Spleen e charutos

novembro 20, 2009

‘Zumbi Vive’ e o reggae transcende

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 3:30 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Comemorado hoje, o Dia da Consciência Negra possui um significado simbólico muito forte. Ao menos uma vez por ano – pelo menos uma vez na vida! –, os movimentos sociais que se relacionam com a questão de alguma forma possuem a valiosa oportunidade de colocar suas demandas em pauta e celebrar a própria cultura. Em Aracaju, um dos pontos altos da festa ocorre somente amanhã, quando o BNB Clube abriga a música engajada das bandas Reação, Oganjah, e Vibrações (AL). A apresentação é promovida pelo projeto Zumbi Vive, que trabalha silenciosamente há cerca de três anos, e vem resgatando o orgulho negro, inspirado por Zumbi dos Palmares e João Mulungu, entre outros militantes da liberdade.

De acordo com Ras Lau, baixista da Reação, ainda é preciso avançar muito no tratamento dispensado às comunidades marginalizadas. Ele cita o exemplo do Pantanal, ocupado recentemente pela polícia sergipana, e questiona. “Por que o Estado só entra ali para levar a repressão?”.

Para Thiago Ruas, vocalista da Oganjah, a construção da cidadania exige um esforço minucioso e cotidiano. Ele fala com a propriedade de um dos mantenedores do projeto CHAMA, responsável por diversas oficinas de cunho social e educativo que interferem de maneira efetiva na auto-estima dos moradores do Pantanal.

“Nosso envolvimento com a militância social é anterior à música, mas é muito bom conciliar as duas coisas. A música também pode ser um instrumento para a educação das pessoas, e para nossa própria conscientização. Quando eu canto, também falo pra mim. É um exercício”.

A observação de Thiago poderia fazer sentido em qualquer contexto, mas adquire um significado especial quando levamos em consideração o caráter transcendental presente nas composições das bandas sergipanas. Lau explica que uma pergunta norteia o trabalho dos caras. “A gente sempre se pergunta: Qual é a moral da história?”.

Apesar de todos os revezes observados – o reggae é marginalizado porque é uma música de preto, nas palavras de Moziah, vocalista da Reação –, a rapaziada vem colhendo os frutos de seu trabalho, conquistando um espaço cada vez mais relevante no cenário reggaeiro do país, e sobretudo junto a suas próprias comunidades. De acordo com Dona Ildete, idealizadora do projeto Zumbi Vive, isso ocorre por uma razão muito simples.

“Quantas crianças, quantos negros estão carentes de uma palavra?”

Serviço:

Local: BNB Clube
Data: 21 denovembro
Hora: 22 horas

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1 Comentário »

  1. Rian, parabéns pelo registro… Re-viver a negritude nesse país constitui tarefa diária… Vale a pena olhar outros eventos que assinalam as comemorações em torno do Dia da Consciência Negra.

    Fátima Lima

    http://www.tessirurasemmim.blogspot.com

    Comentário por Fátima Lima — novembro 22, 2009 @ 11:50 am


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