Spleen e charutos

outubro 6, 2009

‘Chocolate With Pepper’ no Cook

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 5:29 pm

Além de tocar muito, o camarada Julico (The Baggios) vem se revelando um verdadeiro embaixador da música sergipana. Sempre na estrada, levando a música da terrinha para além das nossas fronteiras, o Rei do Blues – como preferem os amigos mais chegados – não se furta a convidar a galera que conhece em suas andanças pra levar um som aqui em nossa casa. É o que vai ocorrer no próximo sábado, quando o palco do Capitão Cook recebe a banda Distro (RN). Além da galera de Natal, o Cook abriga ainda os anfitriões da The Baggios, e a banda Nautilus.

O Power Pop da Distro aterrissa no Capitão Cook

O Power Pop da Distro aterrissa no Capitão Cook

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Jornal do Dia – Antes de mais nada, seria interessante esclarecer como ocorreu essa aproximação da Distro com Aracaju. Quando surgiu a oportunidade necessária para fazer zuada por aqui? Você me falou que já conhecia o som da Snooze, né?

Rafaum Costa – Eu conheci a Snooze em 2005, numa festa da Solaris Discos, aqui de Natal, e toquei com eles no ano seguinte, no Festival Dosol. A Snooze é uma banda muito competente, que adicionei e favoritei no myspace.
No início desse ano, o Nautilus veio tocar aqui, junto com o Gigante Animal (SP). Os caras fizeram um ótimo show. Conversamos bastante e já de cara nasceu a vontade de fazer o intercâmbio acontecer. Mais recentemente, rolou a tour “Invasão Sergipana”, quando tocamos com o The Baggios, Elisa e Daysleepers. Apesar do público pequeno, os shows foram muito consistentes. Eu troquei muitas idéias com a galera sergipana, surgiu o convite, e estamos chegando aí nesse dia 10.

JD – Influenciado por algumas bandas gringas, e nomes locais influenciadas por gringos, vocês começaram a compor em inglês. A galera está curtindo? Alguém já cuspiu o discurso besta do ufanismo na cara de vocês?

Rafaum – Risos. Sempre tem o cara que vai dizer que prefere em português e que rock brasileiro é cantado em língua pátria, mas acho isso meio radical, vai da opção da banda mesmo. Nós optamos por experimentar algumas composições em inglês. No EP “Chocolate With Pepper”, fomos motivados pela curiosidade de saber como iríamos soar na língua do Tio Sam. Os resultados estão sendo os melhores possíveis. Tocamos em Recife, João Pessoa e estamos indo a Aracaju com esse trabalho. Depois de visitar o máximo de cidades nordestinas com esse EP, queremos correr o Sudeste.

JD – Você pode me corrigir se eu estiver enganado, mas tenho a impressão de que a cena de Natal é muito parecida com a sergipana, no sentido de que estão acontecendo coisas muito bacanas – com as abanda gravando trabalhos interessantes, lançando discos, coisa e tal – mas que acabam minguando por falta de repercussão. Em sua opinião, a cena pode crescer à revelia dos meios de comunicação? Como amadurecer essa relação?

Rafaum – Sim, sim… Natal e Sergipe se assemelham muito nesse aspecto. Acho que, esses últimos anos, os potiguares ficaram meio “putos”, cansaram de reclamar. Estamos empenhados, tentando sair de casa pra mostrar o que temos por aqui. Éramos muito acomodados e estamos aprendendo que se a banda não está disposta a se divulgar, vai ficar muito difícil dela ser reconhecida.
É muito fácil ter uma banda hoje. A galera grava em casa, coloca as músicas no myspace e acha que tem uma banda. Ter uma banda é mais do que isso. As pessoas devem ter cuidado, ter uma gravação massa, procurar uma certa identidade visual, fazer o melhor possível para que o maior número de pessoas possa encarar o seu rock com seriedade, e as mídias estão aí pra isso. Se for feito de forma organizada, fica menos difícil de conseguir alguns espaços, expandindo a sua música cada vez mais.

JD – E como foi que nasceu a experiência do Coletivo Noize? O coletivo realmente contribuiu de alguma maneira na caminhada da banda? O que é preciso para um coletivo funcionar de verdade?

Rafaum – O Noize surgiu da idéia de otimizar algumas ações culturais na cidade. Eu sou um dos proprietários do Selo Independente Xubba Musik, e junto a Gustavo Rocha, da banda Calistoga, tivemos a idéia de abraçar um número maior de ações culturais, envolvendo desde cinema e música até as feiras livres, exposições fotográficas, artes plásticas, cultura independente de uma maneira geral.
O Noize vem rendendo algumas coisas pro Distro, principalmente contatos, pois estamos ligados à rede de 37 coletivos espalhados pelo país, por meio do Fora do Eixo, que está montando um “circuito”, criando as condições necessárias para que as bandas circulem cada vez mais.
Vamos fazer um ano de coletivo e vimos que, para funcionar, não adianta apenas o cara “ser” do coletivo, senão vira só um amontoado de gente que não produz. Por isso, no início sempre ocorrem várias mudanças, entra e sai de gente, mas acredito que chegamos em um núcleo consistente e estamos conseguindo bons resultados, trazendo benefícios pra quem faz de verdade. Portanto, o caminho é esse.

JD – Quais os nomes da cena de Natal que merecem atenção da galera que curte um som como o de vocês? O que falta para essas bandas conquistarem o mundo?

Rafaum – Bicho, tem muitas bandas trampando bastante por aqui, mas eu destaco o Calistoga, Rejects, The Automatics, Os Bonnies, Bugs, Venice Under Water, que estão produzindo bastante na terrinha do camarão bom, e que já fizeram tour ou estão articulando ações fora da cidade. “Dominar o mundo” está nos planos, mas pra isso vamos dominando o nosso Nordeste querido, nosso país, e por aí vai, pois a fórmula pra se conseguir bons frutos é apenas trabalho, trabalho, trabalho e muito show, para que a banda amadureça cada vez mais e consiga alcançar os seus objetivos.

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2 Comentários »

  1. Embaixador foi boa! hahahaha
    Rian, nao sei nao viu!
    Ficou massa a entrevista!

    Comentário por Julico — outubro 7, 2009 @ 12:25 pm

  2. Maassa!

    Comentário por Allen — outubro 7, 2009 @ 2:18 pm


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