Spleen e charutos

setembro 6, 2008

Às margens do Ipiranga

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 12:05 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Nunca toquei a verdade, nem mesmo com a ponta dos dedos, mas não desisto de farejar as suas emanações. No encalço da fugitiva, me perdi mais vezes do que o pincel de Pedro Américo, e tomei por fato o que não passava de divagação. Foi assim que encontrei Dom Pedro às margens do Ipiranga, espada nua inventando uma pátria, povo heróico defendido no grito, com a força de seu brado retumbante. Na mesma corrida, meia dúzia de cartas ridículas, escritas sem um pingo de sentimento, e promessas de amor eterno que se revelaram mais breves do que um aperto de mão.

Ninguém faz amigos falando o que pensa, nem conquista votos sem o cálculo antecipado dos movimentos adversários. A mim, no entanto, o leitor cobra honestidade. Para satisfazer a tanto, é preciso dizer que escrevo mastigado pela ressaca. Bebi com uma sede de fim do mundo. Acompanhado pelo produtor cultural Roberto Nunes e pelo artista plástico Fábio Sampaio, esvaziei em uma tarde as garrafas que deveriam pontuar um mês inteiro.

Eu me desdobraria em panos de chita, ramalhetes de flores e bombons importados. Mas só tenho duas doses de conhaque e a cintura fina das putas para recordar. A alegria das fantasias domésticas, seus panos bordados e almoços de domingo, sempre falaram ao meu coração como um parente distante, daqueles por quem se conserva algum afeto somente em função de sua ausência demorada.

Independência ou morte. Nunca mais quero saber da realidade. No encalço da fugitiva, me perdi mais vezes do que o pincel de Pedro Américo, e tomei por fato o que não passava de divagação. Foi assim que encontrei Dom Pedro às margens do Ipiranga, espada nua inventando uma pátria, povo heróico defendido no grito, com a força de seu brado retumbante. Na mesma corrida, meia dúzia de cartas ridículas, escritas sem um pingo de sentimento, e promessas de amor eterno que se revelaram mais breves do que um aperto de mão.

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1 Comentário »

  1. Deixe de preguiça, e da próxima vez me chame pra uma cachaça dessas!

    Comentário por Deilson Pessoa — setembro 8, 2008 @ 5:51 pm


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