Spleen e charutos

janeiro 11, 2010

NPD Orlando Vieira – democratizando o audiovisual

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 3:00 pm

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

“Aos poucos, o NPD vai sendo conhecido e usufruído por outros setores da sociedade”

A partir de hoje, além de uma grande amiga, Graziele Andrade, diretora do Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira, será por mim reconhecida como a entrevistada mais escorregadia da história desse diário. Desde que assumiu a gestão da Núcleo (eu normalmente o apelidaria de elefante branco, ou gigante adormecido, mas a moça me convenceu, ao menos em parte, de sua importância), Grazi prometeu responder a algumas perguntas, revelando seus planos para aproximá-lo da comunidade e justificar o investimento realizado em sua manutenção. Esperta como a gota, ela finalmente considerou minhas perguntas carregadas de maldade, mas o fez como bem entendeu.

Jornal do Dia – O NPD Orlando Vieira foi inaugurado há algum tempo (quanto tempo mesmo?), com a promessa de interferir de maneira positiva em nosso incipiente cenário audiovisual. Apesar disso tudo, parece que os resultados não acompanharam o investimento realizado. O que pode ser feito pra mudar esse quadro?

Graziele Andrade – O NPD Orlando Vieira foi instituído oficialmente em 01 de setembro de 2006 e no dia 30 de novembro do mesmo ano, foi disponibilizado pela Prefeitura Municipal de Aracaju para o funcionamento num imóvel alugado na Rua Lagarto, nº 2161, local onde permanece até hoje.
O espaço do NPD engloba salas de aula equipadas com TV, DVD, computadores Imac, home theater, telão, projetor, além de um Kit de captação de imagem e outros equipamentos. Foi através dessa estrutura e das ações de fomento à produção audiovisual independente que ao longo de apenas três anos de existência, o NPD Orlando Vieira democratizou o conhecimento audiovisual para mais de 300 pessoas, levando-se em conta apenas os alunos dos cursos. Se contarmos os participantes das atividades de formação do olhar (mostras de filmes com debates), lançamento de curtas sergipanos e de longas-metragens como o “Canta Maria”, veremos o impacto considerável da chegada do Núcleo em Aracaju.
Outro bom argumento é a ligação de grande parte dos realizadores sergipanos concorrentes no Curta-SE com os cursos oferecidos pelo NPD.
Portanto, o NPD Orlando Vieira interfere positivamente, como você mesmo diz, nesse cenário audiovisual incipiente que, para evoluir, necessita de investimentos que vão desde a formação à geração de um mercado audiovisual consistente.

Jornal do Dia – Eu sinto falta de uma integração maior entre o NPDOV e a comunidade. Existe a intenção de levar um número maior de pessoas para dentro do Núcleo? Como fazer isso?

Graziele Andrade – No pouco tempo de existência do NPD, vejo a integração com a comunidade como um processo em crescimento. No início – e acho até lógico pela ligação do produto oferecido, o audiovisual – houve uma aceitação imediata dos universitários de Comunicação Social. Aos poucos, o NPD vai sendo conhecido e usufruído por outros setores da sociedade.
Ao longo deste ano, recebemos crianças e adolescente do Instituto Recriando, que se encontram na chamada situação de risco social. Também oferecemos exibições de filmes nacionais, através do projeto “Paralela Infantil”, a 455 alunos da rede pública de ensino de Aracaju. Esse é o tipo de investimento, a longo prazo, que acredito ser importantíssimo para no futuro, o conteúdo sergipano, além de ser competitivo nacionalmente, ter uma platéia, em seu próprio Estado, consciente do importante valor de reconhecer sua identidade cultural.

Jornal do Dia – Como você, na qualidade de diretora do Núcleo, avalia os investimentos realizados pela administração pública em produções de forasteiros (“Orquestra dos meninos”, “Arthur Bispo do Rosário”)? Muitos acreditam – e eu me alinho a estes – que tanto dinheiro poderia ser mais bem investido.

Graziele Andrade – Eu avalio os investimentos públicos que foram feitos em longas-metragens produzidos por realizadores de outros Estados como parte estrutural desse processo de amadurecimento audiovisual pelo qual cenas iniciantes precisam passar. Quando essas equipes se instalam em nosso Estado, apresentam experiências, tanto positivas quanto negativas, adquiridas ao longo de anos de convívio com cenas audiovisuais mais avançadas. E nesse confronto de realidades, os profissionais sergipanos aprendem muito e, dessa forma, acabam, indiretamente, usufruindo do recurso disponibilizado pelo erário sergipano.

Jornal do Dia – Ano passado, o Curta-SE (maior evento relacionado ao universo audiovisual sergipano) correu o risco de ser cancelado. Depois de ser adiado duas vezes, ele finalmente foi realizado, mas motivou uma série de críticas, direcionadas principalmente à falta de organização. Você acha que a dependência do financiamento estatal prejudica, de alguma forma, as atividades culturais do Estado?

Graziele Andrade – Entendo o financiamento estatal como peça chave na construção de uma economia cultural saudável. O produto cultural não deveria ter uma relação de dependência com a iniciativa privada porque a lógica, nesse caso, seriam as diversas variações do mercado, o que deixaria projetos artisticamente maravilhosos, mas sem nenhuma relação direta com o lucro, excluídos do conhecimento público.

Jornal do Dia – Hoje, você faz parte dos quadros da administração pública, e tem a oportunidade de interferir de alguma maneira na política cultural do município. Nessa condição, você acredita que já podemos afirmar que possuímos uma política cultural efetivamente implantada em Aracaju? Muita gente acredita que o maior equívoco dessa chamada política cultural é o direcionamento expressivo dos recursos aos grandes eventos (a exemplo do Forró Caju). Você comunga com esse pensamento?

Graziele Andrade – Em relação ao audiovisual, a Prefeitura Municipal de Aracaju/FUNCAJU tem um enorme reconhecimento por ter implantado um Núcleo de Produção Digital. Atualmente, existem em funcionamento 15 Núcleos de Produção Digital (NPDs) do Olhar Brasil distribuídos pelos estados brasileiros. E entre estes, o NPD Orlando Vieira é um dos mais atuantes, apesar das dificuldades encontradas na política cultural em todo o país. Existem lugares em que o Núcleo se configura como mais uma ação de apoio e fomento à produção audiovisual, em outros, como é o caso de Aracaju, o NPD é a primeira intervenção pública planejada para o setor.

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1 comentário »

  1. A mulher certa no lugar certo.

    Comentário por Fábio Sampaio — janeiro 17, 2010 @ 9:29 pm


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