Spleen e charutos

outubro 8, 2007

Tanta estrela por aí

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 7:46 pm

Rian Santos

 

Todo mundo escolhe uma maneira de estar no mundo. As moças que se escondem por trás das janelas e as que desfilam, salientes, em calcinhas de algodão. O diabo é a perda.

 

Expulso de casa, decidi que o universo, bicho grande que cabe em qualquer quintal, era eu e meu All Star surrado. No direction home, como na canção de Dylan. Pensava inaugurar um novo hedonismo, um Modus Vivendus deliberadamente vagabundo. Cervejas, literatura, sexo barato, essas coisas fazem um homem se sentir um pouco beat, sabe? Naquele venturoso tempo, o boteco fechado esgotava as possibilidades de preocupação.

 

Mas a simplicidade de meus dias em andrajos de responsabilidade não tardaria a cobrar um tributo. A vida On the Road, sem eira nem beira, também possui os seus dissabores, especialmente para um errante de meia pataca como eu. O apartamento de dois quartos, repentinamente imenso; a tagarelice insensível de meus passos; o “boa noite” da apresentadora no final do noticiário… Isso tudo me botou cansado. Eu não era, afinal, assim tão cigano quanto imaginava.

 

Viagem alimenta desejo de porto. Terra firme dá vontade de mar. Entre uma coisa e outra encontrei o amor, meu incesto. É que depois da alegria do caminho errado eu precisava de abrigo, um lugar para voltar, algo além de um edifício sólido de paredes bem construídas. Não que agora eu ande reto, trilhos foram feitos para trens, mas a experiência reduzida a bar não me rendeu muita coisa além de uma barriguinha safada, que teima em contrariar minha elegância displicente. Para alguém que andava largado como eu, o amor foi como um caminho de volta pra casa.

O diabo é a perda. Eu encerrado entre quatro paredes. Com tanta estrela por aí…

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4 Comentários »

  1. Em lágrimas. Porque, pra quem ainda não achou um caminho de volta pra casa, perdida entre porto e mar, o diabo pode ser muito mais.. mesmo de baixo de tanta estrela.

    (Espero que os outros gostem tanto desse presente quanto eu (falo do blog e dos seus textos).

    Comentário por Outra Carol — outubro 8, 2007 @ 8:13 pm

  2. Grande Calango!

    Engraçado como me identifico com este último parágrafo deste teu texto… Na verdade, acho que somos muito parecidos. Talvez por isso era tão bom ir tomar sorvete no meio da tarde!

    Beijão! E espero que agora você amamente seu filhote! hehehe

    Comentário por Rita Brasileiro — outubro 9, 2007 @ 1:00 am

  3. Adoro!

    Comentário por valdinha — julho 25, 2008 @ 12:04 am

  4. Parece musica nos meus ouvidos, vc escreve deslizando nas palavras. É tão perfeito que me faz sentir um sentimento confuso, tristonho e alegre.
    Daqueles que não sei muito bem explicar!
    To sem palavras.
    bjus

    Comentário por valdinha — julho 25, 2008 @ 12:08 am


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