Spleen e charutos

março 14, 2009

O orgasmo de Paulinha

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 2:24 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

“Nosso John Fante da Rua Propriá! Vou organizar abaixo-assinado e aumentar a mísera cota de 2 mil caracteres que o diário lhe oferece (aproveitando o ensejo para reduzir a de outros tantos). Que sua literatura não nos chegue como esmola pequena. Que Paulinha não deixe marcas somente nos seus dedos. Esperei a moça inutilmente e agora boto a culpa no jornal. Mas acho que você tem razão: em 2 mil caracteres só cabe uma bolinadinha”.

Assim, com a delicadeza que somente um filho de Itabaiana, a capital do mundo, poderia emprestar a um texto, o jornalista Luciano Correia cometeu a gentileza de comentar artigo de minha autoria. Meu professor não sabia que Gilvan Manoel, o editor deste diário, cansou de cobrar quinhentos toques extras ao cronista. Como expliquei ao rapaz na ocasião, não me falta espaço nas páginas do Jornal do Dia. Em determinadas circunstâncias, falta tesão.

A xoxota de Paulinha, a crônica que despertou a curiosidade libidinosa de Luciano, tratava de resgatar o afeto alimentado pelos cinemas mais antigos da cidade. Ao mesmo tempo, no entanto, apontava as razões responsáveis pela falência do multiplex que funcionava em um dos shoppings de Aracaju.

Na época, apesar da tristeza que toma conta do cinéfilo quando os templos evangélicos assaltam uma sala de exibição, não poupei palavras para demonstrar o meu desprezo pela despedida: O Moviecom vai tarde, não deixa saudade alguma. Jamais ofereceu real diversidade de programação, nunca apostou em nossa inteligência. De todos os momentos vivenciados sob o seu abrigo, conservo apenas a fragrância áspera da xoxota de Paulinha.

Na noite da última sexta-feira, o Cinemark realizaria sua primeira exibição nas dependências do Riomar. Ao que parece, não pretende repetir o equívoco dos antigos proprietários das cinco salas que compõem o cinema. Além de realizar as reformas de praxe (telas, projetores, equipamentos de som), adequando o espaço ao seu padrão de qualidade, já garantiu o funcionamento do Cine Cult nas novas instalações. Espera-se, contudo, que além das sessões do projeto, responsável pela exibição de filmes com menor apelo mercadológico, os programadores do Cinemark compreendam que mesmo no chamado cinema comercial existem produtos que precisam ser levados aos quatro cantos do mundo. Dessa maneira, quem sabe se os meninos de hoje não avançam sobre o território que conquistei e alcançam, como esperava o meu professor, os três mil caracteres que culminariam com o orgasmo de Paulinha?

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