Spleen e charutos

setembro 24, 2009

Música de preto no Capitão Cook

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 7:18 pm
Ferraro Trio: Um exercício que vale a pena

Ferraro Trio: Um exercício que vale a pena

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Os grooves do funk e da soul music conjugados à energia visceral do blues. São esses os poucos ingredientes que o pessoal do Ferraro Trio e da banda Máquina Blues prometem jogar no caldeirão sonoro que tomará conta do Capitão Cook na noite de amanhã. De acordo com Rafael Jr, baterista do Ferraro e um dos militantes mais ativos da cena local, não poderia haver palco mais adequado para o trabalho da banda. “Antes de fazermos o primeiro show já achávamos que era o lugar perfeito pra nós”. Como determina o hábito que adotei nessas ocasiões, a apresentação serviu de pretexto pra um lero com os caras. Afinal, Não é todo dia que duas bandas sergipanas se dedicam à música negra com tanta qualidade.

Jornal do Dia – Como surgiu a idéia de montar uma banda instrumental? Viver de música já não era complicado o suficiente pra vocês? Em que medida isso possui relação com o curso de Música que o pessoal do Ferraro Trio cursa na UFS?

Rafael Jr – Bom, a gente já tinha entrosamento de outros carnavais, tanto musical quanto pessoal, principalmente na Maria Scombona. O projeto instrumental serviu para coroar isso tudo. Nossa amizade é cada vez mais forte e acho também que estamos mais maduros musicalmente, podendo levar isso para o som do trio. A questão de viver de música não influencia. Aqui a música está em primeiro lugar, e se ela não der retorno, tudo bem, é um exercício que vale a pena. O curso de Música na UFS também tem a ver, estamos caminhando para o término da graduação e certamente somos músicos melhores depois desses anos seguindo ensinamentos de Mestres e Doutores em Música. Nossa visão do fazer musical alcança uma abrangência maior e melhor.

JD – No release que registra as intenções do projeto, vocês mencionam a ambição de atingir um público variado, “de jazzistas a rockers, além dos amantes da música negra em geral”. A pretensão foi atingida? O que falar do público consumidor de música em Aracaju?

Rafael Jr – A questão é que muitas vezes a música instrumental pode ser bastante chata para leigos, pra quem não é instrumentista, com solos intermináveis e músicas longas e/ou pouco acessíveis em sua forma ou sonoridade. A idéia é que tanto os caras mais “fissurados” em música quanto suas namoradas possam curtir o som, e pra isso não é preciso fazer uma música descartável ou pensando nas FMs. O balanço da música negra americana serve como base e linha condutora, pra gente ter uma cara, mas estamos abertos à música brasileira, ao jazz e ao rock. Tudo isso faz parte do nosso background musical e acho que tá tudo bem dosado no nosso som.
Sobre o público consumidor em Aracaju, acho que sempre tem gente interessada e aberta, estamos aí pra tocar pra eles. O objetivo será atingido com o tempo, estamos trabalhando sério pra isso. E que venham cada vez mais jovens e coroas pros nossos shows.

JD – Em uma matéria recente, eu me atrevi a dizer que o batizado da faixa Capitão Cook, uma das composições do trio, rendia homenagem a um dos poucos espaços abertos para a divulgação da música autoral da cidade. O atrevimento possui algum fundamento? O Capitão Cook deve mesmo ser encarado como templo informal da música produzida em Aracaju?

Rafael Jr – Acho que é isso mesmo. Antes de fazermos o primeiro show já achávamos que era o lugar perfeito pra nós, e é sempre bem legal tocar lá. A partir dessas primeiras investidas no “templo” já fechamos apresentações em outros locais, como na UFS ou no Projeto Freguesia, da Funcaju. Foi bem legal o show que fizemos na orla, um sábado à noite, cedo, de graça. Tinha muita criança, turista, famílias comendo tapioca… Isso não tem numa casa noturna!

JD – Parece que a idéia que possibilitou a fundação do Ferraro Trio é bem antiga. Porque ela demorou tanto tempo para ser posta em prática?

Rafael Jr – Não é tão antiga, mas cozinhou no mínimo durante um ano inteiro! Saulinho já fazia música instrumental com mais freqüência em outros grupos; Robson não vinha tocando muito jazz e eu também tava parado desde o fim da Poyesis/Jazz Café, na qual tocava quase toda terça. Fica uma lacuna pra quem ama jazz, que é nosso caso. Gosto muito de música pop, mas tem hora que enche o saco! Fazer diversos trabalhos diferentes nos mantém vivos musicalmente, informados, socializados com o “metiê”, e em dia com nossos instrumentos, algo necessário para operários da música como a gente. A demora foi organizar agenda mesmo, conciliar com as disciplinas da UFS, etc. Mas quando foi, foi de vez!

JD – Quem baixou o EP virtual de vocês, tá ligado na “homenagem” personalista realizada para Michael Jackson. Ela foi gravada antes ou depois da morte do crioulo mais branco do mundo (ou do branquelo mais preto que já existiu, sei lá…)? Vocês realmente curtem o som do cara?

Rafael Jr – “Beat It” foi gravada antes da morte, várias pessoas já tinham curtido e comentaram que estávamos em sintonia. Já a versão de “Bad”, que não está no EP mas tem no http://www.myspace.com.br/ferrarotrio, foi gravada depois. Fizemos um show no Cook no aniversário de um mês da morte e tocamos essas duas e ainda um medley de canções da fase Jackson 5/Motown, que particularmente eu prefiro.
O maior fã na banda é Robson Macaxeira, curte desde moleque! Conheci melhor os álbuns solos através dele, que também me fez respeitar o trampo do cabra. Grandes arranjadores, produtores e músicos tocavam em seus álbuns.

JD – E o que a galera pode esperar do show de amanhã à noite? Alguma surpresa? Porquê a Máquina Blues como convidada?

Rafael Jr – Na verdade, foram eles que nos convidaram. As duas bandas curtem o trabalho uma da outra e já era desejo dividirmos o palco. Funk, Jazz e Blues têm tudo a ver! Música de negão, né véio? A cada show trazemos um convidado diferente, e nesse especificamente teremos metais em algumas músicas e uma jam com o guitarrista da Máquina Blues no fim do show, celebrando o som de Jimi Hendrix, uma influência decisiva pra qualquer guitarrista.

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4 Comentários »

  1. esse show promete!

    Comentário por Allen — setembro 25, 2009 @ 10:01 am

  2. O show foi demais, e vcs levaram “Falta”!!!
    hehehe…
    Rian, tu é danado mermo!!!

    Comentário por Rafael Jr. — setembro 26, 2009 @ 6:45 pm

  3. perdeu a mão pras crônicas foi rian?

    Comentário por Débora — setembro 27, 2009 @ 3:45 am

  4. Crônicas a partir de amanhã, no sítio da Agência Voz. Vou linkar aqui 😉

    Comentário por spleencharutos — setembro 28, 2009 @ 11:51 am


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