na escolha desses artistas, realizando um processo de seleção através de edital público”.

A lista completa dos selecionados pode ser conferida no sítio http://www.divirta.se.gov.br

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5 Comentários »

  1. é normal as pessoas ficarem com raíva. Eu mesmo não esperava ser contemplado. Acho que a cabedal, plástico e mamutes foram as maiores ausências, mas não me arrisco a dizer quem deveria sair, também não é esse meu papel. Acho que mais do que reclamar e duvidar da honestidade do edital as pessoas deveriam ir na SECULT, rever o resultado e divulgar isso na Net em todos os meios. Agora independente de qualquer coisa foram pessoas que estavam lá encarregados de julgar, e pessoas tem gostos diferentes e o fato dessas pessoas serem de aracaju, acho que acaba favorecendo inconscientemente as pessoas mais próximas. Quando eu soube que a curadoria ia ser local eu quase desisto de fazer minha inscrição, mas ainda bem que como sempre ouvi Diane.
    Até Sábado em Laranjeiras, para que essse cachê valha a pena tô correndo pra fazer um show bacana e merecedor.
    Abraços amplificados

    Comentário por Alex Sant'Anna — janeiro 5, 2010 @ 9:46 pm

  2. Nas conversas que mantive com a galera (e não conversei semnte com os citados na matéria) não senti raiva, mas tristeza. Mesmo os que não queriam ceder ao disurso fácil do compadrio, discurso que continuo me negando a aceitar, lamentaram o resultado do edital. Não pelas presenças quase certas e merecidas de nomes como o Café Pequeno, Alex Sant’anna, Banda dos Corações Partidos (a Reação deveria estar no palco principal), mas por algumas bizarrices (pra não ceder ao tal discurso).

    Estranho é que uma banda como a Sibbéria, sem nenhuma relevância (e isso não é gosto, mas avaliação estética), um pastiche descarado do pop mais rasteiro praticado no sul do pais, tenha sido contemplada. Estranho é que Thiago Ribeiro, que no ano passado realizou somente dois shows sob o pretexto de lançar um disco que nunca chegou ao mercado, um cara que mora em Salvador, venha aqui, fature os R$ 4 mil da Secult, e volte pra casa, penalizando quem batalha para construir uma cena local. Estranho é que a Mensagenegra, encabeçada por uma nega de Indira Amaral,tenha sido privilegiada quando meio mundo de gente vem trabalhando sério, realizando projetos que poderiam interferir de maneira positiva em nosso cenário musical.

    Eu, pessoalmente, lamento.

    Comentário por spleencharutos — janeiro 6, 2010 @ 2:28 pm

  3. Sem falar que o site oficial do evento sequer menciona a existencia da tal ” Arena Multicultural “.

    Comentário por Adelvan — janeiro 6, 2010 @ 3:55 pm

  4. Lamento bastante o resultado nao somente pela banda da qual participo nao ter sido selecionada, mas tambem por outras bandas ja citadas. Bandas estas que vem se mobilizando pra formar um cenario digno no estado, que estao produzindo como nunca, gastando grana pra fazer as coisas acontecerem, correndo atras pra organizar shows, falo isso por que sei da dificuldade que é organizar show sem apoio pois participo de uma organizaçao independente, e é dificil pra caraleo

    Quando agente ve uma oportunidade de ganhar um espaço pelo governo surge a velha panelinha, a velha politica do apadrinhamento.

    Voce ve bandas que vem tocando ha 4 anos consecultivos no projeto verao, desde de 2007, e bandas como Reaçao e Snooze que eram pra estar tocando no palco principal sendo preteridas, eh no minimo suspeito.

    So tenho a lamentar pela musica de Sergipe que vem diminuido cada vez mais, ficando restrito a apenas uma classe de musicos

    Comentário por Roque — janeiro 7, 2010 @ 1:17 am

  5. Os caras da naurea devem estar ricos, alem de tocarem 2 vezes no verao sergipe uma em laranjeiras e outra no projeto verao, estao tocando praticamente em todas as bandas selecionadas para arena “multi”cultural.
    Esse governo esta sendo bom demais heim!!
    Por falar nisso que show fraco de Alex Santana com certeza tinham bandas melhores para por no lugar!

    Comentário por Rivaldo — janeiro 11, 2010 @ 2:45 pm


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