Rian Santos
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O maior trunfo da naurÊa não reside no elogio ao gozo e à fruição, no tecido puído da experiência que amamenta o lirismo das composições assinadas por Alex Sant’anna e Márcio de Dona Litinha. Há muitos coelhos nessa cartola, outros truques guardados na manga. É nas seis cordas do guitarrista Abraão Gonzaga, por exemplo, que a mágica acontece. São as palmas das mãos de Betinho Caixa D’água que sacodem o furdunço.
Evidente, esta é somente a opinião de um jornalistazinho. É possível que os próprios músicos atribuam a disposição da galera que gasta as canelas na frente do palco a fatores mais relevantes. Ocorre que o apelo da zabumba maltratada por Márcio, a marcação ensandecida do sambaião, não encerram as virtudes da banda – uma reunião de músicos de mão cheia, com sangue no olho e cabelo na venta, que buscou na exaltação da alegria o seu principal motivo.
Às vezes, o que não salta aos olhos faz muita diferença. Vai ver que já estava lá pra quem quisesse ver. Em Furdunço (2011), entretanto, ficou muito evidente, ao menos para este escriba, que os beats da naurÊa, a algazarra exaltada pelas suas composições, só funcionam por causa de um todo orgânico, quase altruísta, que trabalha a serviço da composição. Do próprio disco, eles falam melhor do que ninguém (leia abaixo), mas fica aqui registrada a satisfação de um aficionado. Tranquilizado por riffs e batuques, em verdade vos digo, a naurÊa não é só uma fórmula.
Furdunço – Bagunça. Celebração. Forró. Completando 10 anos, a Naurêa presenteia seus fãs com o primeiro volume do álbum box All Gazaha: Furdunço. São três músicas inéditas e três remixes – dos djs Dolores, Lucio K e Kaska.
A ideia agora é investir em álbuns periódicos que serão lançados a cada três meses. Cada pedaço dessa All Gazaha contará com músicas inéditas, com artista de renome internacional, contribuindo com o trabalho da Naurêa (neste primeiro volume, Dj Dolores e Dj Lucio K – nos próximos virão surpresas) e com artes visuais que no final do projeto em Junho formarão o mosaico da algazarra.
Com isso a banda dá um passo largo para novas possibilidades e, dentro de uma nova estética que tomou conta do mundo, criará obras abertas que estarão sendo trabalhadas durante um ano inteiro.
Furdunço será o início desta confusão que mixará sabores sonoros, línguas e linguagens. A faixa inicial do ep já dá mostras do que será feito este novo trabalho: Bate beat, um trocadilho globalizado das brincadeiras de roda com o universo do pop dançante, do pirulito que bate-bate ao beat it que já bateu.
A segunda faixa vai à salsa de Célia Cruz ao samba de Clara Nunes passando pela deliciosa lambada de Michel Nerplat (aquele do Wi Pi Ti Pi Ti). A terceira nos leva ao afrobeat, ao R&B e samba de roda e de pareia – minha vida é viver e brincar.

Acho interessante o estilo das composições, principalmente por nos remeter ao ritmos da cultura caribenha ou algo do gênero. Acho harmonicamente pobre por imprimir um desconhecimento modal.
Comentário por Carlos mendonça — janeiro 26, 2012 @ 3:42 pm
A única coisa q se salva nesse disco é a capa. A banda é ruim e o som sem técnica alguma parece um bando de moleque tocando em uma garagem enfim péssimo.
Comentário por Guy Fawkes — janeiro 31, 2012 @ 2:57 am