Rian Santos
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A elegância de Mônica Waldvolgel escondeu durante muito tempo o nariz monstruoso que um criador gaiato lhe cravou no meio da cara. A ignorância demonstrada em episódio recente do programa Saia Justa, contudo, arrancou o véu. Sob o pretexto de cutucar a chatice da militância politicamente correta, a jornalista perdeu uma bela oportunidade de ficar com a boca fechada e, entre grunhidos incompreensíveis, tradução da euforia que lhe tomou ao fazer chacota de milhões de pessoas, arrotou burrice e sectarismo, condenando a solução mais simples para os problemas de mobilidade urbana enfrentados pelas grandes cidades: a bike.
Na cadência do pedal – Anda de bicicleta quem quer. Pra mim, que não suporto azul Severino sobre a moleira, pedalar é uma atividade noturna, a maneira encontrada para me apoderar da cidade. Enquanto os poderosos e o séquito de puxa sacos que sempre os acompanha acenam dos camarotes, eu pedalo. Enquanto uma gente fresca e afetada enfrenta fila para beber em vernissages, eu tomo vento na cara. Enquanto a maioria gasta dinheiro e passa cartões de crédito como quem coloca a corda no pescoço, eu transpiro. A cidade me pertence.
Com o tempo, a cadência do pedal acabou se prestando ainda a um exercício inusitado. Aprendi a escrever em cima da magrela. Os fones despejam um disco novo nos meus ouvidos. Distraído, o corpo responde. Não tem palavra que escorregue ou desobedeça. Não tem firula de guitarrista atinado. Equilibrado sobre duas rodas, meu veredicto adquire o peso de uma vontade despótica e condena à forca ou ao exílio todos os bobos da corte que não fazem a alegria do rei.
Um metro e meio de distância, como determina o Código Brasileiro de Trânsito, ou a sua cabeça vai pro mastro.

Eis o veredito!
Comentário por Pollyana — fevereiro 25, 2012 @ 11:41 am
Ah, como gostaria de compreender a fundo tal prosperidade bicicletária.
Em um idioma que quer ser compreendido além do Atalaia, que tal facilitar na língua camoniana? Menos barroquismo seria pedir demais?
Eu já andei à pé nesse trecho, não era nem verão e que calor meu Deus! A foto se não me engano é próximo ao Iate, não é? Ainda bem que tem a brisa para aliviar.
E, gostaria de sugerir. Deixe a flacidez glútea do discurso anti-polimérico-monetária. Sua bike foi paga com conchinhas catadas na beira-mar?
Comentário por Saudades do Macunaíma — março 11, 2012 @ 8:02 pm
Cuma?!
Comentário por spleencharutos — março 11, 2012 @ 8:13 pm