Spleen e charutos

fevereiro 7, 2009

Tá todo mundo doido. Oba!

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 2:35 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Beber com o pessoal da NaurÊa é uma felicidade. Não é sempre que os meus entrevistados rivalizam comigo no tamanho da barriga. Assim que cheguei no aniversário de Alex Sant’anna, na última sexta-feira, avisei ao rapaz:“Deixe vocês ficarem bêbados que a gente conversa”. Foi o meu maior pecado. Antes que qualquer membro da banda desse o primeiro tropeço, este escriba rodou três vezes. A conversa se transformou em algazarra. A objetividade usualmente pretendida numa oportunidade dessas, contudo, cedeu espaço para algo mais interessante. Duvido que qualquer jornalista tenha arrancado declarações mais sinceras do que as sentenças embriagadas que registrei entre uma cerveja e outra.

O novo trabalho da banda, o EP “Babelesko”, tocou algumas vezes, reafirmando a sua teimosia festiva. “Ninguém pode fazer música divertida no Brasil”. O norte de nossa conversa, no entanto, era outro. Não me interessava mencionar mais uma vez a origem da NaurÊa, a quase lendária reunião no Shopping Jardins, ou coisa do tipo. A mim, preocupava saber, por exemplo, como a substituição de um de seus membros interferiu na dinâmica da banda. “Não sentimos a menor saudade de Patrick. Agora o nosso trabalho flui de outra forma. O homem do surdo era um zero à esquerda”.

Desde que surgiu, há quase uma década, a NaurÊa vive uma relação de amor e ódio com a cena local. Ao mesmo tempo em que pode se vangloriar de realizar um dos trabalhos mais profissionais do universo musical sergipano, levando o nosso sotaque para os quatro cantos do mundo, a banda é constantemente acusada de pegar carona em modismos diversos, em movimentos que pouco têm a ver com o conceito musical que orienta os seus músicos. “Comparar o nosso trabalho ao da Nação Zumbi por causa dos meus óculos é foda! Eu não tenho culpa se todos os melhores projetos musicais de Sergipe são ligados à gente”.

Alex se referia a projetos diferentes. O seu trabalho solo, a Banda dos Corações Partidos, as diferentes experiências acumuladas pelos sete músicos da banda. Nada disso, contudo, parece ter importância para os seus críticos, que condenam, entre outras coisas, a constante presença da NaurÊa nos eventos musicais promovidos pelo Estado. Aos detratores, a resposta de Alex está pronta. “Nosso maior patrimônio tem um nome simples. Trabalho. A NaurÊa é certeza de que o público vai pular”.

Depois que percebeu ter deitado com a imprensa marrom (culpa de minhas raízes negras, e do sol), Alex tentou adiar a nossa conversa, esnobar minha pena. Era tarde. Este escriba já tinha ouvido mais do que pretendia.

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1 Comentário »

  1. essa imprensa marrom nao deixa passar nada…hahahahahahahahah

    Comentário por derley — fevereiro 7, 2009 @ 2:47 pm


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